Nos EUA, discute-se a hipótese de taxar filmes e jogos violentos

Leandro de Barros

  quarta-feira, 15 de maio de 2013

Nos EUA, discute-se a hipótese de taxar filmes e jogos violentos

Vice-Presidente americano não vê nada contra a hipótese de criar uma taxa contra filmes e jogos violentos

Uma pequena dose de background necessária: há alguns meses, os EUA foram alvos de vários “ataques” gerados por cidadãos americanos. Nós tivemos o caso do cara que atirou na plateia em um cinema durante a estreia de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, tivemos gente atirando em escolas novamente e mais alguns casos do tipo. A sequência de ocorrências desse tipo nos últimos meses, reacendeu com força a discussão nos EUA sobre o controle da posse de armas. O país possui uma legislação mais liberal sobre o assunto do que a maioria dos outros países e, recentemente, o Senado norte-americano rejeitou uma nova proposta sobre o controle da posse de armas – proposta essa que era apoiada pelo Presidente Barack Obama.

Battlefield 34

Ok, background dado, vamos lá:

Além do controle da posse de armas, obviamente que essas ocorrências violentas no país (e já dá até pra citar aqui o caso da Maratona de Boston há algumas semanas) acabariam ressuscitando a velha discussão sobre a influência de mídias violentas na sociedade.

Games violentos geram pessoas violentas? Filmes violentos incitam atos de ódio? Stallone é o Anticristo na Terra e Call of Duty é o centro de recrutamento do Inferno? Devemos proteger as crianças? Os terroristas estão ganhando?

Todas essas perguntas foram feitas pela sociedade norte-americana recentemente, gerando muita discussão e, como sempre, nenhuma conclusão de fato. Porém, o Reverendo Franklin Graham, que é uma espécie de Silas Malafaia lá dos EUA (inclusive, ele pensa que Deus complicou a economia americana porque Barack Obama foi reeleito), fez uma proposta aos políticos americanos: empresas que produzirem obras violentas – como games ou filmes – deveriam ser taxadas, pagando uma quantia especial que seria revertida para vítimas de crimes violentos.

Por exemplo, um estúdio de cinema vai e filma Porrada 4: Narizes Serão Quebrados!, com o Stallone e o Jason Statham no elenco. Esse estúdio teria de pagar uma certa taxa ao governo norte-americano para poder lançar o filme. Ou então, uma desenvolvedora faz Call of Battlefield 3: Modern Warfare Gunship Killerzone e também paga a tal taxa.

Obviamente isso é só uma sugestão de um pato de fora da política americana. Até que o vice-presidente do país entra na jogada.

Segundo o Politico, Joe Biden (o vice-presidente americano) teve um encontro com líderes religiosos para discutir o controle da posse de armas no país. Durante a discussão, o já citado Franklin Graham perguntou ao vice-presidente sobre a sua proposta e a resposta foi: “Não há nenhuma restrição à possibilidade de fazer isso, não há nenhuma razão legal para que essas empresas não devam [pagar a tal taxa]”.

GTA V trailerEntão ok, e aí?

O problema com declarações ambíguas é que elas servem pros dois lados (NO SHIT SHERLOCK). Enquanto eu vejo Joe Biden desconversando, dando um migué e deixando a ideia morrer, algum congressista americano ou partidário da sugestão pode ver como um incentivo.

Se algum dia essa medida for proposta no Congresso e no Senado Americano e for aprovada, isso seria bom ou ruim para os gamers? Como tudo na vida, a resposta pra isso é que depende.

Por um lado, sempre que uma empresa é taxada por alguma coisa, é sabido que ela não pagará o tal imposto. Quem paga imposto é a população, porque as empresas aumentam os preços. Nós, brasileiros, sabemos qual o gosto de impostos nos nossos games e outros produtos do tipo.

Uma “taxa da violência” em produtos como games e filmes pode ter um efeito financeiro não muito agradável ao consumidor: ingressos de cinema mais caros, Blu-rays e DVDs mais caros e games mais caros. Isso se a taxa for apenas no valor da venda e não em algum outro tipo de “punição”.

Já pelo lado positivo, um imposto em cima de jogos violentos pode gerar um efeito até que benéfico para a indústria. Claro que gigantes como Activision, EA e Ubisoft continuarão produzindo os seus Call of Duty, Battlefield e Assassin’s Creed anuais, mas empresas menores talvez não possam bancar o aumento de preço de games violentos – e consequência diminuição de vendas e, talvez, quem sabe exista a hipótese dessas empresas menores focarem em novos tipos de jogos ao invés dos tradicionais FPSs ou shooters em terceira pessoa.

Tomb Raider BoxArtFalou pra caramba e agora eu fiquei confuso: o que tá rolando afinal?

Oficialmente, nada. Não há (por enquanto) uma proposta para o Senado/Congresso Americano discutir a possibilidade de taxar games/filmes violentos. E, caso essa proposta seja feita, a discussão deverá demorar para acontecer – o Senado do país ainda precisa lidar com a questão da Imigração que está na pauta atualmente e depois voltar a falar sobre o controle da posse de armas.

Porém, a declaração ambígua de Joe Biden pode sim servir como incentivo para que essa proposta deixe de ser uma sugestão de um Silas Malafaia alfabetizado em inglês e passe a ser uma proposta oficial na política do país. Caso isso aconteça e a proposta seja aprovada, é muito provável que os preços de filmes/games aumentem no país – e esses preços podem ser repassados para distribuição internacional (ou seja – há a possibilidade de isso doer no seu bolso).

Pior é a capacidade de influência que os EUA possuem. Uma proposta dessas sendo aprovada lá, pode influenciar que algo parecido seja gerado por aqui. Lembram do caso da SOPA e PIPA? A ideia deles podia gerar precedente para algo parecido ser feito no Brasil e foi por isso que o caso ganhou publicidade por aqui.

Por enquanto, não há muito com o que se preocupar – talvez exceto a falta de pulso do governo americano de frear essas ideias quando elas ainda são ideias. Se o cenário mudar, aí é hora para ficar cabreiro.


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