Nintendo: “Medida contra jogos usados? Faça jogos melhores!”

Leandro de Barros

  sexta-feira, 14 de junho de 2013

Nintendo: “Medida contra jogos usados? Faça jogos melhores!”

Reggie Fils-Aime, presidente da Nintendo of America, e Shigeru Miyamoto, criador de Mario e Zelda, dão sua opinião sobre o mercado de jogos usados

Jogos usados acabaram sendo um dos focos de discussões durante essa E3 2013 – discussões essas polarizadas entre o Xbox One (que terá trava contra esse tipo de games) e o PS4 (que não terá).

Basicamente, uma pequena explicação para contextualizar o debate: o Xbox One exige que os seus games sejam instalados e ativados dentro do console antes de funcionar (o que também serve como trava por região por enquanto). Como esses games são instalados em um console específico e ligados à uma conta da Xbox Live, vender o game ou emprestá-lo à um amigo se torna um processo complicado, já que o game fica “travado” ao console que o instalou. Para vender um game, o jogador terá de ir à lojas parceiras da Microsoft, por exemplo. Já no PS4, essa medida não existe – mesmo a Sony deixando à cargo das desenvolvedoras a possibilidade de colocar ou não alguma trava contra o modo online de jogos usados.

Dito isto, falta a opinião da terceira produtora de consoles nesse papo. O que a Nintendo pensa de tudo isso? Dois dos principais nomes da empresa deram a sua opinião sobre o assunto: Shigeru Miyamoto, o gênio por trás do Mario, Zelda e outras franquias da empresa; e Reggie Fils-Aime, presidente da Nintendo of America.

Eis o que os dois falaram:

ReggieIsso tem mais impacto em games anuais e também em jogos que talvez são mais genéricos do que impacta o conteúdo da Nintendo. Por quê? Porque o fator replay do nosso conteúdo é muito forte. O consumidor quer continuar jogando Mario Kart. O consumidor quer continuar jogando New Super Mario Bros. Eles querem continuar jogando Pikmin. Por isso nós vemos que a frequência de conteúdo da Nintendo sendo trocado é muito menor que o da média da indústria – muito, muito menor. Por isso, nós fomos capazes de recuar e dizer que não tomaremos nenhuma medida tecnológica que tenha impacto nesse mercado e estamos confiantes que se desenvolvermos grandes jogos, então o consumidor não irá tocar nossos games“.

shigeru miyamotoO que é realmente importante é ver a Nintendo quase como uma empresa de brinquedos, onde produzimos essas coisas para as pessoas brincarem. Como um consumidor, você quer ser capaz de manter esses itens por um longo tempo e ter essas lembranças da sua juventude para que você possa voltar e experienciá-las de novo. Eu realmente quero manter essa natureza dos games que criamos para que as pessoas possam fazer esse tipo de coisa [voltar a jogar] e ter essa experiência. Pra mim, isso é algo muito importante sobre o entretenimento“.

Acho que o que realmente traduz a opinião da Nintendo sobre esse assunto é que a maioria das empresas que desenvolvem games atualmente enxergam seus produtos, marcas e franquias como algo descartável – não é a toa que temos um Assassin’s Creed e outras franquias do tipo por ano. Se as produtoras acham que um ano é o suficiente para já produzir um novo título da série e substituir o anterior, então por que os consumidores vão manter esses jogos por mais tempo? Se as empresas tratam suas séries e produções como algo tão descartável, é inevitável que o público vá tomar a mesma atitude.

Ainda para completar o debate, Reggie Fils-Aime deu uma outra declaração interessante sobre o assunto. De acordo com o executivo, “nós ainda veremos o que vai acontecer com as distribuidoras, mas eu tenho a impressão que todas as maiores distribuidoras não se importam muito com jogos usados“. Essa declaração vai de encontro com o que a EA Games disse recentemente, afirmando que nunca pediu para nenhuma desenvolvedora de consoles colocar trava anti-games usados em seus novos video-games.

via Eurogamer e Polygon


Já está nos seguindo no Twitter e no Facebook? Vem trocar uma idéia com a gente também no Botecão do Jack, nosso grupo no Facebook. Se quiser algo mais portátil, corre pro Telegram.

Comentários