Filhos pedem pelo novo Call of Duty e pai leva-os para uma zona de guerra

Leandro de Barros

  quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Filhos pedem pelo novo Call of Duty e pai leva-os para uma zona de guerra

"Eu queria mostrar os efeitos negativos da guerra depois que as armas e os canhões se silenciam", explica o pai

Era uma noite comum na casa do jornalista e professor universitário sueco Carl-Magnus Helgegren. Durante o jantar, o jornalista conversava com seus dois filhos: Leo, de 11 anos, e Frank, de 1o. A dupla da pesada pediu ao pai que comprasse o novo game da série Call of Duty, da Activision. Preocupado com as influências que o game poderia ter nas crianças (vale lembrar que o game não é recomendado para jogadores tão jovens), Carl-Magnus Helgegren fez uma aposta com os pivetes: se eles fossem com ele conhecer uma zona de guerra, eles poderiam ter o game que quissessem quando voltassem.

Como já dizia o sábio Capitão Nascimento, missão dada é missão cumprida. O jornalista, seus dois filhos e a mãe das crianças embarcaram numa viagem para um acampamento de refugiados em Shuafat, perto de Jerusalem. Apesar de ser tecnicamente um território israelense, o lugar onde o acampamento está instalado fica do lado de fora do Muro da Cisjordânia – o que significa que os serviços fornecidos por Israel na região são precários, porém autoridades palestinas são proibidas de operar ali e desenvolver sistemas de água e outros recursos de primeira necessidade.

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As crianças também conversaram com médicos na clínica instalada no acampamento, onde ouviram histórias sobre jovens da mesma idade que acabaram numa cadeira de rodas depois de serem feridos na coluna durante conflitos na região.

Depois de Israel, a família ainda foi para Majdal Shams, uma cidade da Síria dominada por Israel e que possi mais de 2000 campos minados. Lá, os jovens conversaram com pessoas que cresceram durante a Ocupação Israelita no lugar, que dura até hoje.

Na volta à Suécia, os jovens já não quiseram mais jogar Call of Duty ou outros games de guerra, além de demonstrarem muito mais empatia em relação à imigrantes e refugiados na Suécia. Um deles queria até voltar para o acampamento de refugiados com sua arma de ar para proteger as crianças de lá, mas foi obviamente parado pelo pai: “Eu disse ‘Você realmente tem de pensar sobre isso porque a razão que aquelas pessoas estão naquela situação é porque alguém levou uma arma pra lá, então levar outra arma não vai solucionar o problema‘”.

Desde que voltou para a Suécia e começou a escrever sobre a experiência, Carl-Magnus Helgegren tem ouvido várias reclamações de outros pais sobre seus métodos educativos, embora ele se defenda dizendo que a viagem foi bem antes da intensificação da ofensiva de Israel na Palestina nas últimas semanas, o lugar onde eles visitaram não estava em conflito na época e que a viagem também incluía passeios turísticos na região, como a visita a um zoológico: “Se houvesse guerra por lá, eu não teria ido. As pessoas nunca estiveram lá e pensam que as pessoas atiram o tempo todo em todos os lugares. Não é o caso, você poderia ser uma senhora de 90 anos e ir lá pelas paisagens e não seria perigoso“.

O jornalista explica melhor a sua intenção com a viagem:

Eu ouço vários pais dizerem ‘Meus filhos estão jogando esses games e eu não sei como tirá-los do quarto’. Na próxima vez que eu ouvir alguém dizer isso, eu responderei ‘Assuma a responsabilidade pelo que os seus filhos jogam e ou impeça-os ou compre uma passagem e leve-os para algum lugar e mostre a guerra para eles’. Ou então compre um livro e os eduque.

Eu acho que a gente deve isso aos nossos filhos. Se nós os mantivermos ignorantes, não poderemos dizer que nós realmente acreditamos que o mundo vai mudar. Se eles não sabem, como podem assumir uma postura para fazer essa mudança?

Eu queria mostrar os efeitos negativos da guerra depois que as armas e os canhões se silenciam.

via Daily Mail


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