Crítica Velozes & Furiosos 6

O sexto filme da franquia e o quarto sob o comando de Justin Lin repete o que garantiu o sucesso da série e joga pelo seguro.

Eder Augusto de Barros
edaummm

  quinta-feira, 23 de maio de 2013

Há quem diga que um é pouco, dois é bom, mas três é demais. Eu discordo, três bem feitos é a medida certa. Mas e cinco? Seis? Sete?!

Fast And Furious 6

Desde que o assalto no Rio de Toretto (Vin Diesel) e Brian (Paul Walker), o grupo ficou com US$ 100 milhões e se espalharam pelo mundo. Estar sempre em fuga e não poder voltar para casa, porém, deixa suas vidas incompletas.

Enquanto isso, o agente Hobbs (The Rock) tem perseguido por 12 países uma organização de mercenários pilotos letalmente habilidosos, cujo mentor (Luke Evans) é ajudado por uma impiedosa aliada, Letty (Michelle Rodriguez), amor que Toretto julgava morta. A única maneira de impedi-los é vencer esse bando nas ruas, então Hobbs pede que Toretto leve sua equipe para Londres. Em troca, promete o perdão que permitiria que todos retornassem para casa.

Justin Lin assumiu à franquia no terceiro filme Velozes & Furiosos – Desafio em Tóquio junto com o roteirista Chris Morgan, e eles fizeram o trabalho de tentar amarrar uma história para não ser apenas um filme de ação sobre carros. Se funcionou? Não muito, continuam sendo apenas filmes de ação sobre carros. Justin Lin deixa à franquia, Velozes e Furiosos 6 é seu último filme no comando.

Esse sexto filme parece, guardado às devidas proporções, uma replicação de Velozes & Furiosos 5 – Operação Rio. Toretto tem reúne seu time de super-pilotos para realizar uma operação de risco. Desta vez não é um roubo e sim uma recuperação para o governo em troca de perdão, e também em troca da chance de encontrar com Letty novamente depois de descobrir que ela está viva.

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Existe uma certa onda no cinema atualmente que carinhosamente apelidamos de “darknightização“, ou seja, tentar tornar os filmes o mais plausível possível. Até um tal de James Bond se rendeu à tendência em Skyfall, que diga-se de passagem é um puta filme. O que noto em Velozes & Furiosos é um grande conflito de interesses. Por um lado colocam Roman (Tyrese Gibson) para te lembrar três vezes que eles não estão no Rio, que aquilo não é brincadeira, que estão na sombria e fria Londres e o assunto é sério, e nas palavras dos personagens, não estão mais lidando com ladrõezinhos e traficantes de drogas. Pelo outro lado o filme não se leva à sério em nenhum momento.

O filme brinca de quebrar as leis da física em vários momentos, dá “super-poderes” para os personagens e exagera na ação. Mas nós já sabemos disso, afinal é o sexto filme, nada mudou, você já entra no cinema sabendo que vai ver esse tipo de coisa, e veja bem, não estou dizendo que você deve gostar ou desgostar. Se os outros filmes te divertiram, este também vai. Porém se você está na espera de uma mudança de postura, esquece, não será hoje.

Eu acho que um bom filme de ação não é só fazer cenas que são plasticamente lindas. Cinema é feito de provocar emoções no espectador, então se você assiste um filme onde 90% do filme são sequências de ação non-stop, é impossível manter a adrenalina. Ou seja, em certo momento o filme se torna chato, mesmo que bonito. Um exemplo de filme de ação que sabe provocar no espectador a adrenalina é Busca Implacável com o glorioso Liam Neeson de 2009. O filme não tem assim tantas sequências de ação, mas ele te segura na tensão para no momento certo jogar um boa sequência de ação na tela e fazer subir a adrenalina. Um dos problemas de Velozes & Furiosos 6 é justamente isso, o filme é 80% sequências de ação e com isso não provoca a sensação que o espectador precisa. Faltou a dosagem. Em certo momento, o filme até tenta brincar de fazer plot twist, mas era melhor que não tivesse tentado.

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Mas é aquela máxima, você já vai sabendo o que esperar, e você vai encontrar exatamente o que procura: um roteiro que não se importa muito com o sentido das coisas, um filme que quer apenas te dar ótimas sequências de ação visual, e velocidade. Como um adicional do sexto filme, muita porrada mano-a-mano, duas belas lutas femininas entre Gina Carano e Michelle Rodriguez, e uma pista de decolagem com no mínimo 60km de comprimento e uma equipe de pessoas com capacidades além do normal.

Nem vou falar dos atores, é o mesmo de outros cinco filmes, você já conhece todo mundo. A adição do vilão é muito indiferente, o Shaw vivido por Luke Evans é uma cara normal, não tem nenhuma característica que o destaque como uma cara verdadeiramente mal, ele apenas tem uma boa equipe, e dirige. Nós até temos a impressão de que ele é uma cara que move rios e montanhas de tanto que os outros personagens comentam a fama de Shaw, mas quando ele aparece não conseguimos pegar do personagem ou do ator essa fama toda, ele realmente só parece uma cara normal. Vale só a pena lembrar que tem cena pós-créditos e que isso pode dar um rumo um pouco mais interessante à franquia e algo com que Toretto e sua “família” tenham que se preocupar de verdade.

Mais do mesmo, e se você gosta, mais nunca é demais. O filme tem no elenco Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson, Michelle Rodriguez, Luke Evans, Tyrese Gibson, Ludacris, Gal Gadot, Sung KangJordana Brewster e Gina Carano. Direção de Justin Lin. A estreia é no dia 25 de maio.


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