Crítica Sem Dor, Sem Ganho

Absurdo, inacreditável e baseado em fatos reais. Obviamente tem a "contribuição" de Michael Bay.

Eder Augusto de Barros
edaummm

  sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Então vamos falar de Sem Dor, Sem Ganho, ou também conhecido como “projeto dos sonhos” do Michael Bay. O diretor só conseguiu financiamento para este filme depois do sucesso de Transformers 3 e por ter concordado em dirigir também o quarto filme da franquia robótica.

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O longa conta a história de Daniel Lugo (Mark Wahlberg) um fisiculturista que acredita no “fitness” e persegue a todo custo o sonho americano, ter dinheiro para fazer o que quiser e quando quiser. Para conseguir isso ele se use ao amigo Adrian Doorbal (Anthony Mackie) e ao ex-presidiário Paul Doyle (The Rock). O trio traça o objetivo de sequestrar um milionário criminoso local, Victor Kershaw (Tony Shalhoub), mas infelizmente a falta de experiência dos recém-iniciados no mundo do crime faz com que as consequências de um sequestro se tornem uma bola de neve para os sonhadores.

Depois de assistir o filme nós entendemos a obsessão de Michael Bay pela história e o porquê dele insistir em levar isso para o cinema. Os acontecimentos são completamente absurdos, é difícil acreditar que aquilo realmente aconteceu, mesmo com o aviso de “baseado em fatos reais”. É impossível não rir da estupidez mesmo quando originalmente o filme não deveria ser uma comédia, ou até que consideremos Sem Dor, Sem Ganho como comédia, as situação não são executadas de maneira cartunesca e engraçada, são executadas com seriedade, mesmo sendo o cúmulo da estupidez. Isso pode ser considerado um bom diferencial para o longa.

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Se isso é uma vantagem, entra o glorioso e adorado diretor Michael Bay na roda, e ele resolve colocar suas traquinagens no filme, suas piadas infames, seu humor característico com cenas “cenas engraçadíssimas” e tudo que torna um filme do Michael Bay um sucesso entre garotos de 13 anos com neurônios à menos. Esse é o ponto baixo do filme, a história verídica (!) já era absurda e engraçada o suficiente, não precisava absolutamente nada. Essas adições não contribuíram e em certos momentos fazem você desacreditar no resto, encarar aquilo como ficção. O problema de encarar como ficção é que com esse ponto de vista o filme se torna idiota. Tira um pouco a crença no resto, perde o charme do “baseado em fatos reais”.

Você deve estar querendo saber se o filme tem explosões, certo? Não, quase nenhuma, por mais incrível que isso possa parecer. Acho que é do baixo orçamento. O longa “só” custou 26 milhões de dólares. Mas tirando isso, tem tudo que o nosso amado diretor gosta de colocar em seus filmes. Eu acho Sem Dor, Sem Ganho, visualmente, muito parecido com a franquia Bad Boys, onde os dois filmes são dirigidos por Bay.

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Atuações são interessantes nesse filme. Já estou batendo na tecla do “absurdo” desde o inicio, e já disse que é impossível não rir, e conseguir fazer isso, sem parecer caricato, ou melhor, parecendo convicto e sério, é difícil. Mark Wahlberg é o que consegue fazer isso melhor, apesar de eu ter gostado mais da presença de The Rock no filme. O personagem do grandalhão tem mais motivos para ser alvo das risadas, e o lutador até que consegue se sair bem dentro do contexto.

Devo dizer que a insistência de Bay em querer nos contar essa história é realmente interessante, um absurdo como esse acontecimento tem de ser repassado. É aquele tipo de histórias que você conta para entreter os amigos num churrasco, encare o filme dessa maneira e você sairá satisfeito do cinema. Só não tente fazer um churrasco dentro do cinema. E cuidado com a carne que vai usar.


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