Crítica Quarteto Fantástico

Desequilíbrio transforma o novo Quarteto Fantástico em um filme apenas razoável

Eder Augusto de Barros
edaummm

  sexta-feira, 07 de agosto de 2015

Vai ter SPOILERS, mas não importa muito no fim das contas.

Quando Josh Trank foi anunciado como diretor do Quarteto Fantástico é claro que uma ponta de esperança surgiu em todos os fãs de quadrinhos. Não por Trank ser um nome idolatrado por eles como é Joss Whedon. Não por ser um diretor renomado num filme de super-heróis como Christopher Nolan. Josh não está nem para um lado e nem para o outro, aliás, é bem dificil saber para que lado está o jovem diretor quando ele tem em seu currículo o ótimo Poder Sem Limites, um filme de pessoas com super-poderes que não tem relação nenhuma com personagens de histórias em quadrinhos e que garantiu as esperanças dos fãs do Quarteto Fantástico, e agora, completa seu pequeno currículo, com o desastroso reboot do mesmo Quarteto Fantástico. Do céu ao inferno em 12 meses.

Uma coisa é certa, o rapaz ainda é novo nesse mar de tubarões que é Hollywood e acabou sendo engolido por um grande estúdio, massacrado pela crítica especializada, e perdeu sua grande chance de despontar ainda mais dirigindo um filme da franquia Star Wars. O motivo, nunca vamos saber ao certo. Ele pode ter sido muito ousado em sua idéia para o Quarteto, muito “boca-dura” quando bateu de frente com os chefões da 20th Century Fox para defender seu conceito, e muito infantil ao cagar seu próprio filme como uma birra por um suposto boicote. A verdade, só eles sabem.

photo-3

O reboot é mais uma história de origem, pela terceira vez se considerarmos o filme de 1994. Novamente vamos ver como Reed, Ben, Johnny e Sue ganharam seus poderes, assim como o vilão Victor Doom. Nada de muito novo. Agora os quatro vão se unir, contra as adversidades, para impedir que o unidimensional vilão Dr. Destino destrua a Terra.

Acho que o grande problema desse novo Quarteto Fantástico foi de prender a fórmulas e guias para fazer o seu filme. Usando a mais básica das métricas vamos dividir o filme em 3 atos. O primeiro ato é ótimo. Reed Richards e Ben Grimm no passado, o começo da amizade dos dois, eles já adultos e evolução do Sr. Fantástico como cientista e o convite do Dr. Franklin Storm para que ele vá estudar no Instituto Braxter. Partir dai vamos conhecer os outros personagens, começando pelos irmãos Johnny e Sue Storm e então o vilão Victor Von Doom, que automaticamente já transforma Reed em um rival, por toda e qualquer razão, desde o fato dele conseguir completar o projeto de enviar matéria para outra dimensão até o fato de Sue dar mais atenção à Richards do que ele. Apesar da escorregada na personalidade do vilão é um primeiro ato bom. No segundo ato vamos então acompanhar a ida dos jovem a Zona Negativa, o ganho dos poderes, os problemas para controlá-los, os desajustes que eles causam, enfim, os problemas em ser uma pessoa com super-poderes e ainda continua sendo razoavelmente interessante apesar de bastante enrolado e cansativo, até que chegamos no ato final com a ameaça do super vilão que não sabe bem o que quer a não ser discutir quem é mais inteligente, ele ou Reed Richards, para isso o Dr. Destino resolve destruir a Terra para mostrar que é mais inteligente que o Sr. Fantástico e a coisa se tranforma em um filme feito para crianças de 8 anos. Menos, talvez.

photo-5

Quando eu falo das fórmulas e guias é fácil traduzir depois de ver o filme. O ato final é claramente chupinhado do primeiro filme dos Vingadores. Um vilão diretamente ligado a um dos heróis volta a Terra querendo destruí-la para se tornar mais poderoso e se vingar do herói que ele é ligado, para isso ele abre um portal para outra dimensão. Agora os heróis vão ter que aprender a trabalhar em equipe para derrotá-lo. Porém não faz grande sentido aprender a trabalhar em equipe no ato final quando eles já trabalharam em equipe no primeiro e segundo atos do filme. São esses erros absurdos que tornam o novo Quarteto Fantástico um filme bastante desequilibrado. O embate final contra o Dr. Destino é tão ruim que parece ter saído de um desenho animado bem antigo. Até ali as formulas e guias então escancaradas e só não as vê quem não quer. O Dr. Destino então consegue neutralizar um a um. Reed então consegue, de uma hora pra outra, controlar seus poderes e a neutralização dele não funciona mais, ele ajuda os outros, linhas fantásticas como “Ele é mais forte que cada um de nós, mas não é mais forte que nós todos juntos” são ditas e a equipe trabalhando junta derrota enfim o Doutor Destino.

Muita coisa vista nos trailers não estão no filme. Os cartazes mostram sempre uma Nova York destruída ao fundo que também não está no filme. O que fica claro é que o estúdio mexeu na idéia inicial de Trank, seja ela boa ou ruim, e inseriu momentos mais clichês, mais quadrinescos. Claramente não funcionou e mesmo com bom começo do filme, bons atores, a conclusão estraga tudo que foi anteriormente feito. O diretor já correu para twitter tentando se defender, dizendo que há um ano atrás ele tinha uma versão melhor do filme mas que provavelmente nunca veremos essa versão, e pouco depois se arrependeu do que disse e apagou o que disse, mas a internet não perdoa.

tweet-josh-trank

O acerto desse Quarteto Fantásticos está nos atores, é o ponto mais alto do filme por assim dizer. Michael B. Jordan provavelmente será injustiçado mais um pouco pela sua cor e o fato do filme não ter saído como era esperado pelos fãs mas ele foi um ótimo Johnny Storm. Kate Mara e Jamie Bell estiverem bem e Miles Teller mais uma vez entrega uma ótima atuação mas nem isso salva o seu Quarteto. Toby Kebbell que é um dos meu atores favoritos e mais promissores dessa nova geração infelizmente teve nas mãos um personagem muito mal escrito e não condiz nada com outras atuações dele como em Planeta dos Macacos: O Confronto ou Rock’n’Rolla.

the-fantastic-four-553923bf3122dPela internet a fora estão as mais diversas opiniões sobre o filme, desde boas até as mais crueis das reviews. Muita gente dizendo ser o pior filme de super-heróis já feito o que é uma mentira grotesca e as pessoas que dizem isso claramente tem a memória curta. Não é. Não é nem pior que os filmes anteriores da equipe. Não é pior que os Batmans do famigerado Joel Schumacher. Não é pior que Elektra, Demolidor, Mulher-Gato, Lanterna Verde. Talvez não seja pior nem que o primeiro Thor. Se eu fosse escolher uma palavra para definir esse Quarteto Fantástico certamente a palavra não seria “ruim”, seria “decepcionante”. Esperávamos muito mais de todos os envolvidos e recebemos menos que nossas expectativas. Infelizmente.

Esse é o Quarteto Fantástico, um filme que começa bem, cadenciado, com boas idéias e deixa se perder no meio de fórmulas e guias impostas. Um filme desequilibrado e que vai ficar marcado mais pelos problemas fora da telona que parecem ter influenciado muito o resultado final.

Desequilíbrio transforma o novo Quarteto Fantástico em um filme apenas razoável

Fantastic Four
EUA – 2015
Ação – Sci-Fi
100 min.

Orçamento: $122.000.000

Direção: Josh Trank

Roteiro: Simon Kinberg, Jeremy Slater, Josh Trank

Elenco: Miles Teller, Michael B. Jordan, Kate Mara, Jamie Bell, Toby Kebbell, Reg E. Cathey, Tim Blake Nelson

Comentários