Crítica Planeta dos Macacos: O Confronto

Sem erros, Planeta dos Macacos: O Confronto é a sequência que qualquer franquia poderia pedir

Eder Augusto de Barros
edaummm

  quarta-feira, 23 de julho de 2014

Em  2011, Rupert Wyatt teve a difícil missão de tentar revitalizar a franquia Planeta do Macacos, que havia sido destroçada em dez anos antes com não-tão-saudoso filme dirigido por Tim Burton. Wyatt cumpriu sua tarefa e Planeta dos Macacos – A Origem foi uma das surpresas daquele ano, um filme inteligente, emotivo, crível e extremamente bonito. Agora Matt Reeves tem o bastão e não se contentou em apenas manter o nível, Reeves mirou mais longe e acertou ao nos entregar um filme bem melhor que o anterior e ainda armar a sequência que já tem seu nome confirmado para dirigir. A dupla Rick Jaffa e Amanda Silver (do primeiro filme) se junta à Mark Bomback para entregar um roteiro ainda mais inteligente que o primeiro, abordando mais temáticas e com excelentes diálogos.

Dez anos após a conquista da liberdade, César (Andy Serkis) e os demais macacos vivem em paz na floresta próxima a San Francisco. Lá eles desenvolveram uma comunidade própria, baseada no apoio mútuo, para que possam se manter. Enquanto isso, os humanos enfrentam uma das maiores epidemias de todos os tempos, causada por um vírus criado em laboratório, chamado gripe símia. A tensão entre macacos e humanos aumenta drasticamente quando humanos do grupo liderado por Dreyfus (Gary Oldman) e Malcolm (Jason Clarke) são capturados por alguns macacos do grupo de César.

Malcolm e César

Matt Reeves conduz um filme que é uma transição, que veio para aumentar a mitologia dessa “nova” franquia e armar um terceiro (e possivelmente, quarto) filme de proporções épicas. Mesmo sendo uma transição, a fita não se prende muito ao seu antecessor, sendo César o único fator de ligação entre as tramas e também o fator que conecta o público à nova história. Outra medida acertada de Reeves é resolver todas as mini-tramas dentro do próprio filme e deixar apenas a maior ponta solta, aquela que vai conectar o terceiro filme, isso torna o filme muito mais prazeroso de se ver e com sensação de conclusão, mesmo que haja o desejo de saber o que acontece no futuro (que não precisa ser logo no momento seguinte).

Planeta dos Macacos: O Confronto é um filme que fala de devoção, de vingança, política, carácter e até mesmo amor, tudo a seu tempo, bem dosado, abordando cada tema de maneira inteligente e coerente. Apesar do filme esboçar uma guerra entre humanos e macacos, os principais personagens do filme são dois macacos, os humanos são apenas a cola para esses símios colocarem para fora toda sua essência. César é um personagem muito inteligente, como já vimos no primeiro filme, com um caráter exemplar e de mente aberta, enquanto Koba (Toby Kebbell) é leal à sua raça, mas irracional e rancoroso. Esses dois macacos são o yin e yang dentro de um grupo que se sente ameaçado por uma outra raça dominante, e esse equilíbrio que os dois fazem é o que dita o destino do filme, e porque não, da franquia.

Koba, muito bem interpretado por Toby Kebbell

Koba, muito bem interpretado por Toby Kebbell

A película em momento algum subestima a inteligencia dos espectadores, as informações são jogadas na tela em sequencias bem montadas e não precisam ser nunca repetidas, a maneira como a história é contada logo nos faz ligar os pontos, entender a história e traçar teorias, o que contribui para tornar o filme eletrizante. Enganados estão os que pensam que o longa é só mais um filme de ação recheado de efeitos digitais, é muito mais que isso. A ação é só a cereja do bolo, e até nisso a dose foi certeira, Reeves não sacrificou tempo algum de informação relevante para encher a tela com tiro, porrada e bomba. E mesmo não sacrificando tempo, a grande cena de batalha entre humanos e macacos é filmada de maneira bem inteligente, apesar de um pouco clichê quando Reeves utiliza de ângulos superiores e inferiores para demonstrar a diferença e ascensão entre as raças. E apesar dessa diferença ser sublinhada em recursos com este, em outros momentos Reeves consegue com sucesso imprimir a discussão principal da franquia, onde na verdade somos todos iguais, macacos e humanos, e o que nos define é o caráter e a nossa experiência de vida.

Por falar em efeitos especiais, está aqui um dos fortes, se não o principal candidato ao Oscar de Efeitos Visuais em 2015.  A criação completamente digital de todos os macacos, protagonistas do filme, é louvável. A captura de movimentos, as expressões e os visuais distintos de cada um dos símios são impecáveis. A fotografia mais escurecida de Michael Seresin só contribui para os efeitos se tornarem ainda mais palpáveis, além do tom azulado conferir a imersão e a densidade que a trama precisa. Como se não bastasse, os cenários do centro de San Francisco tomados por vegetação e a grande cena de batalha presente no longa são muito bem executadas, com visual perfeito. Infelizmente o 3D pouco faz diferença, para não dizer nenhuma. Serve apenas para inflar a receita do longa.

Andy Serkis e Matt Reeves

Andy Serkis e Matt Reeves

Mais uma vez Andy Serkis dá um show na captura de movimentos, a limitação da fala que os macacos possuem parece não intimidar o homem que já foi o King Kong nos cinemas, a expressão facial que Serkis dá para César é impressionante. Apesar de arriscar algumas palavras no filme, a sensação que fica é que não precisava disso, o olhar do macaco era o suficiente. Teremos mais uma vez a discussão e a polêmica em cima de uma possível indicação do ator ao Oscar de Melhor Ator. Outro que consegue através da captura de movimentos entregar um personagem completamente expressivo e coerente com sua personalidade é Toby Kebbell, que vive o símio Koba. Um personagem bastante difícil, que vai com o seu humor do céu ao inferno em questão de segundos, variando de uma macaquice ao olhar sádico. Os humanos do filme são todos seguros de seus papéis. Jason Clarke acaba sendo o que tem mais tempo de tela, o elo entre macacos e humanos e tal como James Franco no primeiro filme, consegue fazer o público se conectar com ele e com o mundo de César. Gary Oldman infelizmente tem pouco tempo de tela, pouca presença na trama, não dá pra sentir do que o personagem é capaz, mesmo assim seguro, tal como os outros do elenco humano.

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Há quem diga que Planeta dos Macacos: O Confronto é a melhor sequência desde O Cavaleiro das Trevas. Não serei eu o causador da polêmica, mas o filme é uma grata surpresa, um dos melhores, se não o melhor blockbuster deste ano. Inteligente, coeso, dinâmico e eletrizante, vale a pena ser conferido na grande tela.

#SomosTodosMacacos

TL;DR

Há quem diga que Planeta dos Macacos: O Confronto é a melhor sequência desde O Cavaleiro das Trevas. Não serei eu o causador da polêmica, mas o filme é uma grata surpresa, um dos melhores, se não o melhor blockbuster deste ano. Inteligente, coeso, dinâmico e eletrizante, vale a pena ser conferido na grande tela. Dawn of the Planet of the Apes Estados Unidos – 2014 Ação | Drama | Sci-Fi 130 min. Direção: Matt Reeves Roteiro: Mark Bomback, Rick Jaffa, Amanda Silver e Pierre Boulle (livro) Elenco: Andy Serkis, Jason Clarke, Gary Oldman, Keri Russel, Toby Kebbell, Kirk Acevedo, Kodi Smit-McPhee e Nick Thurston.
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