Crítica Os Suspeitos

Quando eu pensei que Gravidade estava isolado entre os melhores filmes do ano, sou surpreendido uma semana depois com Os Suspeitos. Vale cada um dos seus 153 minutos.

Eder Augusto de Barros
edaummm

  sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Os Suspeitos (Prisioners) é o quinto longa do canadense Denis Villeneuve e é estrelado por Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal, Viola Davis, Maria Bello, Melissa Leo, Terrence Howard e Paul Dano.

O filme se centra em Keller Dover (Jackman) e sua família. No feriado de Ação de Graças, eles visitam a casa da família de Franklin (Howard) e sem que eles percebam as filhas pequenas dos dois casais acabam desaparecendo. Em desespero, as famílias recorrem a polícia e o detetive Loki (Gyllenhaal) é colocado no caso. Loki é famoso por ter resolvido todos os casos para qual foi designado. Não demora muito para que ele prenda Alex (Paul Dano), mas devido à falta de provas tem que soltar o rapaz 48 horas depois. Porém, Keller não acredita que Alex seja inocente e decide sequestrá-lo para arrancar a verdade à qualquer custo.

o-PRISONERS-facebook

A sinopse de Os Suspeitos é tão complexa e rica em detalhes quanto o filme num geral. Aaron Guzikowski conseguiu criar uma trama detalhista e que é coerente do início ao fim, sem forçar nenhuma situação. As informações vão sendo jogadas na tela com naturalidade e principalmente de uma maneira que você vai se lembrar de todos os detalhes ao longo de 153 minutos de projeção.

O trabalho de direção de Villeneuve é fantástico ao tornar a atmosfera do longa completamente imersiva, onde desde os primeiros minutos você está coletando pistas para tentar também resolver o caso. Desde a primeira cena é possível ter aquele mau presságio de que algo ruim se aproxima. O diretor joga muito bem com as cores mortas e tons pastéis para dar a sensação de desolação e falta de esperança. As pancadas de chuva também nos momentos mais tensos e desesperadores são um ótimo trunfo do diretor. Todos esses pontos contribuindo para o estado de prisão dos personagens que aliás faz muito sentido, já que o título do longa originalmente é Prisioners e o filme faz muita alusão à isso: as meninas foram raptadas e estão aprisionadas em algum lugar, Loki está aprisionado por estar limitado pela falta de provas para resolver o caso, Keller está aprisionado por ter vivido à vida toda sob o lema “esperar pelo melhor e estar preparado para o pior” e agora nada pode fazer para encontrar a filha. A trilha trabalha bem também essa sensação de aprisionamento, principalmente por abusar do silêncio (sim, o silêncio faz parte da trilha sonora) e mesclar algumas batidas tensas de precursão.

Film Review Prisoners

O roteiro do filme ainda certa – contando com a excelente performace de Hugh Jackman – ao mostrar que, mesmo que Keller veja no sequestro de Alex a única solução para o crime ele não tenha prazer em fazer isso. Inclusive algumas das melhores prestações de Jackman são justamente na relutância ou repúdio ao que ele está fazendo, porém, ele segue achando e demonstrando que aquela é a única maneira de encontrar sua filha.

Com já disse acima, eu achei o maior trunfo do longa o fato de criar o espectador aquela busca pelo culpado, e fazer com que você investigue junto com o detetive Loki em tela. O roteiro de Guzikowski é tão bem trabalhado ao deixar ou não evidências em cenas que é até possível você descobrir o culpado antes de Loki ou Keller, mas o mais provável é vocês chegarem a conclusão ao mesmo tempo. Apesar de ser um thriller criminal que busca encontrar duas garotinhas desaparecidas, o longa tem aquele passo à mais na temática, abordando temas interessantes como a visão de Keller em que vale qualquer coisa para proteger à sua família ou encontrar à sua filha, mesmo que isso envolva sequestrar um potencial suspeito. Ou ainda o labirinto em que Loki se encontra e as limitações da lei para investigar ou não certos pontos.

As criticas internacionais exaltam a atuação de Hugh Jackman cravando até a indicação do ator ao Oscar e realmente é desesperador ver a situação do personagem de Jackman. Muito mérito do ator, a transformação de um chefe de família que é encarado pela família como uma fortaleza e se vê desmoronado sem poder fazer nada para encontrar dua filha. Existe uma cena chave para toda essa transformação que é quando ele interroga Alex (Paul Dano) pela primeira vez em que ele consegue ser o pai preparado, passa pelo pai raivoso e chega ao pai impotente, que mais nada pode fazer e ali o seu mundo desaba.

Jake-Gyllenhaal-in-Prisoners

Agora, a não tão comentada atuação de Jake Gyllenhaal também merece todo o destaque possível. O ator conseguiu construir um personagem completamente comprometido com o seu dever e que tal como o personagem de Jackman, se vê numa situação onde pouco pode fazer para resolver o caso e consegue passar para nós que estamos assistindo de que ele pode fazer qualquer coisa que seja necessária para resolver aquilo mesmo que ele não possa agir como Keller que não mede esforços para encontrar a filha. Loki precisa fazer qualquer coisa mas tem a limitação da lei, e Gyllenhaal consegue também colocar esse sentimento de frustração ao esbarrar em mais uma barreira. Sem falar no bendito tique de piscar o olho que estava me irritando de tão natural que parecia e que aumenta ou diminui de acordo com a sensação do personagem e os obstáculos que ele encontra.

O elenco todo está completamente empenhado em contar aquela boa história, se os dois já citados têm mais destaque é porque são os personagens centrais da trama. Viola Davis também consegue nos entregar uma bela cena ao se encontrar com Alex e pedir por ajuda. Terrence Howard que interpreta Franklin, marido da personagem de Viola Davis e pai de uma das meninas desaparecidas tem uma atuação muito parecida com a de Maria Bello que faz a esposa de Keller (Jackman), ambos estão em estado completo de choque e não consegue raciocinar como e quando agir. Maria Bello entrega uma personagem mais perdida e indefesa enquanto o personagem de Howard está com as mãos atadas e demonstra não saber o que fazer nessa situação. Paul Dano está assustador como Alex, é só o que tenho a dizer.

Quando eu pensei que Gravidade estava isolado entre os melhores filmes do ano, sou surpreendido uma semana depois com Os Suspeitos. Vale cada um dos seus 153 minutos.


Comentários