Crítica Operação Sombra: Jack Ryan

A quinta vez de Jack Ryan nos cinemas acaba sendo apenas mais um filme clichê de ação.

Eder Augusto de Barros
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  sexta-feira, 07 de fevereiro de 2014

Em Operação Sombra: Jack Ryan é a quinta vez que o personagem criado pelo saudoso Tom Clancy vai para o cinema. A última vez de Jack nas telonas foi em A Soma de Todos os Medos, dirigido por Phil Alden Robinson e com Morgan Freeman no elenco – naquela ocasião o agente foi vivido por Ben Affleck. Agora nessa nova versão do personagem, Chris Pine vive Jack e Kenneth Branagh dirige, além de viver o vilão do longa.

Esta nova versão nos apresenta um Jack Ryan como um analista financeiro de Wall Street, recrutado por William Harper (Kevin Costner) com o intuito de investigar o terrorismo financeiro de nível global. Quando um acontecimento que ameaça a economia americana é descoberto, Jack tem de se aventurar viajando para a Rússia para confrontar Viktor Cherevin (Kenneth Branagh), um empresário local que se encontra por trás de toda a trama.

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JACK RYAN

O longa tem altos e baixos e é completamente prejudicado por uma montagem sem ritmo e que não empolga. O filme tem três atos bem distintos:  no primeiro vemos a construção de Jack Ryan, desde o momento em que ele decide servir o seu país, os obstáculos no caminho e como ele se torna um analista financeiro que trabalha para a CIA. Esse primeiro ato é muito bem construído, e apesar de um começo bem acelerado, não ficam explicações por dar nem informações por passar, o espectador termina o primeiro ato sabendo quem é Jack Ryan, porque ele é o que é e quais suas motivações.

Até aí, ótimo, o filme tinha uma pegada bem semelhante aos novos filmes considerados “ótimos filmes de ação” como os da Trilogia Bourne ou o primeiro Busca Implacável. Porém vem o segundo ato e, com isso, a trama começa a ser revelada e com isso também começamos a perceber o transtorno bipolar que a película sofre. Ao mesmo tempo que tem uma ideia criativa e diferente que é colocar Jack Ryan como um analista financeiro e usar como ameaça uma forma de terrorismo que visa derrubar a economia americana, o filme também acaba caindo nos mais variados clássicos dos filmes de ação como sequestros, bombas e corrida contra o tempo pela paz mundial. O problema do longa fica nessa dualidade durante a construção de uma trama fraca e limitada pela tentativa de ser criativo dentro dos clichês, tornando o filme arrastado e cansativo até culminar na conclusão do terceiro ato onde o espectador só deseja que o filme termine logo e que Jack salve o mundo mais uma vez..

As atuações do filme também são bem apagadas, Chris Pine parece estar desconfortável no papel e suas melhores cenas são as de luta como por exemplo a cena protagonizada pelo ator contra o grandalhão Embee, vivido pelo ator Nonso Anozie (Game  of Thrones), uma boa coreografia entre os dois, naquela que é a única grande cena de combate físico. Kevin Costner pouco contribui para o longa e entrega um personagem completamente sucinto. Keira Knightley consegue ser tão sem graça quanto Pine, seu companheiro de cena.

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Assim é Operação Sombra: Jack Ryan, boas ideias que caíram numa construção cheia de elementos já saturados e que se perde nos seus altos e baixos. Fica apenas o desejo de que a visão dada ao personagem ainda possa ser reutilizada de uma forma mais ousada e compatível com a visão desenhada para o personagem no primeiro ato

Boa ideia que se perde num mar de clichês

TL;DR

Operação Sombra - Jack Ryan é um filme de ação, protagonizado por um galã, que queria ser do nível Trilogia Bourne ou Busca Implacável e para isso leva a trama para a Europa, mas no fim das contas tudo de resume a desarmar uma bomba e salvar o mundo. Jack Ryan: Shadow Recruit EUA – 2014 Ação - Thriller 105 min. Direção: Kenneth Branagh Roteiro: Adam Cozad, David Koepp e Tom Clancy (personagem). Elenco: Chris Pine, Kevin Costner, Kenneth Branagh e Keira Knightley.
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