Crítica Operação Big Hero

Depois de anos vendo super-heróis realistas em Big Hero eles voltam como coisa de criança. Com trama bonita e simples essa é a melhor ideia da união Disney e Marvel.

Roberta Rampini

  sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Talvez você não soubesse o que esperar de Operação Big Hero, afinal sua história original não era tão conhecida e a proposta de se fazer um filme de super heróis, mas dessa vez como animação para crianças estava longe de nós há anos. Talvez você soubesse que Big Hero carregava consigo o peso de afirmar a nova fase de sucesso da Disney, vindo logo após o arrebatador Frozen,

Porém, talvez a esse ponto você já saiba que a surpresa poderá ser boa, ou melhor, que a surpresa será ótima. Em um cenário massificado de super poderes e homens fantasiados que tentam se mostrar reais, encarar histórias de super-heróis como coisa de criança, colorida mesmo, com trama bonita e simples é a melhor ideia da união Disney e Marvel.

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Operação Big Hero estreiou dia 25 de dezembro, como um belo presente de natal, desses não são uteis como roupas, mas são coloridos e alegram nossas lembranças anos depois, como os brinquedos que nos divertiram por anos.

Sim, estamos considerando que Big Hero tem tudo para se tornar mais um clássico Disney, afinal já tem gente por aí o chamando de “Frozen Para Meninos”. A trama entre irmãos até justifica a comparação entre as histórias, mas não precisamos, e nem temos porque ser sexistas. Big Hero será um clássico porque é para todos, seja qual for a idade, seja qual for o sexo. Tendo você irmãos ou não, afinal, ali e também na v ida real, fraternidade é também sobre amizade.

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Operação Big Hero se passa na bela cidade de San Fransokyo e conta a história do pequeno gênio da robótica Hiro Hamada. Do nome do personagem principal até a combinação gráfica criada para a cidade ambiente, é interessante perceber como a mistura entre o São Francisco e Tókio ali funciona em um só conceito, não é uma sobreposição, é uma fusão.

A ideia nunca foi esquecer a origem da história, o manga Baymax, mas sim trazer isso para a tela uma mistura engraçada e divertida entre a cidade americana e a japonesa, São Francisco é arte e arquitetura vintage, enquanto Tókio é tecnologia e design.

Durante as muitas cenas de plano aberto achar os pontos tradicionais de cada lugar funcionando na mesma paisagem é uma diversão a parte.

Ainda sobre a parte gráfica uma das coisas mais legais de se notar é o uso das cores. Segundo seus produtores eles queriam algo colorido, que refletisse o espírito mais divertido e misturado do projeto.

Para isso os personagens passaram por um redesign, ganhando até novas etnias, como Wasabi, que na versão de 2014 para os cinemas é negro. Baymax, o robô protagonista, por exemplo, tem a armadura em tons de laranja e roxo, uma combinação propositalmente inusitada.

O que vemos hoje são filmes buscando seguir uma paleta de cor bem pensada, para visualmente se tornarem mais bem acabados e definidos. Porém aqui, a ideia era que a bagunça fosse justamente sua identidade, uma explosão de cores e possibilidades.

Big-Hero-6-001Big Hero tem uma história leve. Apesar da trama se basear na perda do irmão mais velho do protagonista todo o resto será explicado e desenvolvido de uma maneira simples, como se espera de um filme infantil. Mas será o belo acabamento e justamente essa simplicidade de temas universais que irá chamar atenção dos mais altinhos também.

Divertido, tocante e fofo o filme pode ser descrito na própria figura de Baymax, um robô fofo (literalmente) criado para cuidar das pessoas e que agora irá vestir uma armadura e salvar a cidade de um novo vilão mascarado. Baymax merece ser um dos personagens principais entre os humanos da equipe, cada detalhe, até seu andar, foi pensado para tirar suspiros da platéia. É impossível não se deixar levar pela personalidade do robôzão. Da mesma forma que não é raro rir ao mesmo tempo que os olhos se enchem de lágrimas durante o filme.

Baymax funciona tão bem que acaba fazendo com que os outros amigos fiquem um pouco de lado. O robô tem a capacidade de se aproximar mais do público do que a engraçada e diversificada nova super equipe, essa mirim, da Marvel. Ainda assim, esses são personagens promissores e dão uma ótima base para que a dupla mais importante brilhe.

Nesse filme, cada decisão de fusão, combinação e interação funciona muito bem, criando mais do que diversos pontos em uma única linguagem, criando sim, um único caminho dentro de uma linguagem múltipla. Essa é definitivamente uma mistura que deu certo em todas as suas intenções.

Big Hero é feito de misturas, e juntar Disney e Marvel foi a melhor delas.

TL;DR

Big Hero tem uma história leve. Apesar da trama se basear na perda do irmão mais velho do protagonista todo o resto será explicado e desenvolvido de uma maneira simples, como se espera de um filme infantil. Mas será o belo acabamento e justamente essa simplicidade de temas universais que irá chamar atenção dos mais altinhos também. Big Hero 6 EUA – 2014 Animação - Ação - Aventura 102 min. Direção: Don Hall, Chris Williams Roteiro: Jordan Roberts, Daniel Gerson, Robert L. Baird Elenco: Ryan Potter, Scott Adsit, Jamie Chung.
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