Crítica Oblivion

Tom Cruise é Jack Haper, um engenheiro que cumpre uma missão na Terra devastada e desabitada.

Eder Augusto de Barros
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  quinta-feira, 11 de abril de 2013

A adaptação da graphic novel não-publicada pela Radical Comics chega aos cinemas nacionais nesta sexta-feira (12) e traz com ela uma vasta coleção de referências e homenagens à vários filmes de ficção científica.

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Tom Cruise é Jack Haper, um engenheiro que cumpre uma missão na Terra pós-guerra. 60 anos atrás nossa Lua foi destruída  e vários desastres naturais abalaram o planeta, e então uma raça alienígena denominada Scavs invadiram nossa casa no que iniciou a guerra. A humanidade venceu, porém utilizou muitas bombas nucleares o que tornou o planeta inabitável. Pós-guerra, nossa raça está sendo transferida pouco à pouco para Titã, uma das luas de Saturno, e Jack está na reta final de sua missão como reparador para depois ser transferido para Titã também.

Esse é o plot inicial da história, e se eu disser qualquer coisa pode estragar a sua surpresa. Joseph Kosinski, um dos autores da graphic novel e também roteirista do longa já declarou que Oblivion [a HQ] é uma grande homenagem aos filmes de ficção científica dos anos 70. Eu concordo, assino embaixo, e digo que no cinema ainda pega coisas de filmes mais recentes também.

Aí você me pergunta: mas isso estraga o desenvolvimento? Isso é ruim para o filme?

A melhor resposta é, depende. Eu confesso ter ficado irritado ao decifrar parcialmente o desfecho do filme no meio. Mas não é obvio, eu estava com a referência na cabeça. Por isso é que depende.

Então você me diz que é plágio?

Não, não é. É inspiração, junção de elementos, referências, homenagem. Uma (esteticamente) bela homenagem.

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A história de Oblivion é de certa forma até surpreendente, principalmente se você não tem tantas referências em sua cabeça.  Mas o roteiro tem falhas, o ritmo do filme também. Tudo começa com um lento acompanhamento da rotina de reparação de Jack, tão lento que quase estamos no meio do filme quando a “história” em si começa a acontecer. Ouvi menção Wall-E ou estou imaginando coisas?

É claro que não dava para iniciar logo no desenvolvimento da história, até porque esse acompanhamento da rotina serve para apresentar à audiência o contexto do nosso planeta, o que aconteceu com ele, porque Jack está ali, o que ele faz, o que são os objetos que ele repara, porque ele precisa ainda estar na Terra praticamente sozinho reparando algo. É tudo necessário, mas o ritmo foi mal dosado.

Tom Cruise nunca foi dos meus atores favoritos. Antes de ver o filme eu esperava por um grande desafio por parte de Cruise ao segurar um filme que tem como base o fato dele estar “quase” sozinho num planeta inteiro deserto. Mas aí que surge o problema. Ele protagoniza poucas cenas realmente sozinho, e só é interessante de o ver na cena que até foi divulgada anteriormente, onde ele está numa cabana jogando basquete ao som de Led Zeppelin. Ainda assim, o resto do elenco só da o suporte à Tom, até mesmo Morgan Freeman e Olga Kurylenko estão ali para completar a cena.

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A ambientação de Oblivion é o que mais chama a atenção. A junção da imensidão em cinzas com a ponta de grandes edifícios e importantes monumentos dão um belo visual pós-apocalíptico, um pouco “diferente” do habitual. O design futurista dos equipamentos terrestres também está bem legal, o “helicóptero” que aparece várias vezes no trailer é muito bem projetado, mesmo que a primeira impressão cause uma certa estranheza. Ponto positivo também para a trilha sonora de Joseph Trapanese (Tron: O Legado) que mistura a grandiosidade com elementos de ficção e sons mecânicos e eletrônicos. A fotografia do vencedor do Oscar de 2013, Claudio Miranda (As Aventuras de Pi) também merece destaque, principalmente pela perfeita sintonia com a trilha, misturando grandes e belos planos com os elementos mecânicos e eletrônicos.

Fechando o pacote, Oblivion é bom. É bonito. É uma homenagem sincera, mas está longe de ser genial. Mas nunca foi a intenção. Vale a pena ser visto no cinema, vale ser principalmente ouvido no cinema. É interessante para os mais fanáticos por ficção o fato de Michael Arndt estar envolvido, e sabemos que ele provavelmente estará envolvido na produção de Star Wars: Episódio VII. E é bonito saber que é uma obra onde o autor escreveu a graphic novel, escreveu o roteiro e dirigiu o filme. É a mais pura ideia que ele teve na tela, isso é interessante de verdade.

O elenco do filme tem Tom Cruise (Jack Reacher), Morgan Freeman (Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge), Olga Kurylenko (Hitman),  Andrea Riseborough (Party Animals), Melissa Leo (O Vencedor), Nikolaj Coster-Waldau (Game of Thrones) e Zoe Bell (Death Proof).


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