Crítica O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos

A épica jornada de Bilbo Bolseiro e dos anões em busca de recuperar a posse da Montanha Solitária atinge sua conclusão repleta de ação - mas com um sabor agridoce no final

Luiz Alexandre Andrade
@luizalexandre82

  sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Depois do longo e exaustivo “A Enrolação Desolação de Smaug”, Peter Jackson nos entrega o capítulo final da trilogia “O Hobbit” em “A Batalha dos Cinco Exércitos” que é o filme mais atípico feito pelo diretor sobre a Terra-Média, pois é o mais curto de todos. Para o bem e/ou para o mal, o filme consegue não apenas concluir várias questões que foram abertas nessa nova história assim como constrói a ponte para “O Senhor dos Anéis”.

Sem perder tempo – afinal de contas o tempo foi perdido no filme anterior – vemos o ataque de Smaug a Cidade do Lago e o momento de redenção de Bard que mesmo sem querer, torna-se o líder do povo agora desamparado. O personagem até que fica mais interessante do que no capítulo anterior, pois Peter Jackson o coloca na frente do desenrolar da trama. Assim como praticamente todos os personagens que apareceram em “Uma Jornada Inesperada” e em “A Desolação de Smaug” surgem em cenas pontuais, como o Conselho Branco enfrentando os Espectros do Anel e Sauron – com direito a Galadriel mostrando o porque todos pagam pau pra ela.

THE HOBBIT: THE BATTLE OF THE FIVE ARMIES

No capítulo final, os anões passam por momentos difíceis com a loucura de Thorin por seu tesouro. Retomar a montanha e toda a riqueza que nela tem não foi suficiente e o Rei Sob a Montanha enlouquece. Desesperado para ter em sua posse a Arken Stone, Thorin antagoniza com seus fiéis companheiros e com o povo da Cidade do Lago. A situação só piora com a chegada do exército dos elfos e com a ameaça do exército dos orcs. Pouco a pouco a tensão vai tomando conta da provável batalha que se aproxima tudo em virtude da ganância dos personagens.

A batalha esperada não deixa a desejar, nisso sabemos que Peter Jackson é competente. O confronto a frente de Erebor nos lembra a Batalha dos Campos do Pelenor de “O Retorno do Rei”. Um atrás do outro, os exércitos chegam aumentando a tensão que logo é tomada pela ação épica que fará qualquer fã de RPG delirar. Destaque para a chegada de Bain, primo de Thorin que traz não apenas o exército de anões assim como momentos cômicos. O conflito envolve os exércitos de elfos, homens, anões, orcs e… águias!

No meio disso tudo temos Legolas sendo Legolas e o confronto final entre Thorin e Azog que está entre as lutas mais emocionantes dos seis filmes dirigidos por Peter Jackson. Esse era um momento que foi construído desde o primeiro filme e a execução foi carregada de tensão e drama que a situação pedia.

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Se por um lado, o desenrolar ligeiro de “A Batalha dos Cinco Exércitos” nos poupa de sequências cansativas, por outro lado compromete o desenvolvimento dos personagens neste momento decisivo. Coube apenas mostrar a loucura que tomou conta de Thorin e o retorno de sua consciência, assim como o “caso amoroso” (meu Deus) entre a elfa Tauriel e o anão Kíli. O filme em nada é original ao tratar da relação entre os dois, apela para clichês, mas deve agradar (mesmo que de forma trágica) quem comprou o amor entre os personagens.

Tragédia é aquilo que se abate sob a Comitiva dos Anões. O confronto final acaba se tornando mortal para muitos personagens. Não que isso fosse uma surpresa, mas sempre é difícil ver determinados personagens dando adeus.

Para mim, a trilogia “O Hobbit” ainda vale muito por Martin Freeman que continua roubando as cenas como Bilbo Bolseiro. Totalmente à vontade no papel, Freeman é um show a parte. Além da espontaneidade cômica que o ator possui, é sempre recompensador vê-lo atuando também com o corpo, como nos momentos em que sempre hesita ou vai de um lado para o outro, a maneira como articula os dedos e o tom conciliatório que assume no filme.

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Durante os três filmes desta nova saga, Peter Jackson foi amarrando momentos chaves com aquilo que vimos na trilogia “O Senhor dos Anéis”.  Em “A Batalha dos Cinco Exércitos” é necessário que a ameaça representada pelo retorno de Sauron seja ao menos diminuída para que Gandalf não se torne o personagem mais filha da mãe de todos, pois ele saberia que Sauron retornou, mas mesmo assim passou 60 ANOS fumando a ervinha dos hobbits fingindo como se tudo estivesse numa boa, mas como Galadriel afugenta o espírito de Sauron para bem longe e Saruman, marotamente, se voluntaria para cuidar da ameaça de Sauron. Porém com toda o costura feita, o ritmo corrido do filme ainda deixa várias questões no ar e um clima de que ainda faltam mais coisas para se falar sobre Sauron e os Espectros do Anel.

Ao final de tudo, acho que uma comparação da trilogia “O Hobbit” como uma jornada é bem válida. Dessa forma, obrigado Peter Jackson por nos levar de volta a Terra-Média, foi uma prazerosa viagem, por mais que alguns momentos a jornada tenha sido longa e cansativa, o final foi no mínimo recompensador. O grande tesouro deste filme não foi terminá-lo com um ponto final, mas sim com um ponto em seguida.

Foi uma viagem cansativa, mas que valeu a pena

TL;DR

Se for visto como uma adaptação de O Hobbit, de J.R.R. Tolkien, a trilogia (e esse filme em si) acaba saindo no prejuízo, se tornando cansativa e grande demais, colapsando em cima do seu próprio peso. Porém, se enxergarmos o projeto como três longas que antecedem O Senhor dos Anéis e devem ser vistos em conjunto, os longas se tornam mais digeríveis e fáceis de entender. Assim, esse último filme representa o terceiro ato da trilogia, repleto de ação e da conclusão dramática dos arcos estabelecidos anteriormente. The Hobbit: The Battle of the Five Armies Nova Zelândia | EUA – 2014 Aventura - Fantasia 144 min. Direção: Peter Jackson Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson e Guillermo del Toro Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Benedict Cumberbatch, Lee Pace, Evangeline Lilly, Luke Evans, Richard Armitage, Cate Blanchett, Orlando Bloom, Manu Bennett, Aidan Turner, Hugo Weaving, Christopher Lee e Stephen Fry.
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