Mesmo Se Nada Der Certo – Crítica

O que a música tem se tornado? Após o descobrimento da possibilidade de armazenar notas musicais, a música mudou. Criaram-se gravadoras, selos, taxas, impostos e preços. Deixou de ser somente livre expressão e passou a ser, então, indústria. Segundo os mais conservadores, o real sentido da música consumida hoje (rádios, clip channels) está perdido. A indústria dita o que você vai ouvir, você ouve e pronto. Será? De acordo com Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again, 2013), essa tese é furada.

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Temos aqui uma grande compositora – ainda no anonimato – chamada Greta (Keira Knightley, graciosa e frágil. Belíssima), que fora chutada pelo cantor em ascensão Dave Khol (Adam Levine). Decidida a voltar para seu país, Greta acompanha seu amigo a um pub de open mic, onde cada um pode levar suas canções. O empresário decadente Dan (Mark Ruffalo), outrora dono de uma grande gravadora, vê em Greta uma grande oportunidade de salvar sua carreira. Unidos pela música, os dois saem em busca da gravação de um álbum de baixo orçamento, sem estúdio, utilizando o som natural das ruas de Nova Iorque.

O diretor John Carney (ex-baixista da irlandesa The Frames), que já havia desenvolvido uma história de amor através da música em Once (República Tcheca, 2006), volta ao tema explorando, dessa vez, o mercado americano. E a diferença de um para o outro é absurda. A começar pela exclusão da forma mais lenta e contemplativa vista corriqueiramente nos filmes europeus. Os americanos regulares, aparentemente, só se divertem através de diálogos diretos. Musicalmente falando, o filme também está adaptado. O POP é o estilo que predomina, com ballads e letras que encantam pela fofice.

Um dos pontos mais importantes aqui é a leve – e nada pedante – crítica a indústria fonográfica. Indústria esta que está acostumada a criar artistas a partir de seus próprios moldes, deixando de lado a autenticidade de uma música escrita e interpretada com emoção. Logo no início do filme, vemos o personagem de Ruffalo jogando uma pequena pilha de CDs pela janela; demos que ele havia recebido e que, segundo o próprio, não continha ‘’coração’’.

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Mais uma vez, um filme se propõe a contar algo que costumamos nos esquecer: o poder de conexão que a Arte (e aqui incluo todas as formas de expressão artística) pode exercer. Quantos de vocês que me leem neste momento não se lembram de um filme visto com alguém especial, e que de alguma forma os marcou? Quantos amigos foram feitos a partir do empréstimo desse ou daquele livro e, consequentemente, do compartilhamento de sentimentos? Pois é.

Além de nos lembrar disso, Mesmo Se Nada Der Certo nos mostra que a música pode salvar. Pode salvar um filme simples de se tornar mais um ‘’água com açúcar’’, pode salvar aquela sua noite triste na balada e pode, inclusive, tornar a espera pelo ônibus do trabalho mais prazerosa. Basta levar os seus fones de ouvido.

A vida é muito melhor com trilha sonora.

 

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