Crítica Mad Max: Estrada da Fúria

O título nacional deveria ser Mad Max: A Estrada da Furiosa

Eder Augusto de Barros
edaummm

  sexta-feira, 15 de maio de 2015

George Miller estava meio entregue aos porcos, digo, pinguins nos últimos anos. O diretor que alcançou fama criando a trilogia Mad Max, que alavancou a carreira de Mel Gibson no icônico papel que até hoje é uma espécie de rótulo para o ator, já havia tentado trazer a franquia de volta no início dos anos 2000, mas o fatídico 11 de Setembro arruinou seus planos que depois passaram a ser uma animação em 3D da franquia, que também não saiu do papel, ainda bem. Um reboot passou pela cabeça de Miller, mas logo a ideia sumiu. Em 2003, George Miller e Mel Gibson estavam conversados para uma sequência, mas as dificuldades para se filmar na Austrália fizeram o ator sair do projeto, e mais uma vez, o revival da franquia esfriou.

Eis que, 30 anos depois de Mad Max: Além da Cúpula do Trovão, George Miller resolveu escrever e dirigir uma nova história para Max Rockatansky, desa vez vivido por Tom Hardy. Uma história acelerada, frenética. Como diz o próprio Max numa narração em off logo no início do longa, o mundo dele é feito de fogo e sangue. É só isso que você precisa saber para grudar na cadeira.

Na fita nos vemos logo de cara Max ser capturado pelos guerreiros de Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), e numa velocidade assustadora ele já está no meio de uma guerra travada contra o mesmo Immortan Joe pela Imperator Furiosa (Charlize Theron), para salvar um grupo de garotas. Max aproveita a chance de escapar estando no meio dessa guerra e acaba ajudando Furiosa em sua jornada.

Eu prefiro acreditar que o Fury Road do subtítulo tenha uma referência direta à personagem de Charlize Theron porque ela domina as duas horas da película. E honestamente eu poderia ver mais duas horas só de Imperator Furiosa dirigindo em alta velocidade no deserto enquanto era perseguida por um enorme carro com alto-falantes e um branquelo esquisito tocando guitarra. Poderia assistir mais quatro horas disso aliás.

FURY ROAD

George Miller dá um show de como se fazer um filme de ação. São 120 minutos intensos, literalmente em alta velocidade. O longa não perde tempo explicando mitologia da franquia, explicando quem é o Max, quem é a Furiosa, o que o Immortan Joe tá fazendo ali, porque ele é tão respeitado, porque as garotas precisam ser salvas. O filme não precisa disso, essa que é a verdade. Quando alguma explicação é dada, é quase no fim do filme, e num momento que já não fazia diferença nenhuma. Em uma cena do filme Furiosa pergunta para Max qual o nome dele, e ele responde que não importa. E realmente não importa. Nada que precise ser explicado ali importa. O que faz a diferença e faz o filme valer o seu ingresso é a ação frenética, o show visual. Mad Max: Estrada da Fúria é a explicação ilustrada do que é um verdadeiro cinema de ação.

FURY ROADUm crítico do The Popcorn Junkie disse que Fury Road é a razão pela qual os filmes foram inventados. E posso dizer que concordo bastante com isso. George Miller passeia por vários gêneros ao longo da projeção: tem suspense, é um road movie, um ficção científica, uma distopia, é uma aventura, claramente um thriller e até uma pitadinha de drama dá pra encontrar no meio dessa imensidão de ação. A cada bloco de perseguição você pensa que não pode ter algo melhor a seguir e tem, é uma constante até o fim. Uma sequência melhora que a outra.

A fotografia ultra saturada de John Seale trabalha muito bem o ritmo do filme, elevando a temperatura nos momentos onde a ação está no ápice, e esfriando, e muito, as curtas pausas para respirar. Outra técnica que está bem afinada com a fotografia é a trilha sonora de Junkie XL, e até mesmo a mixagem de som. O filme é absurdamente barulhento, sonoramente poluído, mas é uma poluição que completa e dá sentido ao ambiente. Os sons criados para aqueles carros, explosões e tiros, são o combustível que movem a película. A trilha sonora bem carregada, usando muitas vezes guitarras distorcidas, dão a Mad Max: Estrada da Fúria um estilo de Ópera. Uma ópera imunda, coberta de óleo e gasolina, ressecada na areia do deserto.

Os rápidos cortes e mudanças de ângulo nas cenas de perseguição também são feitos com precisão, parece que foi quase tudo calculado para não virar uma bagunça de carros se destruído. E a opção de Miller por efeitos práticos e não digitais, na maioria das cenas, contribui para que haja menos erros de continuação. Apesar de ter um ou outro perdidos por ali mas que não fazer a minima diferença.

E é incrível que mesmo em um filme com tão pouco de diálogo e interação entre os personagens seja possível notar grandes evoluções. Talvez não em Max, nem tanto, mas os personagens menores como o Nux de Nicholas Hoult e até mesmo a Furiosa de Charlize Theron, são personagens que evoluem em silencio na maioria das vezes, evoluem com seus atos. E personagens que não precisam falar muito para mostrar o que querem dizer, não precisam expressar as emoções com palavras, isso é mérito dos atores, aqui todos eles, Tom Hardy inclusive. Personagem de pouquíssimas palavras. No começo do filme suas frases eram compostas de uma única palavra, por exemplo, se ele queria água ele dizia apenas “água”, se queria quebrar uma corrente dizia “corrente” e mesmo assim sua expressão passava tanta coisa para fora da tela.

É exagero chamar Mad Max: Estrada da Fúria de obra prima? Honestamente, eu não acho. O calor do momento talvez esteja amplificando as emoções da maioria, inclusive a minha, mas é sim um trabalho primoroso de George Miller. É a redefinição de um filme de ação. Se meu nome fosse Michael Bay, e atualmente eu fosse a “cabeça” de uma franquia multibilionária cujo o tema são carros regados a explosões, eu nunca mais pisaria na mesma rua onde existe um estabelecimento chamado cinema. Eu iria me sentir culpado para toda a eternidade por enganar tantas pessoas assim. Eu provavelmente devolveria o dinheiro delas.

Mad Max: Estrada da Fúria é a explicação ilustrada do que é um filme de ação.

TL;DR

George Miller dá um show de como se fazer um filme de ação. São 120 minutos intensos, literalmente em alta velocidade. O longa não perde tempo explicando mitologia da franquia, explicando quem é o Max, quem é a Furiosa, o que o Immortan Joe tá fazendo ali, porque ele é tão respeitado, porque as garotas precisam ser salvas. O filme não precisa disso, essa que é a verdade. Em uma cena do filme Furiosa pergunta para Max qual o nome dele, e ele responde que não importa. E realmente não importa. Nada que precise ser explicado ali importa. O que faz a diferença e faz o filme valer o seu ingresso é a ação frenética, o show visual. Mad Max: Estrada da Fúria é a explicação ilustrada do que é um verdadeiro cinema de ação. Mad Max: Fury Road Australia/EUA – 2015 Ação - Aventura - Sci-Fi - Thriller 120 min. Direção: George Miller Roteiro: George Miller, Brendan McCarthy e Nico Lathouris Elenco: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne, Josh Helman, Nathan Jones, Zoë Kravitz, Rosie Huntington-Whiteley, Riley Keoungh, Abbey Lee, Courtney Eaton e outros
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