Crítica Kick-Ass 2

Com direção de Jeff Wadlow, filme patina ao não saber organizar seus eventos e se atrapalha quando tenta fazer o mesmo que o antecessor fez

Leandro de Barros

  sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Kick-Ass 2 Crítica

Continuando os eventos do filme dirigido por Matthew Vaughn e lançado nos cinemas em 2010, Kick-Ass 2 chega aos cinemas brasileiros nesse fim de semana apostando na popularidade dos seus personagens no país e na violência gráfica em excesso, que é a marca da série.

Nesse novo filme, acompanhamos o que aconteceu com Kick-Ass (Aaron Taylor-Johnson) e Hit-Girl (Chloë Moretz) após os eventos do primeiro longa. Enquanto ele se “aposentou” e passou a viver com tédio, ela continuou seguindo as ordens do seu falecido pai e manteve seu trabalho como vigilante.

Porém, com a ascensão de cada vez mais heróis, Dave se motiva para voltar à ação também e começa a treinar com Mindy. Nesse meio tempo, o vilanesco Chris D’Amico (Christopher Mintz-Plasse) assume o império do crime do pai e se torna o Motherfucker, o primeiro super-vilão do mundo.

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Kick-Ass 2 não é um filme complicado por si só, não vem de uma fonte difícil e sabe se manter perto do que são as marcas da sua franquia. Ainda assim, é difícil explicar o porquê da verdade óbvia quando a projeção chega ao fim: o primeiro longa foi muito superior.

Seria porque agora já estamos acostumados com o que é Kick-Ass e o primeiro filme se favoreceu do aspecto surpresa? Talvez porque a Hit-Girl agora já é uma mocinha e não tem tanta graça assim vê-la xingando e chutando bundas? Ou então seria o fato da primeira HQ ser muito melhor do que a segunda e isso se refletiu nas respectivas adaptações? É possível que a troca de diretor (Matthew Vaughn dirigiu o primeiro e Jeff Wadlow assina a direção deste novo filme) tenha causado essa queda?

Se esse Kick-Ass 2 tem todos os elementos que fizeram do primeiro filme algo bom, então por que a mistura não funciona dessa vez?

Um dos problemas é o fato desse filme ter de adaptar duas HQs ao invés de uma. Além de Kick-Ass 2, o longa também levou às telas a minissérie Hit-Girl, ambas da dupla Mark Millar e John Romita Jr. Essas duas obras acabam gerando um arco longo e desnecessário com a personagem de Chloë Moretz, que nem leva tempo o suficiente para ser desenvolvido e nem agrega nada à personagem (além de ainda concluir com uma cena de extremo mal-gosto em todos os níveis).

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A adição mal-feita desse arco gera um buraco negro enorme no filme, que suga a Hit-Girl e o Kick-Ass para dentro e, por longos minutos, nós não vemos a dupla fazer nada. Enquanto a Hit-Girl fica completamente reativa (apenas reagindo ao que o roteiro joga pra ela), nós só vemos flashes do Kick-Ass atuando com a Justiça Para Sempre (grupo de heróis que o protagonista participa ao lado do Coronel Estrelas, de Jim Carrey).

Se esse arco não existisse, nós teríamos muito mais tempo para conhecer e se importar com os membros da Justiça Para Sempre, o que aumentaria muito o peso emocional de cenas que acontecem no filme – e que acabaram ficando sem o impacto devido.

Quem se favorece nisso é o vilão Motherfucker, o personagem mais interessante em cena. Extremamente mimado, machista, racista e mesquinho, o vilão de Mintz-Plasse funciona muito bem como antagonista da história e como alvo da raiva do público – mesmo com alguns momentos “engraçados”, quando por exemplo vai assaltar uma loja de limusine e encontra um pobre idoso no local.

Kick-Ass 2 Crítica

As adições de novos personagens ao filme funciona bem (o que, infelizmente, denota apenas a queda de carisma dos dois protagonistas). Tanto o Coronel Estrelas (Carrey) quanto a Mãe Rússia (Olga Kurkulina) são destaques do lado dos mocinhos e dos vilões, enquanto personagens como o Detetive Marcus (Morris Chestnut), o Dr. Gravidade (Donald Faison) e até mesmo a Night Bitch (Lindy Booth) possuem um ou outro momento interessante.

Em termos de cenas de ação, Kick-Ass 2 já mostrou o que tem de melhor nos seus trailers e não sobrou muita coisa para ser vista no cinema, embora a coreografia das lutas está bem interessante, abraçando um pouco o aspecto fantasioso da série.

Aliás, dá para entrar aqui uma segunda reclamação sobre Kick-Ass 2. Enquanto o primeiro filme começava com uma pegada mais pé-no-chão, imaginando o que aconteceria se alguém tentasse ser um super-herói de verdade, para só depois introduzir a Hit-Girl e seu aspecto fantasioso, Kick-Ass 2 faz o caminho contrário: primeiro mostra a parte fantasiosa e depois tenta voltar a pautar a sua trama com uma pegada pé-no-chão (principalmente com a repetição incessante do mantra “Isso não é uma história em quadrinhos, isso é vida real”). O problema é que se um caminho numa via funciona, na outra não rola tão bem.

Kick-Ass 2 Crítica

Para concluir, Kick-Ass 2 não é um mal filme. Mas também não é a diversão que o primeiro foi. Tem algumas coisas interessantes, tem muitas coisas que são ruins mas o seu principal defeito é não funcionar muito bem enquanto filme – só em cenas isoladas.

PS: o filme tem uma cena pós-créditos! :)


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