Crítica Jurassic World

Jurassic World é a continuação que Jurassic Park merecia.

Luiz Alexandre Andrade
@luizalexandre82

  segunda-feira, 15 de junho de 2015

Voltar ao “Parque dos Dinossauros” traz uma sensação de nostalgia para os fãs do primeiro filme da série, Jurassic Park (1993). No novo capítulo dirigido por Collin Trevorrow e produzido por Steven Spielberg, Jurassic World não só atualiza o sonho de um parque habitado por criaturas incríveis, mas também pega os antigos fãs pelas mãos e os levam num projeto preparado para nova geração.

O enredo de Jurassic World é simples e praticamente nada difere do primeiro filme. Um milionário excêntrico, Simon Masrani (Irffan  Khan), resolve levar o sonho de John Hammond a sua real plenitude remodelando o “Jurassic Park” em “Jurassic World”, um parque temático totalmente operacional que recebe a cada ano milhares de pessoas. MAS (esse “mas” é que faz a alegria da audiência) o projeto de um novo dinossauro híbrido foge do controle e coloca em risco a vida de todos no parque.

Mas o que há de interessante nesse Jurassic World que já não tenhamos visto antes nos outros filmes? É nessa questão que o filme cria sua premissa. Existe aí uma metalinguagem do próprio questionamento que se faz sobre o filme e que no filme se faz sobre as atrações do parque. “Blockbusters” são em sua essência filmes grandiosos e divertidos, o “cinema pipoca”. Como uma ida ao parque, você quer ser surpreendido com novas atrações, em Jurassic World surge a ideia de se criar um novo “dinossauro”, um hibrido de várias espécies, o elemento “uau” que te faz voltar ao parque, no caso, ao novo filme.

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Mas como Ian Malcon (Jeff Goldblum) já dizia em Jurassic Park, “a vida encontra um jeito”, a natureza não é previsível principalmente quando esta natureza em questão foi forjada para sair do seu estado natural.

E como é o parque dos dinossauros de Jurassic World? É um sonho realizado, acredito que John Hammond estaria orgulhoso. O novo parque mistura atrações pré-históricas com o mais avançado sistema de interatividade tecnológica. É um espaço de divertimento e conhecimento. Um lugar que com certeza você gostaria de visitar e revisitar.

Os nossos guias nessa história são Zach Mitchell (Nick Robinson) e Gray Mitchell (Ty Simpkins) irmãos e sobrinhos de Claire Dearing (Bryce Dallas Howard) que visitam o parque durante um final de semana. Com eles acompanhamos as principais atrações do parque e acabamos nos divertindo junto com eles.

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Nos bastidores, encontramos Owen Grady (Chris Pratt) que trabalho “adestrando” velociraptors, e Hoskins (Vicent D’Onofrio) que tem em mente outra finalidade prática para os dinos criados em laboratório. Nesse ponto Jurassic World completa Jurassic Park. Lembram-se que no primeiro filme, tudo vai pro buraco quando Dennis Nedry (Wayne Knight) resolve desligar vários pontos do parque para que possa fugir com embriões contrabandeados? Mas Nedry não consegue fugir quando um dilofossauro surge em seu caminho. Uma coisa que sempre me perguntei era: “quem estava querendo aqueles embriões de dinossauro?”; e também: “o que queriam fazer com aqueles embriões roubados?”. A resposta ao que parece está neste novo filme e nos interesses militares de Hoskins. Nesse ponto surge o Dr. Henry Wu (B.D. Wong), o único personagem que esteve em Jurassic Park e que também nos ajuda a entender os interesses da InGen.

Com o intuito de trazer mais pessoas ao parque, surge Indominus Rex, um dinossauro híbrido de várias espécies criado com a promessa de ser a “cereja do bolo” que é “Jurassic World”. Com isso vocês já sabem o que acontecem: o dinossauro escapa e o pânico começa.

O filme possui efeitos especiais competentes apagando a má impressão causada com os dinos digitais de Jurassic Park III. Ver os animais soltos nos pastos ou devidamente confinados cria uma sensação de que de fato estamos ali curtindo as atrações, então quando a ameaça toma conta do filme não é difícil sentir a apreensão e a tensão que os personagens estão sentindo.

Chris Pratt e Bryce Dallas Howard vivem momentos divertidos. Os atores se mostram bem à vontade juntos. Humor também não falta em Jurassic World e o ator Jake Johnson é responsável por boa parte dos alívios cômicos.

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O filme traz cenas de ação de tirar o fôlego como o embate final dos dinossauros que humilha aquela “briga de galo” travada entre o tiranossauro e o espionossauro no terceiro filme da série. Detalhe, o filme poderia ganhar um título de “Jurassic World: Tyrannosaurus Rises”.

Jurassic World é a continuação que Jurassic Park merecia. É a prova de que remakes, revisitações, sequencias ou o que preferir, podem dar certo. O novo não precisa superar o “clássico”, tem que apenas encontrar o seu lugar. O retorno ao mundo dos dinossauros é muito mais do que um retorno a uma fórmula já usada, é a revitalização de uma ideia que mostra seu potencial. E nada melhor do que ouvir o tema de Jurassic Park, composta por John Williams, mais uma vez embalando nossa chega ao “Mundo dos Dinossauros”.

A continuação que Jurassic Park merecia.

TL;DR

Jurassic World é a continuação que Jurassic Park merecia. É a prova de que remakes, revisitações, sequencias ou o que preferir, podem dar certo. O novo não precisa superar o “clássico”, tem que apenas encontrar o seu lugar. O retorno ao mundo dos dinossauros é muito mais do que um retorno a uma fórmula já usada, é a revitalização de uma ideia que mostra seu potencial. E nada melhor do que ouvir o tema de Jurassic Park, composta por John Williams, mais uma vez embalando nossa chega ao “Mundo dos Dinossauros”. Jurassic World EUA/China – 2015 Ação – Aventura – Sci-Fi 124 min. Orçamento: $150.000.000 Direção: Colin Trevorrow Roteiro: Rick Jaffa, Amanda Silver, Colin Trevorrow e Derek Connolly Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Vincent D'Onofrio, Ty Simpkins, Irrfan Khan, Nick Robinson, Jake Johnson, Omar Sy, BD Wong e Judy Greer
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