Crítica Jogos Vorazes - A Esperança

A Arena dá lugar ao jogo político e transforma A Esperança em um ótimo "início de fim"

Roberta Rampini

  domingo, 23 de novembro de 2014

Mais do que a ideia distópica de uma ditadura, mais que uma bela história de amor o meu ponto preferido em Jogos Vorazes sempre foi o uso da publicidade dentro da trama, a maneira como a mídia se transforma no principal ponto do jogo político de uma nação. Dessa vez pudemos ver também do lado de fora dos livros a força que um filme dessa magnitude tem.

Mesmo tendo acompanhado as estréias de Harry Potter no nível mais doentio da coisa, aquela história do bruxinho sempre escolheu se vender praticamente por si só. Jogos Vorazes – A Esperança, sendo o penúltimo filme da saga, também se venderia sozinho, mas inspirados na própria narração escolheram encher literalmente metade das salas de cinema desse país para a maior estreia do mundo.

Entrei na sala sendo algo entre um fã louco e alguém que no fim das contas só quer saber o que vai acontecer. Dessa vez escolhi não ler o livro antes de ir ao cinema, assim teria a surpresa do novo, porém mais tarde ainda poderia conhecer o verdadeiro final de sua fonte original. A sensação de surpresa misturada com a de conhecer o que estava acontecendo foi incrível. Sendo assim, em uma opinião sincera sobre o filme por si só, A Esperança cumpriu o que prometeu desde os primeiros vídeos promocionais prometeram, você vai se sentir parte da rebelião.

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Esse é ainda melhor que seus antecessores. Tem um rítmo muito bom mesmo sendo apenas o primeiro um terço do livro em que foi adaptado, mas não se assuste com a falta das cenas da Arena,  esse filme não é para isso. Preste atenção na trilha, o que fazem nesse ponto é realmente belo, sabendo trabalhar dignamente com os momentos de silêncio, de vozes unidas e de discursos com tons memoráveis.

Os atores cresceram dentro de seus papéis e seguraram muito bem o que os personagens, agora mais intensos do que nunca, pediam deles. Jennifer Lawrence e o Josh Hutcherson são inegavelmente as estrelas. Mesmo com atores de peso como Philip Seymour Hoffman, Juliane Moore e Donald Sutherland ao lado. Ser os protagonistas permite que eles roubem a cena, o que é quase injusto com Liam Hemsworth, que não consegue tornar Gale uma opção a Peeta, por melhor que seja a intenção.

Jennifer mostra para todos nós o porque de ser bem mais que um ídolo teen, Katniss e toda a sua paranoia depressiva permite que ela trabalhe o drama necessário. Josh Hutcherson não fica atrás, agora Peeta é bem mais plural que Katniss, tendo dentro de si milhões de intenções e necessidades diferentes, Josh faz com que cada uma dessas esteja visível na medida certa, sem estragar a grande virada. É difícil falar sobre Peeta sem entrar em spoilers, de certa maneira apenas a presença dele nos trailers já é um spoiler para quem não leu. Por isso, vá e veja, apenas ele valerá seu ingresso.

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Talvez o filme peque levemente tendo três minutos a mais do que deveria, explicando bem no seu fim mais do que precisava. Podia facilmente ter nos deixado assustados e curiosos até o próximo ano tornando a experiência, para quem assim como eu não sabia o que ia acontecer, ainda mais empolgante. Porém, a verdadeira questão é: em um projeto dessa proporção, que a cada ano ganha mais cuidado e mais motivos para ser grande, esse detalhe não consegue nem ao menos ser chamado de erro.

No fim das contas A Esperança é sim o melhor filme da série até agora, mesmo que dessa vez não tenhamos uma explosão de cenas de ação ele transforma a parte política do jogo em algo muito maior e mais claro, algo tão presente nos livros mas até então pouco explorado, o novo foco funciona muito bem para um filme parte um, nos mantem ansiosos para o final.

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O novo foco funciona muito bem para um filme parte um, nos mantem ansiosos para o final

TL;DR

A Esperança é sim o melhor filme da série até agora, mesmo que dessa vez não tenhamos uma explosão de cenas de ação ele transforma a parte política do jogo em algo muito maior e mais claro, algo tão presente nos livros mas até então pouco explorado, o novo foco funciona muito bem para um filme parte um, nos mantem ansiosos para o final. The Hunger Games: Mockingjay EUA , 2014 123 minutos Aventura | Ficção Científica Direção: Francis Lawrence Roteiro: Peter Craig e Danny Strong Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsorth,  Woody Harrelson, Donald Sutherland, Philip Seymour Hoffman, Julianne Moore, Sam Claffin, Elizabeth Banks
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