Crítica Guerra Mundial Z

Um bom entretenimento descompromissado, que consegue em parte te fazer pensar como seria um apocalipse zumbi da sua perspectiva de conhecedor da mitologia.

Eder Augusto de Barros
edaummm

  quarta-feira, 26 de junho de 2013

Antes de qualquer coisa, vamos deixar claro que este texto não vai comparar o filme com o livro, aliás, nem vou colocar o livro na conversa, vamos falar apenas de Guerra Mundial Z como obra cinematográfica.

World-War-Z

Marc Forster (007 – Quantum of Solace) dirige a adaptação cinematográfica do livro homônimo de Max Brooks. O longa é estrelado por Brad Pitt (Clube da Luta) e Meireille Enos (The Killing).

O longa mostra o inicio do surto de infecção zumbi e o repórter da ONU Gerry Lane é enviado à campo com uma equipe tática e um cientista para tentar descobrir onde o surto começou, como ele aconteceu, e tentar encontrar algo que pode ser a cura para a infecção.

Guerra Mundial Z foi programado para ser uma trilogia e deveria ter estreado no fim de 2012, mas o resultado final não agradava então a Paramount encomendou novas filmagens e mudou o final do filme. Final esse que é o principal “problema” do longa, por ser muito corrido e pouco representativo e com um ritmo muito diferente do resto do filme.

A proposta de Guerra Mundial Z com os trailers, era nos entregar um verdadeiro blockbuster de zumbis, recheado de efeitos especiais e explosões, mas sem a pegada fantasiosa da franquia Resident Evil. Ele cumpre isso, o filme realmente tem bons efeitos especiais, destruições em massa, e cenas colossais de ataques zumbis. Tudo é bonito e legal de se ver, mas pouco influencia diretamente na trajetória de Gerry Lane, nós não acompanhamos o filme do ponto de vista da humanidade, mas sim do ponto de vista de Gerry, sendo assim o filme se torna uma “clássica” obra de zumbis. Cenas em becos escuros. Instalações desertas infestadas de zumbis. Cenas escuras de suspense. Com sucesso, diga-se de passagem, o filme consegue te passar as emoções em tela, você sai do cinema meio abalado, chocado, posso até dizer assustado.

O roteiro do filme parece incompleto, falta um final digno para a trajetória de Gerry, é tudo muito rápido, sem emoção, sem sentido, parece um videoclipe. Realmente isso estrega um pouco o resultado final da obra que tinha condições de ser algo diferenciado nesse universo saturado que é o universo zumbi.

World War Z-FILM REVIEW

O longa se apoia inteiramente na atuação de Brad Pitt, que consegue segurar o filme, consegue passar para o espectador o sentimento em relação à sua situação, que é justamente ser o cara que pensa pela lógica, que não entra em pânico, que não se deixa levar pela pressão dos acontecimentos. Fica transparente que essa é a atitude dele em cena, o que não é uma reação normal em obras que abordam a temática zumbi, normalmente as obras tendem a ir um pouco para o lado do desespero, e “o que as pessoas são capazes em situações como essa“. Com Gerry é diferente, ele está nisso à trabalho, e se comporta como tal.

Aliás, essa diferente abordagem da “mitologia” zumbi nem Guerra Mundial Z não é só nas atitudes de Gerry, outro fato interessante a se destacar é que normalmente em obras com esse tema, como The Walking Dead por exemplo (só para ilustrar), os personagens não sabem o que está acontecendo, não sabe o que são aquelas coisas, não sabe o que aconteceu com elas, não os chamam de zumbis. Em Guerra Mundial Z é diferente. É como se o filme fosse na nossa realidade. Todos sabem o que um zumbi é devido à obras de ficção. O que torna tudo mais assustador, é como se pudesse acontecer hoje ou amanhã.

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Passando a régua e fechando a conta, Guerra Mundial Z é um bom filme do gênero, um bom entretenimento descompromissado, que consegue em parte te fazer pensar como seria um apocalipse zumbi da sua perspectiva de conhecedor da mitologia. Vale a pena ser visto.

Além de Brad Pitt, o longa ainda terá Mireille Enos, Daniella Kertesz, James Badge Dale Matthew Fox no elenco. A direção é de Marc Forster e o roteiro é assinado por Damon Lindelof e Matthew Michael Carnahan.


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