Crítica Gravidade

Eles estão a 600km de altitude e não existe oxigênio, o som não se propaga. Só existe o silêncio.

Eder Augusto de Barros
edaummm

  quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Gravidade é o melhor filme espacial já feito“, quem disse isso foi James Cameron (Avatar). Outros fatores também contribuíram para criar uma grande expectativa em cima do filme: Tarantino colocou o longa em sua lista provisória dos 10 melhores filmes de 2013 até agora, as críticas internacionais são só elogios, uma das melhores avaliações do ano internet à fora, os primeiros trailers em plano-sequência divulgados que foram fantásticos. E eu devo dizer que sim meus caros, essa expectativa foi correspondida à altura.

O mexicano Alfonso Cuarón escreveu (com seu filho Jonás) e dirigiu o filme que aborda tão bem os dois maiores medos da humanidade: a morte e a solidão. Sandra Bullock e George Clooney estrelam o longa que conta a história do experiente astronauta Matt Kowalski (Clooney) que lidera uma missão para a reparação do telescópio Hubble. A Dra. Ryan Stone (Bullock) também participa da missão. Durante a reparação, os astronautas são surpreendidos por uma chuva de destroços de um satélite que foi abatido por um míssil russo. A colisão contra os destroços acaba lançando a equipe de reparação no espaço sem nenhum apoio ou ligação ao ônibus espacial e sem comunicação com a NASA. Agora cabe aos dois encontrar uma maneira de conseguir voltar para a terra.

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O primeiro grande acerto (de muitos) de Cuarón é não deixar a tensão e a angústia morrer por nenhum minuto sequer. Parece que ele apertou um botão no inicio do filme e só soltou esse botão nos créditos. Obviamente que grande contribuição à isso é o fato dos trailers te revelarem que vai dar merda à qualquer momento (e a sinopse também), mas não deixa de ser um grande acerto. A cada passo da Dra. Stone ou do Kowalski nos esperamos por alguma surpresa. Os elementos presentes (ou não) em cada cena contribuem para criar uma constante aflição, um frio na barriga.

Acho que nenhum outro filme me despertou emoções tanto quanto Gravidade. E eu falei da aflição no parágrafo anterior, mas essa não foi a única emoção que o filme conseguiu despertar. Cuarón conseguiu realmente fazer um passeio por elas durante o longa: tem a alegria da conquista depois do susto, que é seguido pelo desespero. A tristeza e a surpresa. E sempre, SEMPRE, com tensão e aflição fazendo o meio de campo.

O filme chega a ter uma história simples em muitos pontos e não precisa de uma grande interpretação para entender que, além de contar o drama dos astronautas por sobreviver, o longa é um retrato sobre enfrentar os os próprios medos. Se controlar e não desistir. O êxito nisso tudo é como Cuarón conta essa história. Uma narrativa linear e com poucos cortes temporais que dão aquele sentido de urgência e tornam os temas da história mais evidentes do que nunca. O diretor ainda encontrou espaço para usar uma ou outra simbologia na composição das cenas, umas delas que simboliza um “renascimento” merece um citação neste texto de tão simples e linda que é. Não foi preciso esconder objetos ou usar cores para mostrar algo sem as palavras e ser entendido.

GRAVITY

A técnica de Gravidade é um show à parte, SÓ a parte técnica já vale o seu ingresso. Quase em nenhum momento nota-se que existe CGI em cena de tão bem feito que ele está. Luzes, cores e sombras de encher os olhos. Planos-sequência muito longos como o que vimos no trailer e que são belíssimos, e como já disse anteriormente, colaboram muito para situar o espectador em qual o mote do filme e a urgência pela qual os personagens estão passando. A alternância da primeira pessoa para a terceira pessoa enquanto os personagens vagam pelo espaço são um show à parte, tanto visualmente quanto sonoramente que consegue claramente te colocar no lugar de um dos personagem, com o capacete e onde você pode ouvir a sua respiração. Ou te colocar observando de fora, de longe, no silêncio do espaço, onde o som é incapaz de se propagar.

A Edição e a Mixagem de Som de Gravidade são uma verdadeira aula para quem quer entender o que são essas duas características técnicas. Como o filme alterna entre o som e o vácuo espacial e, mais uma vez, contribui para a aflição dos personagens, a impossibilidade de se comunicar, de pedir ajuda. Os sons criados no espaço também pela colisão dos objetos, ou por impactos são muito realistas (lembrando que o filme é recheado de CGI e, com isso, os efeitos sonoros também são recriados). A trilha sonora de Steven Price também alterna momentos de tensão com a grandiosidade épica necessária para criar as tais emoções no espectador que eu citei no começo.

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Um filme de apenas dois atores. Dois ótimos atores. Completamente à vontade, George Clooney consegue com a ajuda dos ótimos diálogos que lhe foram dados fazer rir mesmo em momentos de tensão. O seu personagem desperta uma grande simpatia no espectador logo que entra em cena e assim se mantém durante todo o filme, um verdadeiro motor. Sandra Bullock conseguiu bem segurar a evolução da sua personagem durante os 90 minutos de filme, na medida certa ela passou de uma frágil e receosa Dra em sua primeira vez no espaço à uma guerreira que luta por sua vida. Grandes atuações e não é exagero achar que os dois podem figurar entre os cinco indicados ao Oscar.

Há muito a ser dito sobre Gravidade, mas como o filme soube fazer, mostrar e viver é mais impactante do que dizer. Há muito a ser dito, mas a experiência deve ser vivido. Não pense duas vezes se tiver a oportunidade de assistir nos cinemas, em 3D se possível.


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