Crítica Em Transe

Em Transe é um bom filme, roteiro interessante, técnica inteligente, e uma conclusão aberta à interpretações. Um sólida interpretação de McAvoy também é um grande adicional.

Eder Augusto de Barros
edaummm

  sexta-feira, 03 de maio de 2013

Danny Boyle está numa sequência onde seus dois últimos filmes, 127 Horas e Quem Quer Ser Milionário?, o levaram à viajar até Los Angeles para participar da cerimônia do Oscar. Não sei se vai se repetir em Em Transe, mas Boyle consegue novamente nos entregar um trabalho interessante.

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Um surtado (de novo) James McAvoy é Simon, um leiloeiro de obras de arte que se envolve com uma quadrilha num assalto à própria galeria onde trabalha. Durante o roubo, Simon acaba levando uma pancada na cabeça. Depois de recuperar da pancada, Simon passa a sofrer parcialmente de amnésia, tendo esquecido alguns trechos da sua vida – e um desses momentos é justamente a localização de uma pintura roubada no assalto. Agora ele vai recorrer à hipnose para encontrar o objeto.

Em Transe sofre um pouco, bem pouco, com o fato do roteiro não ser assim tão linear. É difícil explicar sem entregar spoilers da trama, mas ao mesmo tempo que a história anda em linha reta, em vários momentos retornamos pelas memórias de Simon, já que ele tenta lembrar onde está a pintura, e em cada uma dessas voltas nos descobrimos novos detalhes para o que aconteceu no assalto. Eu diria que há momentos onde você não consegue distinguir o que é real e o que é uma lembrança de Simon. E eu acho que para pessoas desatentas isso pode ser um pequeno problema.

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Se a construção não-linear da história pode prejudicar um pouco pela quantidade de informações. A trama ajuda e muito. Quando você encaixa todas as peças no fim, o seu primeiro pensamento é que a história é ótima. É um filme que abre e muito para interpretações e para entender o que cada personagem queria na verdade. Parece que você estava Em Transe (juro que não foi uma tentativa de piada) durante todo o filme, e acordou no fim para se lembrar. Sim, lembrar, pois se a sua atenção estiver afiada, você vai sacar metade da surpresa no meio do filme.

Num filme como esse, que envolve interpretação, cada centímetro de tela conta, cada objeto presente na cena conta. E Danny Boyle faz isso bem, sempre deixando um rastro necessário para os atentos, mas sem usar de recursos manjados como coloração de toda a cena, que deixa muito mais claro o que é real e o que não é.

James McAvoy está entre os meus atores favoritos dessa nova geração, e apesar da ótima atuação dele no longa, alguns pontos me incomodaram, não nele, mas no personagem. O primeiro é o fato do personagem mudar muito do inicio para o fim do filme. É uma mudança gritante. O segundo ponto, é só uma observação mesmo, mas eu não gosto de ver o mesmo ator fazer um mesmo tipo de papel. McAvoy está surtado aqui, tal como estará em Filth ainda este ano, tal como esteve em menor escala em Wanted. Mas são opções, não dá para dizer que isso é uma falha.

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Me surpreendi com Vincent Cassel, e com Rosario Dawson. O primeiro conseguiu segurar bem o papel do bad guy, tranquilo, frio e calculista. Rosario também consegue segurar bem o papel, apesar da sua personagem ser um pouco mal construída – de todos, é a mais fácil de decifrar de início e isso pode estragar um pouco a sua experiência. Não sei se isso pode recair sobre a interpretação dela, ou se realmente é a má descrição do personagem.

Em Transe é um bom filme, roteiro interessante, técnica inteligente, e uma conclusão aberta à interpretações. Um sólida interpretação de McAvoy também é um grande adicional.


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