Crítica Dragon Ball Z: Batalha dos Deuses

Goku, Vegeta, Gohan e os outros retornam numa história idealizada pelo próprio Akira Toriyama e que remete muito mais ao início de Dragon Ball do que à sua fase mais famosa

Leandro de Barros

  sexta-feira, 11 de outubro de 2013

DBZ Filme

Estreia nos cinemas nacionais nessa sexta-feira, dia 11 de Outubro, a animação Dragon Ball Z: Batalha dos Deuses, distribuída por aqui pela Diamond Films.

O longa, que tem a equipe de dublagem que trabalhou no anime exibido no Brasil pela Globo, Band e Cartoon Network, apresenta uma história dentro da cronologia oficial do mangá da série e criada pelo próprio Akira Toriyama (autor do mangá original de Dragon Ball). Por isso, esse é um dos lançamentos mais importantes do ano para quem é fã de animes e para quem cresceu assistindo as batalhas de Goku e dos Guerreiros Z – tanto pela sua importância ao expandir a mitologia de uma das séries mais conhecidas do mundo, quanto pelo fato de simbolizar o retorno das animações japonesas aos cinemas nacionais (qual foi o último anime nos cinemas daqui? Ponyo: Uma Amizade Que Veio do Mar, do Studio Ghibli?)

Na trama de Batalha dos Deuses  acompanhamos o deus da destruição Bills, que acorda após uma das suas hibernações (dessa vez de 30 e poucos anos). Após se situar das novidades do universo enquanto dormia, Bills descobre que um Super Saiyajin derrotou Freeza e se questiona se esse poderia ser o Deus Super Saiyajin que viu nos seus sonhos.

Decidido à descobrir se tal criatura e existe (e enfrentá-lo!), Bills parte em direção à Terra atrás de Goku e Vegeta. Obviamente, a presença de um deus da destruição acende o desejo de combate de Goku e resulta numa combinação que coloca a Terra em risco.

Oi, eu sou o Goku!

Oi, eu sou o Goku!

Da maneira como eu vejo, existe três tipos de público que se interessa por ver Dragon Ball Z: Batalha dos Deuses nos cinemas: temos os adultos nostálgicos, querendo acompanhar mais um capítulo da saga que assistiram e que foi tão importante nas suas infâncias; temos a juventude leite-com-pêra de hoje em dia, acostumada com os ninjas de Naruto ou os piratas de One Piece (esses ainda são exibidos na TV?) e temos o público mais casual e que não possui relação nenhuma com animação japonesa ou Dragon Ball, mas que irá se interessar em ver que diabos tem tanto barbudo na fila pra ver um desenho.

Os três provavelmente sairão satisfeitos do cinema, se souberem abraçar a projeção enquanto ela durar.

Desde a época onde Picolo ainda era um vilão de Dragon Ball que uma história de Goku e sua turma não era tão ligada à origem da série em termos de conteúdo e forma: A Batalha dos Deuses é muito mais uma comédia do que um filme de ação, não importando muito o que o seu título tenha a dizer sobre isso.

Relembrando bem o tempo onde Goku e Bulma viajavam pelo mundo procurando as Esferas do Dragão e enfrentavam caras como o Chefe Coelho, líder de uma gangue que se vestia com roupas de coelho e que podia transformar as pessoas em cenouras e comê-las depois (inspiração pro Majin Boo?), esse novo filme de Dragon Ball possui uma carga de humor non-sense bem carregada e que foi a marca da série no seu início.

Essas piadas surgem em todos os tipos de momentos e estão muitas vezes em situações absurdas (praticamente tudo que Bills faz quando chega na Terra), nas trapalhadas feitas por alguns personagens (o Pilaf e seus ajudantes, por exemplo, ou todo o esforço do Vegeta para não contrariar Bills) e na quebra de tom entre cenas (uma cena de ação mais carregada é interrompida com alguma cena mais engraçada). Aliás, essa questão de quebra de tom entre cenas pode ser um problema para quem esperava um Dragon Ball mais “Batalha contra Cell” do que quem aguardava algo mais leve como é esse filme.

DBZ Batalha dos Deuses Critica 01

A ação é bem satisfatória, apesar de parecer um pouco curta quando consideramos todo o tempo de projeção. Misturando computação gráfica nos seus cenários com a animação mais tradicional de Dragon Ball, o combate final entre Goku e Bills é bem bonito de se ver enquanto a dupla voa pelo meio da cidade (lembrando um pouco o combate de O Homem de Aço), por um deserto rochoso, pelo mar, pelo subterrâneo e indo até o espaço.

Numa conclusão rápida, Dragon Ball Z: Batalha dos Deuses é bem mais leve que o imaginado e uma ótima surpresa pra quem lia as aventuras do menino Goku em busca das Esferas do Dragão. A dublagem clássica adiciona um toque nostálgico tão grande que chega a ser uma pena não termos um pedido do protagonista para que o público ajude a fazer uma Genkidama nos cinemas – não duvido que a platéia levantaria as mãos em conjunto.

Por fim, vale ficar o pensamento: se Majin Boo e seus pudins causaram aquela reação em Bills, imaginem o que ele faria se conhecesse esse cara:


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