Crítica Divergente

A adaptação do livro de Veronica Roth acaba por ser um filme razoável, irregular e pouco empolgante

Eder Augusto de Barros
edaummm

  quarta-feira, 16 de abril de 2014

Estamos vivendo uma época para entretenimento cinematográfico onde dois novos gêneros de filmes surgiram: as adaptações dos super-heróis de quadrinhos e as adaptações de livros “young adults”, geralmente voltados para o público feminino. São muitos filmes sendo produzidos, sendo lançados, sendo falados. Hoje vamos conversar sobre Divergente, uma dessas adaptações de livros adolescentes que busca um lugar ao sol como o novo Crepúsculo, ou o novo Jogos Vorazes, ainda não estou bem certo disso.

Porém, contudo e todavia, o nosso foco é o filme e não o livro. Eu me sinto na obrigação de dizer isso, uma vez que eu não li o livro escrito por Veronica Roth, no qual o filme é baseado. E como sempre gosto de frisar, são obras diferente e devem ser consumidas em separado, então vamos avaliar o longa como apenas um filme.

DIVERGENT

Divergente se passa em uma futurística Chicago, quando a adolescente Beatrice (Shailene Woodley) completa 16 anos ela tem que escolher entre as diferentes facções em que a cidade está dividida. Elas são cinco, e cada uma representa um valor diferente, como honestidade, generosidade, coragem e outros. Beatrice surpreende a todos e até a si mesma quando decide pela facção dos destemidos, escolhendo uma diferente da família, e tendo que abandonar o sua casa. Ao entrar para a Audácia, ela torna-se Tris e vai enfrentar uma jornada para afastar seus medos e descobrir quem ela realmente é.

Enquanto Jogos Vorazes consegue transitar bem entre a identificação do público com sua protagonista de personalidade forte e as criticas externas sobre a futilidade das pessoas, o controle de massas e outras coisas, Divergente é apenas uma história básica de uma menina tentando descobrir quem ela realmente é, mesmo que tente usar subterfúgios de grande escala para simular uma abrangência maior. No fim das contas é só uma garota enfrentando seus dramas e dilemas para se descobrir, desabrochar. É o retrato de uma sociedade que vai querer te moldar e rotular baseado nas suas características mas você sempre tem a escolha de ser quem quiser, basta saber quem você né.

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DIVERGENTIsso é ruim? Depende de como te venderam a história. Confesso que eu gosto de alguns pontos da mitologia de Divergente, sobretudo as facções e o fato de cada uma delas desempenhar uma função para manter o equilíbrio da sociedade em que vivem. Poderia estar mais presente no longa, de várias maneiras. Porém as facções não chegam a ser muito exploradas e não conseguimos ter uma visão de toda essa engrenagem funcionando para o bem (ou mal) da sociedade. PARECE que a mensagem do filme é : escolha logo o que você quer fazer da vida, se esforce, se não você será um mendigo. Verdade nua e crua, mastigada, simples. Ainda sobre a transposição da história do livro para a tela, o espectador acaba bem encaminhado no início do longa quando Tris dá uma pequena explicação do que aconteceu com Chicago, porque existem as facções e quais são elas, e assim podemos seguir para o filme confortáveis com a ambientação.

Neil Burger (O Ilusionista) não consegue conduzir bem o filme, demonstrando uma série de problemas. As cenas de ação chegam a ser pífias, principalmente as de combate físico, uma coreografia péssima. A montagem do longa também peca muito no ritmo, o começo é muito cadenciado, perdemos muito tempo no treinamento de Tris para de repente ter um ponto de virada e a projeção nos guiar para o fim num ritmo muito acelerado, que torna a digestão dos acontecimentos conturbada, tornando o terceiro ato anti-climático, sem graça. Ainda falando de terceiro ato, a sequência final tem uma quebra dramática que acaba mal aproveitada e as consequências disso não refletem nada na personagem para os acontecimentos finais, apesar de ser a única cena que Shailene Woodley empolga como Tris, não quero me aprofundar para não dar spoilers.

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Falando em atuações, Shailene Woodley, que foi muito bem em Os Descendentes (garantindo inclusive uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante), não empolga como Tris, a atriz passa boa parte do filme com uma postura pouco expressiva, desajeitada. A única cena em que ela manda bem é a cena que me referi no parágrafo anterior. O co-protagonista de Theo James consegue ser um pouco mais carismático que Tris. Jai Courtney consegue fazer um vilão intimidador, desagradável, é uma atuação confortável. A Kate Winslet a gente até esquece que está no filme, personagem ruim, atuação no piloto automático, carisma negativo.

Divergente acaba por ser um filme razoável, sobre uma história razoável com uma mensagem mastigada. Direção bem irregular, atuações que não empolgam. Um entretenimento que esquece de entreter.

Sem graça :/

TL;DR

Divergente tem uma história simples e pouco cativante para o público geral. É um longa com problemas de execução e montagem. Um ritmo muito ruim e atuações bem básicas. Cenas de ação pífias. Divergent Estados Unidos – 2014 Aventura - Romance - Ficção Científica 139 min. Direção: Neil Burger Roteiro: Evan Daugherty, Vanessa Taylor, Veronica Roth (livro) Elenco: Shailene Woodley, Theo James, Kate Winslet, Jai Courtney, Ray Stevenson, Zoë Kravitz, Miles Teller, Ansel Elgort, Tony Goldwyn, Ashley Judd, Maggie Q.
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