Crítica Carrie, A Estranha

Kimberly Peirce dirige uma nova adaptação do livro de Stephen King. O longa chega aos cinemas nacionais em 06 de Dezembro, estrelado por Chloë Moretz.

Eder Augusto de Barros
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  quarta-feira, 04 de dezembro de 2013

O longa conta a história de Carrie White (Chloë Moretz), uma jovem que cursa o último ano escolar e descobre seus poderes telecinéticos. Carrie desde sempre foi oprimida por sua mãe, Margaret (Julianne Moore), uma fanática religiosa que vê a filha como seu maior pecado. Carrie também sofre bullying dos colegas da escola que não entendem a sua aparência e seu comportamento. Depois de ser ridicularizada pelas colegas de classe durante uma aula de Educação Física, Carrie se isola ainda mais e começa a se interessar por estudar seus poderes.

A história criada por Stephen King não é e nem nunca foi de complexa compreensão ou abordagem. É a história de uma adolescente que sofre com uma mãe que a repreende e as humilhações dos colegas de escola. Porém ela tem capacidades telecinéticas e um dia, depois de muito acumular essas repreensões e humilhações, ela acaba explodindo. E essa é visão que Kimberly Peirce tentou passar com a sua leitura da obra. Uma história adolescente como várias que estrearam nos cinemas esse ano. Uma personagem problemática, deslocada de seu mundo, com alguma habilidade especial. E sendo assim, Peirce foi bem sucedida em sua jornada já que Carrie, A Estranha consegue contar uma boa história, moderna e dentro dos padrões que estamos acostumados. Faz com que a história criada há quase 40 anos seja acessível ainda hoje.

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É muito difícil não comparar o novo filme com o dirigido por Brian De Palma em 1976. Além de ser considerado por muitos como um clássico, é também a versão mais famosa do livro nos cinemas, outra adaptação foi feita em 2002. A versão de Brian De Palma não é tão diferente da nova, a linha da história e os acontecimentos são basicamente os mesmos. A diferença está na maneira de mostrá-los, De Palma buscou durante todo o filme criar no espectador a surpresa, o choque. Kimberly preferiu abrir a história e explorar mais cada um de seus pontos. Explicar melhor o que estava acontecendo em cada momento. O que acaba sendo satisfatório, afinal, a história já foi contada e re-contada várias vezes, por quê não dar uma visão mais detalhada? Acaba criando no espectador sentimentos diferentes, enquanto De Palma te fez temer a Carrie, Pierce te fez sentir simpatia pela mesma Carrie, com a mesma história. Por isso o novo filme é melhor? Eu não me atreveria a dizer que sim. São duas abordagens diferentes da mesma história.

No entanto, uma mudança muito significativa é a personalidade de Margaret, a mãe de Carrie. Dessa vez a personagem é uma mulher amargurada, frustrada, e que vê em Carrie a razão para isso. No longa de Brian de Palma a mãe não aparentava ser assim tão sofrida. Kimberly mostra uma mãe que até automutilação faz para pagar seus pecados ou pensamentos errados. Essa personalidade aterrorizante dá mãe justifica todo o medo de Carrie e coloca ainda mais peso em suas repreensões. Além de, como eu já disse acima, contribuir para a simpatia que o espectador sente por Carrie. Boa parte desse crédito deve ir para Julianne Moore que está ótima no papel, consegue nos deixar com medo de Margaret. O olhar sem vida da personagem deixa explicito como ela é e o que ela sente.

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Visualmente o filme tem coisas muito boas e outras nem tanto. Os efeitos especiais adicionaram um refinamento e uma melhor compreensão da história. Deixaram tudo muito mais pop, afinal, é uma garota com super-poderes. Porém uma coisa me incomodou um pouco durante a ambientação do longa: a escolha por colocar a história em nosso tempo e não em 1979 como no livro, Kimberley obviamente escolhe a tecnologia para nos mostrar isso. Então são inseridos no filme a internet e os celulares como principal fonte de caracterização do nosso tempo, uma vez que visualmente a escola e principalmente a casa de Carrie são fiéis reproduções da visão que Brian De Palma teve para o livro. A internet foi utilizada de maneira muito inteligente porém o que incomodou bastante foi a inserção de diversas cenas com a presença do Sony Xperia Z1 (viu, até sei o modelo). Cenas muitas vezes colocadas apenas para publicitar o celular. A Sony faz isso muito em seus filmes, mas exagerou nesse. Ainda mais quando o apelo tecnológico do filme é quase nulo.

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Outro porém do filme é Chloë Moretz, é inegável que a menina tem talento, ela vai bem em quase tudo que faz, mas em Carrie ela não conseguiu se descobrir. Pareceu perdida durante boa parte do filme, e nos minutos finais quando ela destrói parte da cidade com seus poderes, a atriz pareceu forçar demais sua atuação, o famoso overacting. É compreensível e até de fácil leitura suas intenções, ela tentou obviamente fugir da atuação de Sissy Spacek em 1976, que foi nomeada para Oscar pela sua atuação em Carrie de Brian De Palma. Talvez essa louca tentativa de fazer algo diferente e colocar sua personalidade na personagem foi o que prejudicou Chloë.

Um visual mais amigável, uma visão mais pop e uma atuação sensacional de Julianne Moore são os principais pontos de Carrie, A Estranha. O filme não modifica muito a história já conhecida e joga pelo seguro fazendo com que essa história chegue a mais pessoas.

Os efeitos especiais mudaram muito desde 1976. A história nem tanto.

TL;DR

Um visual mais amigável, uma visão mais pop e uma atuação sensacional de Julianne Moore são os principais pontos de Carrie, A Estranha. O filme não modifica muito a história já conhecida e joga pelo seguro fazendo com que essa história chegue a mais pessoas. Carrie EUA – 2013 Drama – Horror 100 min. Direção: Kimberly Peirce Roteiro: Lawrence D. Cohen, Roberto Aguirre-Sacassa, Stephen King (livro) Elenco: Julianne Moore, Chloë Grace Moretz, Gabriella Wilde, Portia Doubleday, Alex Russel, Zoë Belkin, Ansel Elgort, Samantha Weinstein, Karissa Strain e Judy Greer
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