Crítica Capitão América: O Soldado Invernal

A Marvel Studios evolui seu próprio formato com Capitão América 2, além de preparar o caminho para o retorno dos Vingadores

Leandro de Barros

  quarta-feira, 09 de abril de 2014

Capitao America 2 Soldado Invernal Critica 07Quando Thor: O Mundo Sombrio estreou no ano passado, a gente reclamou aqui que o longa funcionava bem sozinho, mas que o fato dele não trazer nada de novo ao “método Marvel de fazer filmes” era seu principal defeito.

E você sabe o que é o “método Marvel”: uma tonelada de referências à um universo maior nos cinemas, técnicas narrativas retiradas dos quadrinhos, duas grandes cenas de ação (a primeira, normalmente, terminando com um gosto de “derrota” pro herói), cenas de luta com uma ação visualmente incrível e quadrinesca, um monte de piadinhas no meio disso tudo.

Se você nunca tinha notado esse formato, tome 5 minutos para relembrar os últimos filmes da Marvel Studios que você assistiu para perceber a presença de todos esses elementos nesses filmes.

Quando a gente reclamou de Thor 2, por não adicionar nada de novo nessa fórmula, o argumento era simples: se a gente terá de sentar no cinema uma vez a cada 6 meses pra ver um filme da Marvel que é igual aos outros, só com personagens diferentes, então vai chegar o tempo que a gente não vai mais nos cinemas. O estúdio precisava evoluir essa maneira de fazer cinema, mas sem perder a sua própria identidade.

A resposta pra esse dilema é Capitão América: O Soldado Invernal, onde a Casa das Ideias mostra mais uma vez a segurança que possui na sua mitologia e volta a ser fundamental dentro desse gênero cinematográfico.

Capitão América vs. Batroc

O que O Soldado Invernal faz de tão legal pro gênero é que, pela primeira vez, nós temos um filme de super-herói que deixa de ser um “filme de super-herói puro” e se mistura com outro gênero, trazendo elementos e características que esse outro gênero possui – o que é uma ideia que faz todo o sentido, afinal o que são super-heróis além de alegorias e super-conceitos? Trazer esses personagens para outros gêneros parece a evolução mais óbvia (mas só agora, depois de feito).

 O preço pela liberdade é alto, mas é um preço que estou disposto a pagar Steve Rogers

Em Capitão América 2, Steve Rogers (Chris Evans) está trabalhando com a SHIELD após os eventos de Os Vingadores. Mas o Sentinela da Liberdade vai se mostrando cada vez mais impaciente e insatisfeito com a maneira com que a agência age. Quando o misterioso Soldado Invernal (Sebastian Stan) ataca, Steve é levado para o habitat natural da Viúva Negra (Scarlett Johansson) e de Nick Fury (Samuel L. Jackson): um mundo onde nem tudo é o que parece e não podemos confiar em ninguém.

O filme dirigido pelos irmãos Joe e Anthony Russo (Community) pega aquele método da Marvel, que comentamos no início do texto, e mistura com os elementos de filmes de espionagem mais clássicos, criando uma atmosfera renovada e diferente pro projeto.

Mas isso não significa, de jeito nenhum, que Capitão América 2 é menos “super-herói” do que outros filmes. Aliás, é o contrário, é a evolução do gênero. Durante a projeção, nós somos brindados com tudo aquilo que a gente aprendeu a gostar em filmes da Marvel: as cenas de ação e luta são fantásticas (a coreografia dos combates do Capitão é incrível, possuindo uma personalidade muito própria da Casa das Ideias ao emular alguns movimentos de HQs), a trama do filme evolui com um ritmo muito bom e mesmo com uma vibe mais séria, o longa ainda está recheado de piadas e referências pro espectador pegar.

America, Fuck Yeah!

Em termos de atuação, ainda que ninguém do elenco tenha realmente tempo ou espaço pra adicionar muita tridimensionalidade pros seus personagens, é claro e evidente que todo mundo ali estava bem tranquilo e à vontade, assumindo bem os seus papéis. A dupla Scarlett Johansson e Chris Evans carregam o filme durante a maior parte da projeção, com o ator americano percebendo que, enquanto o Homem de Ferro tem as suas piadinhas, o Thor tem o seu martelo e a sua nobreza e o Hulk só precisa sair esmagando pra ganhar o público, o Capitão América pode cativar a audiência através da sua honestidade e da sua inflexibilidade quando o assunto é fazer o que é o certo.

Winter is Coming!

Entre os rostos novos, Anthony Mackie (o Falcão!) aparece como um sidekick competente e, com sorte, pode ganhar mais espaço em filmes próximos, o veterano Robert Redford (Alexander Pierce) é um dos pilares do filme e embarca nessa história de super-heróis com uma segurança que só um cara como ele poderia ter, e o vilanesco Sebastian Stan (Soldado Invernal) sofre um pouco pela falta de espaço em mostrar o seu personagem.

Aliás, essa seria talvez a “grande falha” de Capitão América 2: o subtítulo do filme é O Soldado Invernal, mas o soldado russo do inverno efetivamente não tem assim tanto tempo em tela como a gente gostaria. Não quero dizer mais além do que o necessário, mas o personagem que está no nome do longa poderia ter sido mais explorado.

Quem merece elogios são os irmãos Russo, que comandam esse filme com mãos firmes, mostrando que Joss Whedon não é o único dentro da Marvel capaz de fazer um filme que faça referência e justiça aos quadrinhos, mas que ainda assim tenha uma identidade muito própria como cinema. Os ainda tiveram tempo de encher o filme de referências (sério, é quase uma por cena!) e espalhar diversas dicas e oportunidades para os futuros filmes da Casa das Ideias – falaremos sobre isso em um texto futuro, com muitos spoilers.

E por falar em futuro da Marvel, O Soldado Invernal chega chutando a porta e mexendo sem medo nesse universo. Os eventos do longa (novamente, sem spoilers aqui) possuem uma importância ENORME pro Universo Marvel e vão influenciar praticamente todas as obras do estúdio nesse cenário – desde os próximos filmes, já que o longa é praticamente um prelúdio de Os Vingadores 2, até as séries da Netflix, passando obviamente pelo seriado Agents of SHIELD.

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Pra concluir, Capitão América 2 é facilmente um dos melhores filmes da Marvel Studios e um longa que é tão bom, que eu posso dizer sem medo que ele estará nas listas de melhores do ano de todo mundo (mesmo nós ainda estando em Abril).

Leva o Universo da Marvel à um outro nível

TL;DR

Com cenas de ação fantásticas, um clima de espionagem e sem medo de alterar drasticamente o seu próprio universo, Capitão América: O Soldado Invernal representa uma evolução da Marvel Studios na maneira de ver e fazer cinema, além de ser o principal filme que você precisa ver antes de Os Vingadores 2: A Era de Ultron Captain America - The Winter Soldier Estados Unido – 2014 Ação | Aventura | Espionagem 136 min. Direção: Joe e Anthony Russo Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely, Ed Brubaker (Conceito da História), Joe Simon e Jack Kirby (criadores do personagem) Elenco: Chris Evans, Anthony Mackie, Scarlett Johansson, Samuel L. Jackson, Cobie Smulders, Sebastian Stan, Robert Redford, Emily VanCamp
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