A Entrevista – Crítica

Estreia nessa semana no Brasil a comédia A Entrevista, protagonizada pela dupla Seth Rogen e James Franco (de É o Fim! e Segurando as Pontas), poucas semanas depois da Sony ter decidido não exibir o filme por causa de ameaças terroristas – e ter voltado atrás nessa decisão.

Cercado de controvérsia por causa de todos os eventos envolvendo a invasão dos servidores da Sony pela (de acordo com o FBI e o governo americano) Coreia do Norte, além das já citadas ameaças terroristas, o filme estreia no Brasil deixando a dúvida na cabeça de quem ainda não viu o longa através dos meios digitais disponibilizados: afinal, A Entrevista vale esse alvoroço todo?

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Na trama de A Entrevista, o produtor de TV Aaron Rapaport (Seth Rogen) começa a se sentir um pouco incomodado com o nível de futilidade do programa que produz, um talk-show apresentado por Dave Skylark (James Franco). A chance de subir o nível do seu programa aparece quando é revelado o fato de Kim Jong-Un (Randall Park), ditador norte-coreano, ser um grande fã do programa e topar conceder sua primeira entrevista ao Ocidente para Skylark. É quando surge a CIA, através da agente Lacey (Lizzy Caplan), que recruta os dois para assassinar o ditador no momento da entrevista.

Enquanto um filme – e, principalmente, levando em consideração o que está dentro da tela – A Entrevista não é nenhum grande exemplar da 7ª Arte mundial. A gente pode tentar encontrar mérito nos seus eventos, mas esses são raros e frágeis.

A EntrevistaEnquanto comentário social, o filme não contribui muito. Até parece no começo que A Entrevista quer fazer um ponto de que pessoas demais estão preocupadas com a cultura de consumo e culto à celebridade (e o filme rascunha fazer um paralelo ao fato de que tanto EUA como Coreia do Norte vivem em sociedades com cultos à celebridades), mas não sabe direito para onde direcionar esse comentário – é a imprensa que está assim? As pessoas? Os governos? – e a intenção morre discretamente na metade do filme.

Politicamente, A Entrevista não adiciona nada que não seja de conhecimento público: a Coreia do Norte vive sob comando de um ditador que faz uso do isolamento da sua sociedade para criar uma figura grandiosa sobre si mesmo, enquanto deixa o povo morrer para viver em conforto. Não há nenhuma novidade em cima do que o filme mostra e, francamente, a comédia nem se arrisca nesse quesito, ciente das suas limitações.

Enquanto comédia… bem, aqui é mais complicado. A Entrevista parece ter uma fixação por piadas que envolvem bundas e ânus (sério, há uma quantidade obscena de “piadas” desse tipo), além de todo o típico cardápio de gracinhas envolvendo sexualidade, duplo sentido e situações de vergonha alheia. Pra quem gosta, é um prato cheio e a maioria das piadas vai funcionar. Pra quem não gosta, fica um pouco a sensação de superficialidade e infantilidade na maioria das cenas.

A EntrevistaTalvez o mérito de A Entrevista seja um pouco o sopro de liberdade de ver algo ou alguém dando o troco (mesmo que proporcionalmente MUITO MENOR) num ditador como Kim Jong-un. Mesmo que o escárnio com o ditador seja feito com piadas bobinhas envolvendo a sexualidade ou futilidade dele (os comentários sobre a necessidade de aprovação paterna dele, porém, são ótimos), soa como um alívio a possibilidade de ver alguém tão perigoso e que faz mal para tantas pessoas ser ridicularizado.

Além disso tudo, a reação extremamente exagerada da Coreia do Norte ao hackear a Sony (de novo, segundo o FBI e os EUA) por causa do filme só mostra que a caricatura maldosa retratada pelos cineastas é, na verdade, um retrato um pouco mais fiel do que se imagina – é bem fácil ver o Kim Jong-un do filme ficando ofendido à esse ponto com o escárnio feito por A Entrevista.

De humor superficial, de duplo sentido e adolescente, A Entrevista se destaca bem mais fora das telas do que dentro, onde o seu único mérito é mesmo fornecer um escape para aqueles que desejam um pouco de justiça contra uma das ditaduras mais sórdidas da atualidade.

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