Sofazão | Drive

Matheus Pessôa

  sábado, 08 de dezembro de 2012

Sofazão | Drive

Fotografia memorável, ação impactante e roteiro direto marcam o filme de Nicolas Winding Refn

Saudações! Nesta semana, vocês acompanham no Sofazão um dos melhores filmes- ignorados pelo Oscar- do ano de 2011. Dirigido por um dinamarquês fanático e sendo atuado por um ator de ponta, Drive consegue ser impactante no espectador em alguns momentos do filme, principalmente depois dos 40 minutos de exibição. Antes disso, a ação é quase nula, o que pode irritar muitos, mas ainda assim é um bom filme.

Então, sente no seu sofá e aproveite este Sofazão de Jabá!

Frivolidade na profissão

Dirigir. Uma profissão tão banal nos dias de hoje é uma das armas letais de um homem em Los Angeles. Ele é um motorista como poucos no planeta. Esse é o personagem de Rian Gosling: um cara que trabalha como dublê de produções hollywoodianas de dia e de noite, trabalha como um motorista. Mas não um motorista qualquer. Ele executa seu trabalho firme, confiante e simplesmente.

Simplesmente não de um modo que dê a entender que ele faz de qualquer jeito. Nada disso. A eficiência parece até mesmo ser um dos seus lemas que ele segue obsessivamente durante o filme. Talvez a busca pela eficiência nem seja tão grande assim, porque ele simplesmente não precisa buscá-la. Suas ‘missões’ sempre duram dez minutos, aproximadamente.

– Você tem cinco minutos. Cinco minutos para entrar e para sair. Tudo o que aconteça antes ou depois desses cinco minutos é problema seu.

Logo de cara, nos primeiros minutos de filme, já vemos que ele fala sério mesmo. A primeira perseguição é simplesmente sensacional, tal qual a habilidade do motorista ao conduzir o seu carro pelas ruas tortuosas de Los Angeles. Cada contorno parece ser minuciosamente calculado, assim como o efeito de suas manobras evasivas em seus perseguidores. E do mesmo jeito que a fuga de carro começa, ela termina. Simples assim. E quando você menos espera. Então, ele simplesmente sai do carro, deixando os seus dois ‘empregadores’ à mercê da polícia. Os cinco minutos haviam se passado.

Desenvolvendo o personagem

A parte inicial do filme visa introduzir o espectador à vida do Motorista. Na verdade, acabamos descobrindo que ele trabalha numa oficina com um homem que o acolheu bem novo, e foi ele que descobriu que o garoto tinha habilidades que trespassavam a normalidade.

Tudo parece ser bem simples para ele, que ganha o seu dinheiro e vive de forma simples. Ele também começa a se envolver com sua vizinha de porta, Irene, mas num sentido só de amizade, nesse primeiro instante. Grande parte disso porque ele não se relaciona muito com outras pessoas, é muito fechado, introvertido. Então, ele leva a sua nova amiga e o filho dela para passearem pela cidade, de carro. É primeiramente nesse passeio que ficam evidentes os excelentes trabalhos, tanto na fotografia e na trilha sonora do filme.

A primeira dá uma beleza fenomenal ao filme, e adiciona uma atmosfera bem limpa e lúcida ao espectador, enquanto a segunda acaba passando uma atmosfera de melancolia, própria dos anos 80, que é a década de qual a maioria das músicas no filme foram usadas. O equilíbrio entre a beleza visual e sonora só tornam o filme mais agradável de se ver.

Essa amizade é que causa problemas ao Motorista mais tarde no filme. E isso dita o segundo ato.

O segundo ato mafioso

O Motorista, então, descobre que o marido de Irene saiu da prisão. Nem assim ele deixa de ficar amigo dela; na verdade, isso fortalece esse laço, uma vez que, quando o marido dela está em perigo, o Motorista tenta ajudar (para protegê-la, principalmente, e seu filho).

Ao se propor a fazer isso, ele acaba se metendo em encrenca, pois o cara está com problemas ligados à máfia. A partir daí é que a história toma um rumo certo, com objetivos concretos a serem cumpridos. O Motorista libera toda a sua fúria contra todos aqueles que querem fazer mal a Irene. Todos. Essa ‘loucura’ chega ao ponto de ele querer enfrentar toda a máfia da costa oeste, para evitar que Irene o filho passem por maus bocados.

Fotografia limpa, ação suja

Durante o tempo em que ele está tentando cumprir sua missão, ele se depara com vários inimigos perigosíssimos, e elimina-os com uma frieza imensurável. Há uma cena no elevador, por exemplo, que é incrível. Depois de finalmente dar um beijo em Irene (o que era esperado há algum  tempo), um homem entra no elevador. O Motorista percebe que ele é um vilão, e os dois trocam socos violentos. Até que o inimigo cai no chão, e ele começa a pisar na cara dele, até que metade de seu pé esteja dentro da cabeça dele.

Essa não é a única cena destacável quanto à ‘sujeira’ na ação: numa outra, um mafioso que está sentado esperando para fazer a barba é morto com uma navalha de barbear na garganta, o sangue jorrando para todo o lado.

O fim do filme é digno de um verdadeiro herói. Como a música no fim do filme diz: ‘Ele é um herói, um herói em carne e osso’. Aliás, a música Nightcall (excelente, por sinal) também conta um pouco da história do filme, porque quando o Motorista conhece mais o mundo da máfia, acaba sendo bastante falado nas ‘reuniões’. Aí, a música (que foi tocada bem no início do filme) diz: ‘Eles estão falando de você, garoto, como se você continuasse o mesmo’, que é basicamente o tipo de popularidade que ele tinha: de não ter evoluído nada, que ainda era apenas um motorista inofensivo. Ele prova que todos estavam redondamente enganados.

O diretor dinamarquês, Nicolas Winding Refn, merece muitas palmas.

 


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