Sofazão | Contatos Imediatos do Terceiro Grau – Crítica

  Pedro Luiz   |    quarta-feira, 01 de fevereiro de 2012

Estabelecendo regras a respeito de abduções e outros eventos relacionados a vinda dos extraterrestres ao nosso planeta, Contatos Imediatos do Terceiro Grau se tornou não só um filme indispensável como, também, uma das maiores obras de Steven Spielberg.

Não tem como falar desse filme sem citar coisas importantes, como o final. Então não funcionará como crítica, e sim como um comentário. Se não gosta de Spoilers, amigo… Pare por aqui!

Contatos Imediatos de Terceiro Grau

Ufologia. Seres extraterrestres. Ovnis. Universo. Temas explorados de forma errada, na maioria das vezes. Por se tratar de algo que não temos tanto conhecimento,  os filmes, principalmente, deixam muito a desejar quando querem passar algo relacionado a um contato, ou uma abdução.  Com tanta baboseira a respeito dos nossos amigos interplanetários, um ser terráqueo surge lá pelos anos 70 para elevar o nível desses filmes, que até então, eram ridicularizados. Esse homem, que atende pelo nome de Steven Spielberg, não só trouxe o melhor filme com a temática alienígena, como também inúmeros questionamentos a respeito desses seres temidos por muitos, e amados por tantos outros.

”Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (Close Encounters of the Third Kind, 1977), dirigido pelo atualmente controverso  Steven Spielberg, foi idealizado muito antes do grandioso Star Wars de George Lucas. É bom que isso fique claro, pois Spielberg recebeu inúmeras acusações alegando que ‘’a onda’’ de filmes Sci Fi estava em alta, e por isso, sua obra teria saído nessa época.  Verdade ou não, Spielberg já estava com a ideia e roteiros encaminhados por volta de 75, quando decidiu, de fato, dar vida ao filme, aproveitando o sucesso obtido em Tubarão (1975).

Apelidado de ‘’novo Hitchcock’’ no início de sua carreira, Spielberg conseguia, assim como seu ídolo, criar uma tensão tão grande em seus filmes, que se tornava angustiante saber qual seria o próximo passo do vilão, ou o próximo passo dos próprios protagonistas,  que em contatos de terceiro grau, são os humanos sedentos por conhecimento  e por experiências inéditas envolvendo seres extraterrestres.

A história brilhantemente contada – e escrita – por Spielberg descreve vários personagens, que ao longo do filme, se encaixarão perfeitamente num único e corajoso final. No elenco, nomes como François Truffaut (sim, um dos  grandes diretores participantes  do movimento francês nouvelle vague),  no papel de funcionário da ONU, Richard Dreyfuss ( o mesmo de Tubarão), no papel do pai de família que fica paranóico ao ser submetido a uma forte luz vinda de um objeto voador não identificado, e tantos outros que fizeram essa história dar certo.

Mas o que seria de Contatos imediatos do terceiro grau se John Williams não tivesse composto a trilha? Igualmente inspirado e comprometido  com o projeto, Williams, com somente 5 notas, fez desse filme algo  indispensável nas prateleiras de qualquer amante do cinema. Todo e qualquer cinéfilo que estiver andando na rua e ouvir as tais cinco notas, na ordem certa, fatalmente irá esperar ansioso pelo contato, pois sim, eles estão chegando. Não só com 5 notas se faz um filme certo? John Williams compôs uma trilha tão envolvente, com uma carga tão tensa que aos 30 minutos de filme fica impossível mudar sua posição na cadeira, ela te leva antes que você perceba que aquilo ali é um filme… Imersão, esse é o segundo nome de John Williams.

Spielberg utiliza, assim como em Tubarão – e assim como todos os filmes de Hitchcock –, a técnica da ‘’insinuação’’, ou da ‘’sugestão’’ de fatos.  Pouco é revelado sobre os ETs, ou sobre suas naves, e o que fazem. Até que, nos 20 minutos finais, o filme se mostra a que veio. Nave mãe estacionada, contato através de notas musicais e coragem, muita coragem… Algo que hoje falta nos filmes de Spielberg. A cena final, onde o personagem interpretado por Dreyfuss escolhe largar sua família e tudo o que construiu para embarcar na nave mãe, em hipótese alguma seria filmada hoje pelo tão amado Spielberg. Não seria correto… Não seria bonitinho…

A ternura presente nos filmes família de Spielberg também está aqui, pelo menos na visão dele em relação aos extraterrestres. Bondosos o bastante para devolver pessoas abduzidas em outros tempos, como combatentes na segunda guerra mundial, ou crianças inocentes retiradas a força de sua mãe. E, para ser sincero, essa visão bondosa em cima dos aliens me deixou feliz, ou aliviado o bastante para acreditar que eles, um dia, virão só para fazer contato.

Se você não conhece o lado honesto e corajoso da filmografia de Steven Spielberg, corra agora até a locadora mais próxima e faça o que tem que ser feito… Em nome da sétima arte. Um filme INDISPENSÁVEL


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