Crítica A Onda (2008)- Die Welle

Filme alemão critica a sociedade nos dias de hoje com perspicácia e fatos reais

Matheus Pessôa

  domingo, 29 de setembro de 2013

O filme A Onda (Die Welle, 2008) descreve como seria uma sociedade regida por um sistema autocrático, no qual há somente um governante no poder que não pode ser contestado em hipótese alguma de um modo bem interessante: através de um projeto com fins pedagógicos que tem exatamente como objetivo mostrar como se daria tal regime na sociedade atual. Dentro de uma escola, então, um professor faz a proposta aos alunos e lá eles criam a sociedade conhecida como eles por A Onda, na qual ele mesmo age como líder, mas a organização em si move-se como uma só. No entanto, o projeto sai de controle quando a Onda passa a ter ideais controversos, violentos e subversivos ao extremo, podendo ser comparada a apenas um grupo de marginais.

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Esse projeto foi realizado, de fato, numa sala de aula nos Estados Unidos e já fora retratada em película há alguns anos atrás em mãos americanas. Com um trato alemão, desta vez, a trama ganha em conteúdo, dinamismo e até mesmo com algumas críticas implícitas adicionais.

O fator que mais chama atenção no filme são exatamente as críticas que ele faz de modo bastante inteligente durante os seus 107 minutos de duração. Por ser um filme alemão, a questão do nazifascismo é abordada como um dos exemplos de regime autocrático na história. A questão a ser debatida é a seguinte: o regime autocrático é realmente algo válido e a ser levado em frente ou apenas um sistema autodestrutivo que cai em ciclo vicioso assim que aplicado? O filme nos mostra que a segunda opção é a que acaba se sobressaindo nesse caso.

No desenvolvimento da história, somos apresentados a vários personagens com personalidades, estilos, vivência e características diferentes que servem como uma espécie de ponte metalinguística entre o que é, no filme, tratado como ficção, mas que é facilmente aplicado fora das telas, na sociedade atual. O modo de vestimenta, o pensamento, as atitudes. Tudo é padronizado. Quem definiu isso? Ninguém sabe. Mas a maioria aceitou isso como algo ser seguido e, consequentemente, quem não está incluso neste grupo acaba sendo reprimido pela majoritária parcela de um determinado grupo.

Essas influências aparecem no filme de maneira brilhante; quando um membro do grupo não segue o que é determinado, passa a ser perseguido e tratado como um verdadeiro inimigo. É o que acontece com a personagem Karo; ao se deparar com a ideologia d’A Onda, ela se opõe ao grupo e acaba sendo posta à parte e vista com maus olhos por todos dentro dele.

O filme vai brincando com tantas analogias críticas à nossa sociedade atual, descrevendo o tipo de jovens que está sendo formado- sob influências pré-definidas-, o consumismo, a questão do bullying e muitos outros. Outro tema que é interessantemente trabalhado no filme a criação de relação de um dos personagens, Tim Stoltefeuss, com a Onda. Por causa de questões pessoais (a perda dos pais), o jovem acaba vendo na sociedade seu único modo de aceitação, sua única razão de viver e seu único modo de se expressar ao mundo. Quando a Onda eclode, no entanto, o personagem é levado a tomar drásticas decisões que não só o afetam mas como todos ao seu redor.

Toda a atmosfera tensa que se cria durante o filme, com as ações d’A Onda se resolvem numa cena brilhante, ao fim do filme. Essa cena, inclusive, é um crítica direta por parte alemã a um fato um tanto recorrente nas escolas dos Estados Unidos. A Onda é um filme muito bem feito, tanto nas questões técnicas quanto de conteúdo.


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