Sofazão | 007- Casino Royale

Matheus Pessôa

  sexta-feira, 09 de novembro de 2012

Sofazão | 007- Casino Royale

Uma nova perspectiva para uma nova história e uma nova trajetória para James Bond

Quando falamos de 007, podemos criar várias metáforas diferentes para nos dirigirmos exatamente para o personagem principal da trama e da saga que dura há mais de 40 anos no cinema. Tudo começou com Sean Connery, o homem que acabou por imortalizar o agente secreto que a partir dali seria conhecido mundialmente pelo seu número, 007, mas acima de tudo, pela objetividade que procura exprimir em todas as suas missões; Em todos os seus atos de heroísmo ou até mesmo de pura sorte, como vimos nos 20 filmes anteriores a esse, que marca a chegada de uma nova face com o logo da franquia. Trata-se de Daniel Craig, que é definitivamente diferente de todas as outras concepções de um James Bond que eu imaginaria nas telas de cinema.

 Embora essa seja uma mudança até certo ponto significativa, a essência da série é a mesma, apenas abordada de forma diferente, por um novo ângulo. E uma das características mais marcantes de toda a saga continua irretocável: a extravagância.

Não somente pelas belíssimas mulheres que aparecem nos filmes (nesse caso Eva Green), mas também os famosos carros de luxo que muitas vezes-nos enredos de 007- acabam sendo destruídos. Essa essência pode até ser resgatada das dezenas de jogos que você com certeza já jogou no vídeo-game, seja no mais antigo ou no mais novo console. A manutenção desse espírito de ‘ter tudo ao seu alcance’ e de ‘eliminar todos os que estiverem ao seu caminho’ são importantes elementos desse filme, como podemos ver nas cenas mais memoráveis, como a do jogo de cartas no Casino Royale, que dá nome ao 21º filme da franquia.

Para se ter 20 filmes sobre um mesmo tema, uma mesma perspectiva de mundo, uma mesma visão sobre os fatos, é preciso de muita criatividade, a fim de não cansar os espectadores que gostam de um bom filme de ação, mas que também vão ao cinema buscando um ar novo. Essa renovação certamente foi bem-sucedida com o fato de um loiro de olhos azuis estar estrelando 007 nos cinemas. Uma performance muito boa do ator inglês, que certamente passou no teste e foi aprovado pela legião de fãs do agente.

Na trama, todos esses elementos se encaixam de uma maneira que o filme flui facilmente na cabeça das pessoas, com as cenas de ação que chocam a todos devido à rapidez. Um exemplo disso é logo a primeira cena do filme, quando, de cara, James Bond está atrás de um suspeito e o persegue até os seus limites, pulando de alturas incríveis de um lugar para o outro e em cenas de lutas com sucessão rápida dos quadros, realmente de tirar o fôlego do espectador.

Mas o filme não se trata somente de cenas de ação pontuais; Há também a parte mais ‘inteligente’ da coisa, quando Bond começa a investigar a facção criminosa da qual Le Chiffre, o vilão da vez, faz parte. Ao invés de resolver tudo numa cena rápida de tiros e golpes, o diretor Martin Campbell resolveu inovar ao colocar os dois lados, bem e mal, frente a um jogo mais “intelectual”, por assim dizer. E achou a solução perfeita: colocou os dois inimigos frente a frente num jogo de cartas, onde o menor erro pode ser fatal para uma das partes.

A história que é contada pode ser dita como direta, com diálogos que fluem e possuem influência na trama e as já descritas cenas de ação, que são pontuais em cada momento do filme. Pontuais, ou seja, não há somente pancadaria na tela, há espaço para o desenvolvimento da trama central sem a necessidade de uma simples cena de ação e também para o desenvolvimento emocional do personagem, com a encantadora Vesper Lynd. Esse relacionamento nos traz aquela ideia de ‘amor mortal’ à cabeça, vendo as suas consequências, tanto para Vesper quanto para Bond. Isso mostra-nos algo como ‘É melhor ter cenas de ação boas e certeiras do que muitas com muitas besteiras‘.

É  possível notar toda a influência dos outros filmes  nesse novo, com algumas exceções que acabam por ter a finalidade de tornar a história mais verdadeira e crível. É o caso, por exemplo, dos gadgets tão famosos, que aqui não são recursos tecnológicos, mas sim frutos da mente brilhante de James Bond.

Por fim, é bom dizer que essa nova aventura do agente 00 nos cinemas foi muito boa, buscando explorar algo que vai além do óbvio e que não fuja da realidade. A verdade é que não há muitas cartas no baralho da saga 007. Pelo menos isso foi o que nós pensávamos. Mas depois de Casino Royale, as histórias de James Bond ganharam mais ânimo e fôlego para perdurar mais algumas décadas nas telas de cinema. Um verdadeiro coelho na cartola, ou melhor, uma excelente carta na manga.


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