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Os Descendentes – Crítica

  Pedro Luiz   |    sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Com atuações impecáveis e uma história familiar intensa, o candidato a melhor filme no Oscar 2012, Os Descendentes, consegue ser um ótimo filme mesmo sem acrescentar nada de novo ao gênero.

A mudança ocorrida na premiação do Oscar de uns tempos para cá diz que,  ao invés de 5 filmes indicados na categoria de ‘’melhor filme’’, teríamos 10. Estratégia de marketing ou não, acabaram abrindo as portas para produções menores, independentes. Assim como no ano de 2011 o filme ‘’O Inverno da Alma’’ tenha sido indicado, em 2012 o que temos é algo semelhante. Uma produção que conta com um grande ator no elenco, com locações caras o bastante para não ser de fato um filme de baixo orçamento, mas que não tira de sua estética e de sua narrativa o rótulo de filme indie do ano.

Filmes com histórias familiares geram um apego quase que imediato na maioria do público que frenquenta o cinema. E em ‘’Os Descendentes’’ (The Descendants, 2011) a coisa se repete, levando o conflito familiar a um nível um pouco além do que estamos acostumados a ver. Além de confrontar pais e filhos, temos aqui mais dois elementos: Infidelidade matrimonial e negócios.

Aqui, George Clooney interpreta Matt King, um advogado um tanto avarento que se ocupa demais com seu trabalho. Seus tataravôs deixaram para ele (e mais um montão de primos) uma vasta quantidade de terras no coração de alguma ilha no Havaí. Já dá pra ter uma noção do problema que é dividir isso entre a galera, né ?  Enquanto sua vida se limita as longas horas presas em seu escritório, sua filha mais velha enche a cara de álcool na escola que estuda, e sua caçula sabe mais palavrões que qualquer humorista da nova geração. Sua mulher, carente por atenção, o trai. Até que, num belo dia de sol no Havaí, Elizabeth, sua mulher, bate a cabeça fortemente num acidente de barco, e isso a deixa num coma permanente. Matt K., um jovem senhor, se vê na missão de administrar essa ‘’família’’ tão fragmentada pelas más escolhas e pela falta de proximidade, além de escolher entre vender as terras ou continuar com posse do legado de sua família.

A atuação de Clooney – que já lhe rendeu o Globo de Ouro- é única. Em todos os seus papéis, nunca lhe foi imposto um personagem com uma missão tão delicada e que exigisse uma carga emocional tão intensa. Aqui, Clooney corre um quarteirão inteiro de forma desengonçada, chora de forma (ABSURDAMENTE) convincente, e se faz um pai tremendamente dedicado. Se a atuação do galã se mostra impecável, temos também o resto do elenco que, extraídos ao máximo, levam o filme de forma absolutamente natural.  Destaque para o elenco jovem, formado por Amara Miller (que linda jovem!) e Shailene Woodley,  Alexandra e Scottie, respectivamente.

A fotografia do filme é composta pela belíssima paisagem havaiana, que transmite uma sensação de paz e tranquilidade mesmo em meio a todo esse turbilhão de emoções e sentimentos. Assim também se faz a trilha sonora, lotada de músicas “Hula Hula” (Não sei como se chama o gênero).

Alguns conceitos impostos pelo roteiro, como a analogia entre a família e o arquipélago – onde a família é fragmentada entre várias ilhas, como um arquipélago -, fazem com que o espectador reflita um pouco sobre o verdadeiro sentido da família. Mas nada que qualquer um de nós já não tenha visto em outros dramas familiares.

Como um filme de Oscar, “Os Descendentes” se aproveita do fraco ano para o cinema e arranca a vaga destinada aos filmes independentes, se aproveitando de seu forte elenco e, consequentemente, de suas ótimas atuações. Mas o roteiro não traz nada de extraordinário ao gênero, e a sensação de “algo mais” falta aos espectadores ao final da sessão. Mesmo não sendo tudo o que fora prometido, o filme merece sim ser visto. E vá com sua família,é possível que ela saia de lá mais unida.

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