Supernovo.net | Cinema, Games, Quadrinhos, Livros, Mangás, Séries de TV, Música e Podcasts Nerds!

Crítica O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada é uma viagem de volta à fantástica Terra Média filmada por Peter Jackson!

t sexta-feira, 14 de dezembro, 2012   |   U Leandro de Barros

Eu me lembro agora de uma velha piada (que tinha muito mais graça na minha memória, é verdade), em que um homem chamado Tavares acaba morrendo durante uma operação policial. Um dos seus colegas é incumbido de dar a péssima notícia à esposa do falecido, mas não sabe como abordar a situação. Quando a hora chega e ele está de frente com a mulher, a melhor saída que ele consegue pensar é dizer: “A senhora é a Viúva Tavares?”.

Obviamente que o nosso herói não teve imaginação nesse caso. Você não chega para a mulher do Tavares (e nós nunca soubemos se o Tavares era um Capitão, um Tenente ou qualquer outra coisa) e simplesmente entrega a má notícia. Aliás, nem se o Tavares tivesse sobrevivido e estivesse no hospital naquele momento aquela seria a abordagem correta. O herói da nossa piada deveria ter dito as incríveis qualidades que o Tavares tinha antes de despejar a bomba.

Mas não vamos nos alongar demais nisso, vamos falar sobre as incríveis qualidades de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada. Ok, ok, não me olhem assim. Nosso “Tavares” não morreu, muito pelo contrário. Mas vocês vão querer ouvir as boas notícias primeiro.

the-hobbit-bilbo-baggins

Em O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, Peter Jackson nos leva novamente até a Terra Média imaginada por J.R.R. Tolkien para contar a aventura que Bilbo Bolseiro (Martin Freeman), o tio de Frodo (Elijah Wood), não esperava viver e que nós mal esperávamos para ver.

A reação inicial ao começar a projeção é uma só: como é bom voltar ao Condado! As primeiras cenas de Uma Jornada Inesperada são um presente incrível dado por Jackson aos seus expectadores. Foi muito difícil ver O Hobbit finalmente sendo adaptado aos cinemas, então esse “agrado” inicial cai muito bem.

Na trama dessa aventura, que se passa 60 anos antes dos eventos da trilogia O Senhor dos Anéis, Bilbo recebe de Gandalf (Ian McKellen) um convite para ingressar na comitiva de Thorin Escudo-de-Carvalho (Richard Armitage), que pretende recuperar o reino de Erebor, tomando do seu avô pelo dragão Smaug.

Começando por um dos aspectos mais chamativos, é dificílimo não se apaixonar pela Terra Média retratada por Peter Jackson. Cenários lindos, ambientações impecáveis, maquiagem, efeitos, criaturas incrivelmente realistas… dá pra sentir a paixão que os envolvidos no projeto tiveram ao cuidar de cada detalhe na hora de trazer esse mundo (tantas vezes imaginado por tantas pessoas diferentes) à vida.

Duas cenas, ainda no comecinho do filme, vão retratar o que eu digo. A primeira é a cena onde o Bilbo mais velho (brevemente vivido por Ian Holm) conversa com Frodo e começa a relembrar a sua história. Se essa cena não tocar o seu coraçãozinho, você está morto por dentro. A segunda é a cena onde Smaug invade a Montanha Solitária e toma o Reino dos Anões para si, com takes de tirar o fôlego de tão bonitos e coloridos, com uma produção tão bem feita e um ritmo cuidadosamente equilibrado.

Outra coisa que merece um elogio particular é o elenco do filme. Se você der uma olhada só nos nomes (que começam com Ian McKellen, Martin Freeman, Richard Armitage, e terminam com Hugo Weaving, Cate Blanchett, Andy Serkis e Christopher Lee), você já fica impressionado com o elenco do filme, mas é em cena que cada um deles faz valer a sua reputação. Ian McKellen volta a viver Gandalf, o Cinzento (muito mais divertido do que o Branco, na opinião do ator) e é muito bom vê-lo em cena, assim como Martin Freeman, que faz um Bilbo assustado e cheio de caretas, a exata impressão que temos do personagem ao ler o livro. O Gollum de Andy Serkis é um espetáculo à parte e consegue ser repulsivo e divertido de vê-lo em cena. Armitage incorporou muito bem a seriedade de Thorin Escudo-de-Carvalho, o único anão a ter atenção no filme. Fora ele, nós saímos do cinema lembrando o nome apenas do Balin (Ken Stott), do Bombur (Stephen Hunter) – impossível não rir dele em cena – e do Kili (Aidan Turner), particularmente útil em certo momento do longa.

Bem, agora que nós já sabemos que O Hobbit tem tudo aquilo que a Trilogia do Anel mostrou nos cinemas, que a Terra Média está de volta, que é tudo lindo e maravilhoso, hora de falar do Tavares. Pois é.

Quem é esse Tavares??

Quem é esse Tavares??

Eu vou escolher as minhas próximas palavras com muito cuidado, pois elas podem ser as minhas últimas (Registro Mental: parar de exagerar na dramatização). Os principais problemas de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada são o seu ritmo narrativo e a sua estrutura.  São duas coisas diferentes, mas nós falaremos de tudo junto porque eles estão muito interligados.

Não sei se o amigo leitor sabe (acredito que sim), mas O Hobbit é um único livro, não tão grande assim, que se transformará em três filmes. Os famosos Apêndices escritos por Tolkien também  serão adaptados, para enriquecer um pouco mais esses três filmes. E aí nasce o problema.

Num filme “normal”, nós temos três atos bem separados: o início, o desenvolvimento e o fim. Em Uma Jornada Inesperada, nós temos um início (eu identifiquei pelo começo da projeção) e nós temos um fim (o momento em que o lanterninha me expulsou da sala porque ele tinha de fechar o cinema). Fora esses dois momentos específicos, é complicado saber onde começa e onde termina cada parte do filme ou para onde a trama vai ou vem.

O longa começa com a história dos anões e a sua jornada para expulsar à pontapés o dragão Smaug de Erebor. Só que no meio do caminho, Peter Jackson começa montar os eventos que dão início à história de O Senhor dos Anéis e é aí que O Hobbit deixa de ser O Hobbit e passa a ser um prelúdio de O Senhor dos Anéis (sim, eu notei que essa sentença soa estranha, mas confie em mim: é a que melhor traduz essa situação). Em determinado momento do filme, nós não estamos mais focados na jornada dos anões (aliás, por bons momentos, nenhum dos 13 anões do filme aparece em cena) e só focamos no mal que ressurge. O foco na jornada dos anões só volta mais pro fim do filme.

A impressão que fica é que Peter Jackson pegou os capítulos de O Hobbit destinados ao primeiro filme, abriu essa história no meio e foi adicionando pedaços dos Apêndices e de outros materiais para transformar tudo num suculento sanduíche Tolkieniano. Quem já leu O Hobbit e O Senhor dos Anéis nem vai ligar para essa mistura (pelo contrário, vai comemorar e vibrar como uma gazela saltitante a cada cena!), mas quem não está tão embrenhado assim na Terra-Média ficará perdido com essas constantes mudanças de direção do longa.

Mas é só isso de “ruim”, meus amigos, eu juro. Nada que vá realmente estragar a sua experiência. Pode tirar o semblante de preocupado do rosto, nosso Tavares já está recuperado e receberá alta amanhã.

The_Hobbit_Gandalf

A Polêmica dos 48fps

Infelizmente, eu não consegui ver O Hobbit em 3D e rodando à 48 quadros por segundo, que gerou tanta polêmica com as críticas estrangeiras. Apenas dois cinemas suportam a tecnologia por aqui e os dois são bem longes de mim.

A versão em 24fps, a contagem normal de todos os outros filmes, não decepciona em nenhum momento. Eu tive algum problema em olhar tudo no começo, mas foi devido à minha iminente cegueira e não à qualidade técnica do filme. Se você está preocupado com essa história de frames por segundo, não se preocupe: a versão “normal” é normal mesmo e não vai te atrapalhar em nada.

Porém, se você tiver a oportunidade de ver o longa em 48 quadros por segundo e em 3D, eu recomendo que veja. Afinal, ele foi filmado assim e é um marco na história do cinema ver um longa nesse formato. Você não perderá nada na versão em 24frames, mas ganhará uma experiência sem igual com os 48fps. Mais do que isso, eu não posso dizer mesmo.

Resumindo

Uma Jornada Inesperada é um filme muito bom. De verdade. Fãs sairão dos cinemas plenamente satisfeitos (cantarolando a música dos anões – QUE É MUITO BOA!, tanto nos momentos mais emotivos quanto nas cenas de ação), não-fãs também. Peter Jackson decidiu transformar O Hobbit num “prelúdio de verdade” de O Senhor dos Anéis e não numa “história que se passa antes da Trilogia do Anel” e isso gera um ou outro problema no filme, mas é algo pequeno perto da experiência final.

Vá sem medo ao cinema, O Hobbit: Uma Jornada Inesperada vale o seu ingresso. O que resta é esperar pelo ano que vem, quando a aventura continuará em A Desolação de Smaug.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada é uma viagem de volta à fantástica Terra Média filmada por Peter Jackson!

The Hobbit: An Unexpected Journey
EUA – 2012
Fantasia – Aventura
100 min.

Direção: Peter Jackson

Elenco: Martin Freeman, Benedict Cumberbatch,  Barry Humphries, Ian McKellen, Hugo Weaving, Cate Blanchett, Elijah Wood, Christopher Lee, Andy Serkis, Lee Pace, Richard Armitage

TL;DR

Uma Jornada Inesperada é um filme muito bom. De verdade. Fãs sairão dos cinemas plenamente satisfeitos (cantarolando a música dos anões – QUE É MUITO BOA!, tanto nos momentos mais emotivos quanto nas cenas de ação), não-fãs também. Peter Jackson decidiu transformar O Hobbit num “prelúdio de verdade” de O Senhor dos Anéis e não numa “história que se passa antes da Trilogia do Anel” e isso gera um ou outro problema no filme, mas é algo pequeno perto da experiência final.

Vá sem medo ao cinema, O Hobbit: Uma Jornada Inesperada vale o seu ingresso. O que resta é esperar pelo ano que vem, quando a aventura continuará em A Desolação de Smaug.

Veja Também


Comentários

Comentários

  1. [...] canse em algum momento… são 3 horas de filme… Acho que o melhor jeito de explicar é esse post do SuperNovo que explicou muito bem o que eu achei: ” A impressão que fica é que Peter Jackson pegou os [...]


Tags

Eventos - Akira Online | OnGame
Supernovo 4.0 - Weapon X - GIF por: http://ecanhoj.deviantart.com/