O Corvo- Crítica

  Matheus Pessôa  |    sábado, 19 de maio de 2012

Filme dirigido por James McTeigue homenageia um dos gênios literários do século XIX.

Edgard Allan Poe foi um escritor de contos de ficcção e de vários poemas, que são lembrados até hoje. Muito marcante por causa do suspense e da engenhosidade, a escrita de Poe conseguiu conquistar vários de seus leitores na época. Nos primórdios dos anos 40, ele faleceu misteriosamente em Baltimore, sendo que até hoje não se sabe o que o levou ao estado deplorável em que fora encontrado nas ruas da cidade.

Neste contexto, o filme O Corvo recria essa história que leva ao fim trágico de um dos maiores escritores da época de um modo novo e que com certeza vai agradar àqueles que buscam o suspense, a ação na medida certa e acima de tudo, um grande filme de investigação que leva todos os espectadores a um estado de expectativa muito grande e daquele sentimento de que algo está por vir, a cada nova cena projetada na tela.

 

Uma curta sinopse e vamos ao que interessa (!):

‘Edgar Allen Poe (John Cusack) junta forças com o jovem detective Emmett Fields (Luke Evans) para caçar um serial killer que tem feito uso do próprio trabalho de Poe para cometer uma série de assassinatos brutais.’

No filme, Edgard Allan Poe é retratado como uma pessoa perturbarda e brilhante ao mesmo tempo. Por quê perturbada? Segundo o filme, é porque o autor havia presenciado a morte de sua amada depois de muito sofrimento, e que isso o deixou mais obscuro do que nunca. Ele, que um dia já fora famoso mundialmente por suas obras, agora não passa de um jornalista frustrado que tenta retomar o brilho de antigamente. É assim que o personagem é apresentado ao público: como uma pessoa problemática e melancólica, tentando reproduzir o sucesso de outra época.

1849. Baltimore, Maryland. Um assassinato de uma mulher choca os investigadores por sua engenhosidade. O detetive Fields descobre na cena do crime indícios de que esta morte havia sido cuidadosamente armada pelo autor do crime, assim que descobre uma esquematização, que passara despercebida dos outros policiais, que possibilitou que ele, aparentemente encurralado, fugisse do local. Mas além disso, ele percebe que esse crime não era um crime qualquer. E sim, um crime baseado na obra do autor Edgard Allan Poe.

Poe é tido primeiramente como um suspeito, mas depois acaba se juntando ao detetive Fields em busca do assassino em série, que inclusive havia sequestrado Emily (Alice Eve), o atual par amoroso do escritor. A partir daí, o ritmo do filme não para.

Muitas cenas chocantes, efeitos visuais incríveis (principalmente na hora em que os crimes ocorrem) e uma fotografia maravilhosamente sombria marcam a trama a partir desse momento; as investigações passam a ser mais interessantes e envolventes, quando ninguém sabe o que vai acontecer, nem onde, mas a surpresa está lá. A cada assassinato cometido, uma nova face de Poe é revelada ao público, desde  um homem mais competitivo até a um tipo de personalidade psicodélica, que acaba dando um melhor tom ao filme.

O que faltou ao roteiro desta produção foi um ‘conflito principal’ maior, que entra para a conta do diretor James McTiegue. Poderia haver uma maior exploração do tema e das obras de Edgar, já que o filme é uma recriação fictícia da realidade. Mas mesmo assim, não foi nada desapontante que pode causar uma certa ‘chatice’ ao público. Um outro ponto importante a ressaltar, agora um bom, é a atuação de John Cuszack no papel principal. Completamente surtado nas cenas iniciais e mantendo o ar contido e de grande conflito emocional durante todo o resto do filme, o que realmente passou ao espectador um ar deprimente e maníaco.

O longa também passa um ar extremamente poético, mas não de um modo monótono, e sim de um modo sádico que se adapta bem à ambientação e que com certeza vai inspirar todos aqueles que gostam de uma boa trama policial envolvente e surpreendente como essa. Ao longo do filme, vários trechos dos livros e poemas de Poe são apresentados em forma de pistas que levam à vítima central dos acontecimentos, e que no final acaba se revelando como sendo o próprio autor, Edgar Allan Poe.

‘O Corvo’ não é um filme que vai agradar a todos devido à sua complexidade e com a rapidez com que os fatos acontecem dentro da trama. Quando eu digo complexidade, é num sentido de que você tem que conseguir identificar os traços históricos mostrados, assim como as pistas que foram deixadas pelo assassino, para poder desfrutar ao máximo desta produção. Quem viu o filme ‘Zodíaco’ sabe do que estou falando muito bem, mas eu vos digo: o filme de Mctiegue consegue ser melhor devido às muitas cenas em que o suspense fala mais alto e onde as cenas de ação são mais frequentes.

Um final para a trama extremamente poético e emocionante, que certamente despertou o interesse de várias pessoas pelas obras de Edgarr.  ‘O Corvo’ é sim uma ótima homenagem a um dos maiores autores do século XIX, para aqueles que conseguem admirar a sua obra e aqueles que querem adentrar no mundo incrível que ele criou na literatura.

Sinta a alma do filme e você terá uma ótima sessão.

 


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