sábado, 25 de fevereiro, 2012 - às 12:34 hrs.

Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança – Crítica

O novo filme dos diretores Mark Neveldine e Brian Taylor se torna mais uma tentativa falha de recomeçar uma franquia. Com isso, Motoqueiro Fantasma se junta a Elektra e Demolidor no hall dos personagens com as piores adaptações para o cinema.


  Pedro Luiz   

Todo e qualquer filme, de qualquer gênero, não pode exigir de seu espectador um conhecimento prévio para o entendimento de sua narrativa. Mas, na maioria das vezes, a qualidade dos filmes adaptados de outras mídias é tão ridícula que esse conhecimento prévio se faz necessário. É o caso de Motoqueiro Fantasma – Espírito de Vingança (Ghost Rider – Spirit of Vengeance, 2012), que para ser analisado da forma correta, necessita do conhecimento dos quadrinhos. E vejam só, amigos… a conclusão é simples: OS QUADRINHOS SÃO MUITO MELHORES.

Sou taxado de chato porque bato na mesma tecla inúmeras vezes. Enfatizo sempre a minha visão de que o cinema europeu é muito superior ao hollywoodiano por conta de sua liberdade, e um filme como esse só reforça o meu pensamento. Quem conhece o personagem nos quadrinhos sabe que o Motoqueiro Fantasma nada mais é do que o’’justiceiro’’ do Diabo na Terra. E o que vemos nessa afronta aos fãs de HQs é só mais um filme pronto para arrancar seus reais (ou no caso dos amigos Eder e Leco, euros), justificando que é para pagar os custos do 3D, que por sinal, me deixaram com dor de cabeça.

Pois bem… o roteiro é uma história ‘’whatever’’ de filho do diabo, que num ritual maligno irá herdar todos os poderes de seu pai. Essa é solução (lê-se amarração) que os diretores Mark Neveldine e Brian Taylor precisavam para encher a tela de efeitos masturbatórios. Tudo é exagerado. Desde as correntes do motoqueiro até a atuação totalmente sem noção de Nicolas Cage. Francamente… Esse sujeito que leva ‘’Coppola’’ no nome -e que lá pelos anos 90 atuou em filmes de David Lynch- merece mesmo todas as críticas que sofre. Sua atuação é de um exagero totalmente desnecessário. Dá angústia vê-lo se transformar no Motoqueiro Fantasma.

Falando em atores, o padre Moreau, interpretado por Idris Elba, se mostra infinitamente superior em atuação, ou em interesse do público.  ”Degustador” de vinhos profissional, Moreu acompanha o exagerado Nicolas Cage durante todo o filme e arranca alguns risos.

Para ”alívio” da maioria das pessoas, aquele primeiro filme do Motoqueiro Fantasma é totalmente ignorado aqui. O que, com certeza, dava um pouco de esperança a franquia.  Uma das alternativas criadas para fazer o público esquecer daquele filme (terrível) é um toque mais cômico aos, já fracos, diálogos. Algumas animações, uma hora ou outra, também agradam, deixando o modo ”normal” de cena de luta, e indo para uma espécie de nova dimensão. Só os dois combatentes, num fundo preto, e com a câmera girando sem parar.

A minha expectativa era de um filme nos moldes de ”Constantine”, outro filme adaptado de HQs (Publicado com o nome de ”Hellblazer”). Não há tanto sangue em Constantine, mas a atmosfera sinistra e adulta criada em torno do personagem deixam a história muitíssimo mais interessante. A história do Motoqueiro Fantasma, nas HQs, é tão sombria, demoníaca, que era necessário uma censura de no mínimo 16 anos para que a história pudesse ser contada do jeito certo. Mas claro… a ganância dos produtores de Hollywood fizeram com que a censura baixasse para 13 anos, levando assim, mais pessoas ao cinema. Resultado: Um filme sobre um cara que vendeu a alma ao diabo com uma cara extremamente infantil e com cenas de violência claramente com o freio de mão puxado.

O jeito Michael Bay de filmar anda fazendo escola em Hollywood.  Como se não bastasse o slow-motion, agora também estão importando a câmera tremendo a todo instante e os close-ups sem sentido… Ação frenética do início ao fim.

Sabia desde o início que o filme seria uma bomba. Mas tinha alguma esperança…

Pelo menos a caveira está mais suja. Ponto positivo.

OBS: O destino de Motoqueiro Fantasma já está traçado. Serão mais dois filmes terríveis, até que um diretor competente apareça para dirigir um filmaço. Assim como foi com o ”Batman”. Lembrem-se disso…



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