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Millennium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres – Crítica

  Eder Augusto de Barros  |    quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O longa dirigido por David Fincher e estrelado por Daniel Craig e Rooney Mara entra em cartaz nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira dia 27 de janeiro.

Millenium – Os Homens Que Não Amavam Mulheres

Millennium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres ou The Girl with a Dragon Tattoo é um remake americano, dirigido pelo grande David Fincher, e baseado no homônimo sueco e no primeiro livro de uma trilogia best-seller do jornalista sueco Stieg Larsson. Para começar eu queria frisar que não vou falar deste filme como uma comparação, por duas razões, a primeira é que esta é uma obra de um diretor tão singular, que não merece o tempo todo ser avaliada em relação a uma produção sueca com um orçamento bem menor, o que coloca o filme sueco numa ótima posição já que o diretor conseguiu fazer muito com muito pouco, mas não é nosso objetivo aqui. Segunda razão, porque na verdade os dois filmes são baseados num livro, o que faz com que as comparações entre os dois filmes sejam inúteis. A fonte é o livro, não o filme sueco. Ou seja, vamos falar apenas deste ótimo filme, e só!

Harriet Vanger desapareceu 36 anos atrás sem deixar pistas na ilha de Hedeby, um local que é quase propriedade exclusiva da poderosa família Vanger. Apesar da longa investigação policial a jovem de 16 anos nunca foi encontrada. Mesmo depois de tanto tempo seu tio decide continuar as buscas, contratando o jornalista investigativo da revista Millennium, Mikael Blomkvist (Craig), que não está em um bom momento de sua vida, enfrenta um processo por calúnia e difamação. Mas, quando o jornalista se junta a Lisbeth Salander (Rooney Mara), uma investigadora particular nada usual, incontrolável e anti social, a investigação avança muito além do que todos poderiam imaginar.

A história envolve uma trama bem entrelaçada, personagens completamente complicados, como é o caso de Lisbeth Salander (Rooney Mara), que ganhou uma adaptação com uma mini-pitada de feminidade que a deixou ainda mais encantadora e complexa. David Fincher conduziu a história de uma maneira bem compreensível, e nada exagerada, o caso não é explicado duzentas vezes durante o filme, mas a maneira como apresenta os fatos é tão simples e clara, que mesmo com os vários membros de uma família enorme, você consegue fazer as ligações de primeira.

Fincher não pestanejou e tratou tudo que tinha que tratar abertamente no filme, nudez, estupro, abuso sexual, violência, religião e até tortura com animais, teve para todos os gostos e sem meias-palavras ou censuras. Essa postura do diretor contribuiu ainda mais para o roteiro e, principalmente, para explicar o desenvolvimento de algumas personagens e fazer com que o espectador crie laços com elas, como é o caso da protagonista Lisbeth.

Rooney Mara deu uma aula de interpretação neste filme, não é à toa que foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz, vai concorrer com grandes nomes como Viola Davis e Meryl Streep, mas seria muito legal se a Rooney levasse a estatueta, coroaria um grande trabalho dela. Sua personagem revoltada e antipática em sintônia com sua história de vida cativa completamente, e a caracterização de Rooney está algo assustador, vocês já viram essa garota normal? Parece outra pessoa.

A minha diferença Daniel Craig surpreendentemente me deixou confortável com sua atuação, a química com Rooney Mara era perfeita. O resto do elenco também esteve aceitávelmente bem, destaque também para Christopher Plummer e Stellan Skarsgård que vive Martin Vanger, que conseguiram uma grande atuação.

Outros grande fatores do filme que te envolvem completamente na experiência, são a fotografia e os efeitos sonoros. Se você é daqueles que nem sabe o que é a categoria fotografia numa premiação, mas sempre tenta entender, Millennium é o filme que te vai fazer entender o que é uma boa fotografia. São ótimos ângulos, luzes, enquadramentos, jogo de cores, cortes. Com na cena onde acompanhamos ao mesmo tempo as atividades de Lisbeth (Rooney Mara) e  Mikael (Daniel Craig) que estão ligadas, mas em locais diferentes, os cortes de segundo em segundo entre os personagens é sensacional. Os efeitos sonoros estavam muito bem, há uma cena em que Lisbeth está trabalhado em casa, a primeira em que isso acontece no filme, repare em todo o som de fundo, som das pessoas que moram em seu prédio, estava tão bem feito que eu me senti dentro do apartamento dela também.

Para finalizar, aconselho veementemente o filme, que é um dos melhores que eu tive a oportunidade de ver, David Fincher no seu melhor, um ótimo elenco e uma história muito boa fazem de Millennium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres a melhor pedida para esse semestre e quem sabe para o ano.

Direção de David Fincher (A Rede Social), roteiros de Steven Zaillian (Hannibal), o elenco conta com Daniel Craig (Cowboys & Aliens), Rooney Mara (A Rede Social), Stellan Skarsgård (Thor), Robin Wright (Moneyball), Christopher Plummer (Padre) e o filme deve estreiar no Brasil no dia 27 de janeiro de 2012.

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