MIB³ – Homens de Preto 3 | Crítica

  Leandro de Barros  |    quinta-feira, 24 de maio de 2012

Com um orçamento encorpado, um elenco de qualidade e um público fiel, MIB 3 estréia com a função de revitalizar a franquia. Mas será que o filme é bem sucedido?

Dez anos longe das telonas, o Agente J (Will Smith) e o Agente K (Tommy Lee Jones) voltam à combater alienígenas em MIB³ – Homens de Preto 3, terceiro filme da franquia dirigida por Barry Sonnenfeld.

A novidade da vez se traduz na presença de Josh Brolin, responsável por interpretar o Agente K mais jovem, da década de 60. Será que essa é a mudança que a franquia precisa para ser revitalizada?

Em determinado momento do filme, o personagem de Will Smith diz o seguinte para a personagem de Emma Thompson, Agente O: “O pré-requisito para uma piada é que ela deve ser engraçada“.

A frase é muito bem colocada em MIB³ – Homens de Preto 3. Digo isso por duas razões: a primeira é que, claro, está corretíssima. Uma piada deve ser engraçada ou não é uma piada. A segunda é que essa única frase sintetiza perfeitamente o que é MIB³.

Se você pretende fazer uma comédia, talvez seja de bom tom checar se o seu roteiro é engraçado o suficiente para justificar um orçamento de incríveis $250 milhões de dólares. Esse é o principal problema do filme: falta graça.

O filme começa com a fuga de Bóris, o Animal (Jemaine Clement) de uma prisão na Lua. Após conseguir sua liberdade, Bóris pretende ir atrás do homem que o colocou lá em primeiro lugar, o Agente K (Tommy Lee Jones). Para se vingar, Bóris volta no tempo e mata o jovem Agente K, vivido por Josh Brolin. Cabe então ao fiel Agente J (Will Smith) voltar no tempo um dia antes de Bóris e matá-lo antes que ele mate o Agente K.

Infelizmente, chega a ser um pouco constrangedor ver os atores recitando as piadas do roteiro e o cinema não dar risada. Esse “detalhe” acaba transformando um filme que tinha tudo para ser bom em algo mediano. Porque isso é outra coisa que deve ser dita sobre MIB 3: ele é bem feito.

A direção de Sonnenfeld é discreta, deixando as luzes da ribalta para o que deveria brilhar: seus atores e as piadas. O som, os efeitos especiais, a edição… toda essa parte técnica do filme funciona muito bem. O espectador sai do cinema tendo certeza que grande parte do recheado orçamento do filme foi bem empregado nos profissionais técnicos que trabalharam na comédia, com destaque para a recriação dos finais dos anos 60 em grande parte do filme. Nenhum aspecto técnico, porém, se sobressai como a Maquiagem. O trabalho dos maquiadores em MIB 3 foi algo digno de aplauso, principalmente na concepção e execução dos aliens do filme.

O elenco de MIB 3 até tenta se esforçar para fazer o filme funcionar, mas falta tempo de tela para a maioria deles. Tommy Lee Jones, Emma Thompson e Alice Eve, por exemplo, não chegam a fazer mais de 3 cenas cada um. O fardo do filme cai todo nos ombros de Will Smith e Josh Brolin, que tentam carregá-lo o quanto podem durante o longa. Smith não vai mal e consegue tirar algumas risadas da platéia, mais por causa da sua interpretação do que por causa das suas falas. Já Brolin chega a assustar ao personificar Tommy Lee Jones com extrema habilidade. Mais do que isso, o ator confere uma nova cara ao personagem, mais feliz, bem humorado e menos carrancudo. O Agente K de Brolin não carrega nenhum peso sob suas costas ainda e o ator sabe mostrar isso para o público. Outro que manda bem no filme é o neo-zelandês Jemaine Clement, responsável por dar vida à Boris, o Animal, talvez o melhor vilão da série. O principal acerto feito por Clement no filme foi o de tratar o seu personagem da maneira certa. Sem tempo ou necessidade de dar mais polimento ao vilão, Clement simplesmente o faz o mais desprezível, temível e com presença possível. Justamente o que o filme precisava.

Concluindo, MIB³ – Homens de Preto 3 pode até render uma boa ida ao cinema se você gostar muito ou muito pouco da franquia. Afinal, o filme não é ruim. Só é sem graça.


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