Lincoln – Crítica

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Chega esta sexta-feira aos cinemas nacionais o novo filme de Steven Spielberg que contará a história do 16º e talvez o mais importante Presidente da história dos Estados Unidos da America. O longa já chega com a expectativa lá no alto, afinal tem 12 nomeações ao Oscar 2013.

É uma pena que Spielberg tenha limitado o filme apenas ao último período da Guerra Cívil Americana. Aliás, ele restringe a história de Abraham Lincoln à apenas um mês intenso e pequenos trechos de períodos maiores. O filme é focado em como Lincoln conseguiu obter a aprovação da 13º Emenda que abolia definitivamente toda o esquema escravocrata no país.

Sempre mostrando um Lincoln sereno, calmo e observador, Spielberg consegue passar bem a ideia da índole do Presidente. Calma que eu já chego na parte que cabe à Daniel Day-Lewis. Por que o Spielberg consegue? Porque  ele abusa de sombras, de ambientes escurecidos, de mostrar um Lincoln sempre de cabeça baixa e pensativo. Raramente você verá os olhos do personagem. Poucas vezes você o verá levantar a voz.

Daniel Day-Lewis também ajuda muito à construção apressada do personagem, se você não sabe quem é Abraham Lincoln, precisa descobrir em apenas um mês da vida dela, um mês crucial e definitivo, um mês marcado na história. Daniel consegue transmitir o quão aquela guerra transformou Lincoln, o quanto ela pesa nos ombros dele, e o quão ansioso e desejoso ele esta por resolver à situação. Não ela Day-Lewis ali, era o Abraham Lincoln. Os elogios proferidos ao ator inglês (sim meus amigos, ele é inglês) não são de maneira nenhuma exagerado.

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Em certo momento do filme o personagem de Tommy Lee Jones, que é um ex-rival de Lincoln, vai fazer um discurso na Assembléia que votará a aprovação da 13ª Emenda, ele vai falar sobre o seu verdadeiro propósito. E diz: “Eu não concordo com a igualdade em todas as coisas, eu concordo com a igual perante à Lei e nada mais”.

E ele completa e explica seu ponto de vista, tudo ao som da bela trilha de John Williams, num dos poucos discursos do cinema que me deixou arrepiado. Por que eu disse tudo isso sobre o personagem? Para dizer que a atuação de Tommy Lee Jones foi tão boa ou até melhor que a de Daniel Day-Lewis.

Spielberg aposta numa fotografia escura e quase sempre como planos abertos, exagera nas sombras e feixes de luz das janelas, sempre cobertas por cortinas. Em certos momentos chega a ser claustrofóbico ver o filme. Talvez tenha sido intencional, para nos fazer sentir o que Lincoln sentia, a pressão que ele sentia e o desejo de acabar com a Guerra e ao mesmo tempo com o regime escravocrata nos Estados Unidos. Achei bem sucedida a tentativa de Spielberg. A trilha de John Williams não precisa de palavras, é sempre brilhante e duas cenas ficam como referência. O discurso de Tommy Lee Jones como já referi. E a genial última cena de Lincoln no longa, quando ele caminha de costas com sua bela Cartola, e a fotografia o enquadra numa perfeita posição para as cortinas da porta à sua frente formarem asas como se ele fosse um anjo. Eu achei essa concepção genial tanto de Spielberg como na trilha suave em tom de despedida dos sopros de Williams.

Daniel Day-Lewis e Steven Spielberg

Pra fechar vale deixar claro duas coisas: Lincoln não é um filme com uma grande trama ou surpresas de roteiro. É uma biografia (apesar de eu não achar), é baseada em fatos históricos e não tem nada de ficção ou fantasia como o outro Abraham Lincoln que caçava vampiros. Ou seja, se você conhece um pouco de história americana não ira se surpreender. Tem mais um ponto à levar em conta, Lincoln não é um filme divertido, nem deveria ser. É uma bela obra cinematográfica, belíssima, mas para os amantes do cinema e da história.

Lincoln chega aos cinemas nesta sexta-feira, dia 25 de Janeiro, e tem direção de Steven Spielberg. O roteiro do longa é baseado no livro Team Rivals de Doris Kearns Goodwin. O elenco do longa conta com nomes como Daniel Day-Lewis (Gangues de Nova York), Tommy Lee Jones (Onde os Fracos não Têm Vez), Joseph Gordon-Levitt (A Origem), Sally Field (O Espetacular Homem-Aranha), Jackie Earle Haley (Watchmen), David Strathairn (O Ultimato Bourne) e outros.

Você já viu o filme, o que achou? Conte-nos nos comentários ou deixe a sua nota na página do filme aqui no Supernovo.

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