Conheça o BB-8, a inovação tecnológica de Star Wars e da Disney

Leandro de Barros

  domingo, 19 de abril de 2015

Coluna /// Sala9 Sala9

Conheça o BB-8, a inovação tecnológica de Star Wars e da Disney

Como a Disney criou o próximo grande ícone comercial do seu panteão ao mesmo tempo em que levava mais tecnologia para a maneira como se fazem os filmes

Quando o primeiro trailer de Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força foi divulgado, muitas coisas chamaram a atenção dos fãs: o retorno da Millennium Falcon, o sabre de luz do vilão do filme, o novo protagonista chamado Fynn (vivido por John Boyega)…

Mas se teve um elemento do trailer que realmente se destacou foi o BB-8, o robôzinho em formato de bola que aparece rolando pelo deserto de Jakku (novo planeta da franquia).

Por causa do seu formato intrigante e da sua movimentação (a sua “cabeça” é capaz de andar por toda a superfície do seu corpo), inicialmente a gente achava que o BB-8 era feito através da magia do Photoshop no computador.

A nossa surpresa: ele existe de verdade e funciona bem como é mostrado nos trailer do filme. Como isso é possível? Com a magia da tecnologia em prol do entretenimento.

The droid you’re looking for

A segunda trilogia de Star Wars (os Episódios I, II e III) é muito criticada pelos fãs da franquia por muitas razões diferentes.

Um dos motivos de crítica é o uso exagerado de efeitos digitais nos longas. Claro, eles existiam também na trilogia original, mas existia muito menos opções do que era possível fazer na pós-produção nos anos 70 e 80 do que nos anos 2000.

O próprio Yoda, que é totalmente feito em CGI na segunda trilogia, é o símbolo dessa insatisfação dos fãs, que receberam um universo bem menos crível e vivo do que em décadas passadas.

yoda dancando star wars

Isso não aconteceria se o Yoda ainda fosse um boneco…

Com isso em mente, o diretor J.J. Abrams (Super 8) queria fazer a maior quantidade possível de efeitos práticos nesse primeiro Episódio da nova trilogia de Star Wars.

Abrams não é bobo: sabe que a confiança para os próximos filmes da franquia reside em reconquistar a confiança dos fãs com esse O Despertar da Força e, para isso, o mais sábio é apostar no que deu certo.

Essa longa introdução veio apenas para contextualizar o que a Disney e Abrams estavam procurando na pré-produção do Episódio VII – as melhores alternativas para manter os efeitos do filme o menos digital possível.

”O BB-8 seria muito melhor para o filme, para os atores, para o set e até para o visual dele mesmo se ele existisse de verdade [ao invés de ser em CGI]”, disse J.J. Abrams

Com isso, Abrams e a Disney entraram em contato com a Sphero, uma empresa de tecnologia do estado do Colorado, nos EUA, para a produção do BB-8.

A Sphero é uma das empresas que faz parte de um programa de aceleração empresarial da Disney. O programa é destinado a ajudar empresas tecnológicas inovadoras a desenvolver seus negócios de maneira mais rápida.

A Sphero é, como ela própria se define, uma empresa que pretende “fundir as brincadeiras digitais e físicas ao criar brinquedos e robôs que você pode controlar com um dispositivo inteligente”.

Juntas, as duas empresas desenvolveram o BB-8 para que ele pudesse atuar de verdade nos sets de Star Wars: Episódio VII e foi assim que o robôzinho nasceu, juntando a parte boa da trilogia antiga (os efeitos práticos) com a capacidade tecnológica dos tempos atuais.

The Force is strong in this one

BB-8, o robô de Star Wars Episódio VIIA gente sabe algumas coisas sobre o BB-8: que ele existe, que ele é absurdamente fofo e que ele (provavelmente) vai roubar a cena em O Despertar da Força.

O que a gente não sabe é como ele funciona, afinal.

Pode parecer uma dúvida boba à primeira vista (oras, é um robô, certo? Funciona com pequenos duendes mágicos como todo robô que existe…), mas o BB-8 tem algumas especificações que parecem diferentes demais para serem reais.

Por exemplo, além da sua cabeça girar de maneira totalmente independente do seu corpo, a cabeça do BB-8 ainda consegue andar por toda a superfície do seu corpo. Não existe um “suporte físico” vísivel, um esqueleto para o robô.

Então… como o BB-8 funciona?

Aí que está a questão, certo? Porque, com a exceção do pessoal da Sphero, ninguém mais sabe como é a tecnologia por trás do robôzinho. Mas a gente pode especular um pouco.

Adivinhar como funciona a parte debaixo do BB-8 não é uma tarefa muito difícil. A mesma Sphero que construiu o robô tem um brinquedo no seu site oficial que se chama Sphero também e é basicamente uma bola controlada por aplicativos em dispositivos inteligentes, como tablets ou celulares.

Com um giroscópio e uma série de rodinhas que se movem dentro da sua estrutura, a Sphero é capaz de girar em todas as direções com facilidade de controle pelo seu usuário. A primeira parte do quebra-cabeças está solucionada, então.

Sphero, a inspiração do BB-8

Sphero, a inspiração do BB-8

Sphero, a inspiração do BB-8

Como é a Sphero 2.0 por dentro

Agora vem a parte que a gente precisa de Sherlock Holmes para ajudar. E por “Sherlock Holmes” eu quero dizer “pessoas que realmente manjam de tecnologia, mecatrônica e robótica”.

O blog Popular Mechanics tem sua teoria: de acordo com a publicação, a cabeça e o corpo do BB-8 são ligados através de uma série de ímãs que mantém a cabeça grudada no corpo. Além disso, controles remotos permitiriam controlar a cabeça do BB-8 separadamente do seu corpo.

O jornal britânico The Daily Mail tem uma teoria parecida. A publicação conversou com o Professor Will Stewart, do Instituto de Engenharia e Tecnologia de Londres, e teoria que a cabeça do BB-8 tenha um giroscópio próprio, para que ela possa saber “para qual lado é cima”. Além disso, o professor teoriza que a cabeça do BB-8 esteja ligada ao seu corpo através de uns rolamentos magnéticos.

Por fim, o pessoal do Jalopnik tem uma teoria um pouco diferente. Eles imaginam que a cabeça do BB-8 não possui nada dentro, exceto os imãs necessários para ligá-la ao seu corpo e alguns LEDs.

Eles até desenharam um esquema de como seria o BB-8 por dentro:

Possivel especificação do BB-8

E no futuro?

Com todo esse charme rolante, o BB-8 é a grande aposta da Disney para se tornar o novo mascote da franquia Star Wars, talvez até mesmo substituindo o adorado R2-D2.

Para isso, a empresa já possui um plano de mercado para faturar alto com a possível popularidade do personagem.

Lembram que a gente comentou que a Sphero produz brinquedos controláveis por smartphones?

Pois bem, o plano é malignamente genial: Disney e Sphero estão trabalhando numa linha de brinquedos temáticos de Star Wars, muito provavelmente com um BB-8 em tamanho real comercializado para quem estiver disposto a ter um brinquedinho desses em casa – ou seja, uns 90% do público do filme.

A expectativa é que os brinquedos estejam disponíveis até o fim do ano, quando O Despertar da Força estreia.

Até lá, a gente vai aprendendo como tecnologia pode ser usada para evoluir a maneira como filmes são feitos e ainda, de quebra, gerar uma toneladinha de dinheiro para o estúdio que financia toda a brincadeira.

Veja algumas imagens do BB-8 em ação:

Sobre » Sala9

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