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Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge – Crítica

  Eder Augusto de Barros  |    terça-feira, 24 de julho de 2012

Nolan conseguiu com The Dark Knight Rises completar a máxima do "caímos para aprender à nos levantar" e expõe isso no longa de maneira trivial.

Vamos tentar deixar esse artigo sem spoilers meus amados leitores, Nolan agradece.  Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, ou The Dark Knight Rises se você preferir, e, o filme é espetacular, é tudo que esperávamos, mas tudo à seu tempo se você me entende.

Oito anos se passaram desde que o Batman desapareceu na noite, se transformando de um herói para um fugitivo num instante. Assumindo a culpa pela morte do promotor Harvey Dent, o Cavaleiro das Trevas sacrificou tudo pelo que ele e o Comissário Gordon esperavam ser o bem maior. Durante o tempo em que a mentira funcionou, a atividade criminosa em Gotham foi massacrada pela força do Ato Dent. Mas tudo irá mudar com a chegada de uma esperta ladra com planos misteriosos. Bem mais perigoso, porém, é o surgimento de Bane, um terrorista mascarado cujos planos cruéis para Gotham fazem com que Bruce deixe seu exilo. Mas mesmo que ele vista a capa e o capuz novamente, o Batman pode não ser páreo para Bane.

Bem, eu não vou responder suas imensas dúvidas nesse texto, não é o objetivo aqui. O roteiro é sensacionalmente bem escrito pelos irmãos Christopher e Jonathan Nolan, é perfeitamente bem amarrado ao restante da trilogia, Nolan conseguiu com The Dark Knight Rises completar a máxima do “caímos para aprender à nos levantar” e expõe isso no longa de maneira trivial. A conclusão da trilogia é épica e um marco para os filmes do gênero com toda a certeza.

Acho que a palavra longa, encaixa como uma luva para o filme, ele é longo demais, talvez desnecessariamente e com toda a certeza desse mundo vamos ouvir críticos e críticos, e muitos deles vão apontar esse fato como um ponto negativo do longa. Realmente para quem está de fora do mundo Batman, e principalmente de fora do mundo Nolan, vai achar desnecessário, mas quem esta completamente dentro disso tudo vai emergir completamente na trama densa à qual somos presenteados e nem vamos sentir o desgastante tempo de duração do filme.

Christian Bale nos entrega sua atuação mais complexa nas peles de Bruce Wayne e Batman, Nolan conseguiu colocar Bale em posição de extrair o máximo de sua capacidade para uma vida dupla, o ator está muito maduro neste filme. Anne Hathaway também é brilhante como Selina Kyle, e ainda mais como a Mulher-Gato, ela consegue nos presentear com toda a sagacidade necessária para a personagem, toda a malandragem, mas que também sabe ser meiga e coagida quando preciso. Quem reclamar do visual é saudosista e vai reclamar de tudo que o Nolan fez. A norma de Chris é manter o Batman o mais plausível possível, dentro dos limites de um herói de  quadrinhos, e ele repete mais uma vez.

Bane! Ah, o Bane! Devo admitir que sou fã de Tom Hardy, e não só, sou fã de Christian Bale também. Hardy nos entregou um ótimo vilão, Nolan explorou bem o carácter do personagem, as atitudes de Bane, mas infelizmente ele não foi um vilão à altura do Coringa de O Cavaleiro das Trevas. Mas calma, não estou dizendo que foi ruim, são personagens diferentes, o Coringa era um louco, insano, e que você nunca faria as coisas que ele faz. Já o Bane de Hardy, estava brilhantemente caracterizando, porém, você poderia até fazer algumas coisas do que ele fez. Citarei outra metáfora dos filmes, que Nolan fez questão de bater na tecla, “ele não é o vilão que o Batman precisa, mas é, perfeitamente, o vilão que o Batman merece!”

Não vou falar mais à fundo do Bane, nem dos outros personagens para não estragar a surpresa de vocês, é um momento único para os fãs e deve ser curtido em toda a essência que ele merece. Escolhi falar rapidamente apenas do trio principal para matar a curiosidade.

Visualmente o filme é grandioso e já me falta adjetivos para ele, tipicamente um retrato do diretor, a fotografia em momentos urbanos que lembra muito A Origem, muito elogiada e premiada inclusive, novamente com Wally Pfister na direção de fotografia como no restante da franquia. Aliás, a dupla emplacou os outros dois como indicados ao Oscar nessa categoria, e é definitivamente um ponto à se ter em conta. Igualmente à trilha sonora completamente imersiva de Hans Zimmer que dispensa comentários, também responsável pelos dois primeiros da trilogia e por outros tantos filmes de sucesso e premiados.

Christopher Nolan aposta no ditado de que “em time que está ganhando não se mexe” e escala a maioria, senão todos, os envolvidos nos dois primeiros filmes desta brilhante trilogia que revolucionou o mercado de filmes de super-heróis, revolucionou e re-inventou a maneira como às pessoas comuns enxergam o Batman, nos entregou filmes, sim no plural, com roteiros maravilhosos, densos, sombrios e ao menos tempo entusiasmantes à cada cena. Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge é a cereja que faltava no bolo, eu diria que uma cereja gigante.

Não me pergunte se eu acho ele melhor que o The Dark Knight, eu ainda não sei, são filmes diferentes, incompatíveis para se comparar, pelo menos por enquanto. Verei mais uma vez, no cinema novamente. Se existia alguma dúvida se iria ver no cinema ou não, você tem problemas, claro que você tem que ver no cinema, esse é um momento único para o cinema de gênero e você, se gosta, tem que estar presente.

Você ainda pode ouvir nossas Teorias malucas para o filme no BananaCast #13, que gravamos antes de ver o filme. Não me pergunte se acertamos, eu não vou responder, ainda.

The Dark Knight Rises, chamado de O Cavaleiro das Trevas Ressurge no Brasil, conta com Christian Bale (Bruce Wayne / Batman), Morgan Freeman (Lucius Fox), Michael Caine (Alfred), Gary Oldman (Comissário Gordon), Tom Hardy (Bane), Anne Hathaway (Selina Kyle / Mulher-Gato), Marion Cotillard (Miranda Tate), Joseph Gordon-Levitt (John Blake) e Juno Temple (Holly Robinson) no elenco. Direção de Christopher Nolan.

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