Música Boa Que Você Talvez Não Conheça: Epik High

Thiago Alencar

  sexta-feira, 07 de novembro de 2014

Música Boa Que Você Talvez Não Conheça: Epik High

Conheça o hip-hop sul-coreano do trio Epik High

“Se for pra começar algo, é melhor começar de forma épica” era o que minha avó falava quando eu era mais jovem. Ou pelo menos é o que eu gosto de fingir que ela falava. Mas, vamos reviver o MBQVTNC com algo, de fato, épico: o trio de hip-hop sul-coreano, Epik High. Um grupo que se aproveita de um dos idiomas mais propícios ao rap e tem mantido um altíssimo nível de qualidade em seus lançamentos.

Surgido em 2003 sob as asas da recém-fundada Woollim Entertainment, o EH é formado pelos rappers Tablo e Mithra Jin e pelo DJ Tukutz. A história do grupo pode ser traçada quase como a própria história do próprio hip-hop na Coréia do Sul, sendo um dos grupos mais populares do gênero no país (talvez atrás apenas do Dynamic Duo), desde a explosão que tiveram com seu 3º CD, Swan Songs e seu lead single, Fly (que faria parte, inclusive, da trilha sonora de FIFA 07).

O grupo continuaria com uma série de hits, ajudando a popularizar o Hip-Hop na Coréia do Sul e o tornando cada vez mais mainstream (mais ou menos como vimos nos anos 90/começo dos anos 2000 no Ocidente), com seu principal álbum sendo lançado em 2007, Remapping the Human Soul. As duas “title tracks”, inclusive condensam a essência do estilo do Epik High. Enquanto “Love Love Love” é uma música mais leve e com um Music Video que se utiliza de tons mais claros e diferentes estilos de fotografia, “Fan” abusa da temática mais sombria, com uma batida mais urgente e ativa.

Eles continuariam sendo um enorme sucesso, misturando diversas influências, incluindo aí rock (a Woollim, inclusive, é a casa de uma das mais lendárias bandas de rock sul-coreano: Nell), jazz, soul e pop pelos anos seguintes, sendo constantemente premiados como “melhor artista de hip-hop” nas principais premiações sul-coreanas (Mnet Asian Music Awards, Seoul Music Awards e Golden Disk Awards), fundando sua própria gravadora (Map the Soul, que fecharia depois por um golpe de um dos administradores contratados pelo grupo) e voltando a Woollim para um último álbum, Epilogue, enquanto Tukutz iniciava seu serviço militar mandatório (período obrigatório de 2 anos na Coréia do Sul). “Run”, a title track do album, representaria, inclusive, a nova imagem do grupo (e conta com alguns dos membros da primeira boy band da WE, Infinite no MV).

Em 2010, com a ida do Mithra Jin pro serviço militar, o Tablo (que não precisou ir por ser canadense) acabou enfrentando um dos maiores problemas da Coréia do Sul: a cultura de ódio espalhada pela internet no país. Movidos por dúvidas sobre o background escolar do Tablo (formado em Stanford e com um mestrado em 3 anos e meio), varios internautas passaram a assediá-lo e a sua família, envolvendo tanto a mídia sul-coreana quanto a polícia no caso, que resultou com um documentário dele provando a sua formação, o líder do principal fansite (conhecido como “tajinyo” ou “nós queremos a verdade do Tablo”) preso e mais 22 pessoas intimadas pela polícia.

Tablo lançaria, por fim, seu solo sob uma nova empresa, a YG Entertainment (uma das maiores, se não a maior, empresa de entretenimento sul-coreana), com algumas das melhores músicas de sua carreira, como Bad, e Tomorrow (que tem a participação do Taeyang, membro da boy band da YGE, BIGBANG – mais popular idol group do país – e principal cantor de R&B da Coréia do Sul).

O grupo voltaria, finalmente, em 2012, com sua primeira música em 3 anos, “It’s Cold” (com participação da solista Lee Hi) e anunciando que o grupo todo agora faria parte da YGE. Com o lançamento de “99” o grupo algumas críticas por soar muito “pop” e influenciado pelos seus novos companheiros de gravadora. As title tracks “Don’t Hate Me” e Up, em especial, sofreram por seu tom mais leve e voltado pra festa, respectivamente.

Mesmo passando relativamente em branco no seu aniversário de 10 anos em 2013, o Epik High respondeu todas as críticas possíveis com seu novo albúm. Entitulado ‘Shoebox’, o 8º CD do grupo marcaria não só um retorno a uma veia mais hip-hop pro grupo, como também colocaria, de uma vez por todas, um fim em qualquer dúvida sobre o quão importantes Tablo, Mithra e Tukutz são pro estilo no país.

As title tracks ‘Happen Ending’ e ‘Spoiler’ mostram em perfeição toda a melodia do grupo e uma profunda compreensão dos estágios pelos quais o fim de um relacionamento passa. Um dos melhores cds do ano, Shoebox tem uma série de highlights, como a versão do Tablo pra ‘Eyes, Nose, Lips’ do Taeyang, ‘Burj Khalifa’ (com participação do Yankie e Gaeko do Dynamic Duo), ‘We Fight Ourselves’ (com a Younha) e ‘Amor Fati’ (com o Kim Jongwan do Nell), com o principal destaque ficando pra pre-release track, ‘Born Hater’.

Havia um pouco de receio entre os fãs de que a música seria mais um showcase dos novos rappers dos grupos da YG Entertainment (Song Minho do WINNER, B.I e Bobby do iKON), Born Hater acabou por se mostrar uma das mais simples e representativas produções em coreano. Com cada rapper falando sobre suas experiências com “haters”, ela não só é a melhor música do Shoebox, como traz alguns dos melhores versos do Tablo e do Mithra, combinados com letras ótimas dos outros dois rappers convidados, Beenzino e Verbal Jint e uma das melhores batidas da carreira do Tukutz e se tem, talvez, a melhor produção de rap da Coréia do Sul. Pouca coisa pra um grupo que muita gente achou ter acabado após o Epilogue e o escândalo do Tablo?

Fiquemos, por fim, com as duas partes do show do Epik High pro canal 1theK.


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