Veep: a Casa Branca em Estado de Alerta Defcon F#ck!

Ronaldo D'Arcadia

  quinta-feira, 04 de julho de 2013

Veep: a Casa Branca em Estado de Alerta Defcon F#ck!

Um breve resumo dos motivos que fazem de "Veep" uma das melhores séries de comédia da atualidade.

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O britânico Armando Iannucci é um especialista na arte de apresentar a política em sua mais pura forma: a comédia. Munido de uma verve documental impagável, o diretor comanda hoje o seriado “Veep”, que desponta como uma das mais inteligentes e engraçadas produções da HBO. Como protagonista, está ninguém menos que Julia Louis-Dreyfus, experiente atriz que tem no currículo a icônica personagem Elaine, de “Seinfeld” – talvez a mais respeitada série de comédia de todos os tempos. A união deles – aparentemente improvável – mescla com perfeição o melhor do humor inglês contemporâneo, com o escárnio clássico americano, que Dreyfus basicamente ajudou a moldar. 

O show acompanha o atarefado –  ou por muitas vezes superficial – dia a dia do gabinete da Vice-Presidente dos Estados Unidos Selina Meyer, também conhecida como Veep. Auxiliada por uma equipe de fiéis escudeiros, ela luta para ser vista como uma peça importante no cenário político americano, e não apenas como um bibelô que serviu como joguete estratégico na vitória do presidente. O único problema é que Selina é totalmente maluca, mas em “Veep”, todos na Casa Branca são.

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Construindo a Personagem Perfeita

O grande mérito da série é a construção perfeita de Selina. Ela é tão meticulosamente estruturada e interpretada, que é impossível não se afeiçoar logo de cara. Veja bem, a Vice-Presidente não é uma Sarah Palin qualquer, ela é inteligente, luta avidamente por sua agenda (que no geral são banalidades) e tem seus momentos de glória.

O fato é que a excentricidade de Selina vai além de qualquer limite da razão, o que proporciona situações hilárias nesta Washington altamente ácida e imperdoável. Dentro de um ambiente político mesquinho, que é vorazmente acompanhado por uma mídia inescrupulosa, sua personalidade ímpar se torna uma piada viral de tempos em tempos (#Mammary Meyer #Meyer the Liar #Wicked Witch of the West Wing #Veep Throat #Voldemeyer #Dickless Van Dyke #Selena Meh #Vaselina #VeepILF).

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Existe também em Selina uma naturalidade que não condiz com a imagem pública de uma presidente. São nesses momentos de intimidade que a personagem se torna crível para a audiência. Sua forma desbocada de falar sobre sexo, seu relacionamento conturbado com a filha e o ex-marido, suas variações de afeição e total desprezo pelos membros de sua equipe. Tudo é edificado por um roteiro exemplar, que consegue criticar, caçoar e antagonizar a política de maneira relevante, explorando ao mesmo tempo as banalidades sociais da vida particular da Vice. O tom documental adotado por Iannuci serve então para tornar o andamento orgânico, fluido, esteticamente atrativo e humanamente realista – mesmo que tudo seja infinitamente absurdo. No geral, o que vemos é uma abordagem criativa, alicerçada por um alto nível técnico e narrativo.

No excelente time de coadjuvantes temos Anna Chlumsky (a garota de “Meu Primeiro Amor”) como a obstinada Amy, Tony Hale (famoso por sua participação em “Arrested Development”) é o sempre fiel Gary, Reid Scott interpreta o oportunista Dan, Timothy Simons como o hilário e inconveniente Jonah e Matt Walsh empresta sua cara de desinformado para o incompetente Mike.

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Conduzindo Miss Meyer

Armando Iannucci ganhou boa parte de sua experiência como diretor conduzindo a famosa série (pelo menos na Inglaterra) “I’m Alan Partridge”, que acompanha a vida de um ex-apresentador de TV fracassado (interpretado pelo sempre ótimo Steve Coogan) que, para sua completa vergonha, acaba à frente de um mísero programa de rádio na cidadezinha de Norwich.

No entanto, foi com “The Thick of It” que Iannucci desenvolveu seu estilo peculiar de se fazer comédia política. A produção satirizava o modus operandi do governo Britânico, tudo de maneira documental – formato que se tornou sua marca registrada. Em 2009 o diretor realizou o ótimo longa-metragem “In The Loop”, que além de abordar de maneira jocosa os políticos Britânicos, também envolveu na bagunça o governo Americano – o termo in the loop, em uma tradução livre, significa “entrar na roda”. No filme, o plote gira em torno da Guerra do Iraque, e como ela causou um mal-estar tremendo nos líderes responsáveis por torná-la pública: se alguém dizia ser a favor, desagradava um lado, se dizia que era contra, ofendia outro. E no meio desse jogo de aparências, todos suavam frio frente às câmeras de TV. Uma hipocrisia simplesmente hilária.

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Você precisa assistir “Veep”

A segunda temporada de “Veep” acabou faz pouco tempo, e com seu desfecho veio a comprovação de que a série é uma das mais bem elaboradas sátiras políticas de que se tem notícia. A construção do universo presidencial – com toda a movimentação da Casa Branca, suas alas exclusivas e seu status superficial – é incrível. Dreyfus é perfeita como a Vice Selina, sem dúvida o melhor papel de sua carreira até agora. É algo inovador, e bem diferente de tudo que vem sendo feito no universo televisivo. Não perca tempo e assista.


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