Trilhas Sonoras: o que você anda ouvindo?

Ronaldo D'Arcadia

  quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Trilhas Sonoras: o que você anda ouvindo?

Se a música é um barulho que pensa, a trilha sonora é o som que questiona.

Ultimamente tenho consumido trilhas sonoras de maneira voraz. Acho que não existe nada melhor do que transformar sua ida ao trabalho, por exemplo, em uma experiência cinematográfica, cujo tom dependerá apenas de sua escolha. E com esse pensamento em alta resolvi falar um pouco sobre elas, as trilhas sonoras originais, tão importantes para o resultado final de uma obra.

Mas definitivamente é impossível fazer uma lista de melhores trilhas sem ser injusto – são tantas composições inspiradas que fica difícil enumerá-las.  Por isso vou tentar falar aqui sobre trabalhos que ecoam em minha mente nos últimos tempos. Alguns deles são recentes, outros nem tanto. Mas no geral, são linhas impressionantes, que vão além de sua função de conduzir uma sequência de imagens. São obras de arte, programadas para atingir nosso subconsciente de forma arrasadora e inesquecível.

John Murphy:

Bem. Vou começar falando do trabalho de um cara que, para mim, é um dos melhores compositores da atualidade: o britânico John Murphy.  Incrivelmente, ele é autodidata, sendo este talvez o seu maior diferencial. Mas o fato é: ele consegue imprimir tamanho sentimento em seus trabalhos, que fica difícil ignorá-los. Sua mistura de música clássica com elementos pop, guitarras e batidas sintetizadas é de uma criatividade imensa, sendo o resultado sempre marcante.

Recomendado:

“Adagio in D Minor”: composta originalmente para “Sunshine – Alerta Solar”. Ela também serviu como um perfeito pano de fundo para a cena “Big Daddy Dies”, de “Kick Ass”.

http://www.youtube.com/watch?v=XGB7eYsrTPQ

“In The House – In a Heart Beat”: composta originalmente para “Extermínio 2”. Esta foi maciçamente utilizada em outros trabalhos (como trailers, jogos e filmes). A cena fundamental da linha, intitulada “Don Abandons Alice”, é uma das mais aterrorizantes do cinema de horror/zumbi. É a compilação perfeita do desespero humano guiado pelo instinto de sobrevivência.

http://vimeo.com/30150762

Henry Jackman:

Henry Jackman é outro compositor britânico em ascensão. Apesar de sua curta carreira no cinema – que tem animações maneiras como “Montros VS. Aliens” e o ainda inédito “Detona Ralph” -, ele solidificou seu nome no meio através da parceria com o diretor Matthew Vaughn, com quem trabalhou em “Kick Ass” e “X-men: Primeira Classe”. Sua colaboração com Elton John, em “Written in the Stars”, também lhe enche de moral.

Recomendado:

“Flying Home”: composta originalmente para “Kick Ass”. Jackman divide os créditos desta com o já citado John Murphy. Um tema heróico e instigante, que estabelece o tom  do filme todo.

“Magneto”: composta originalmente para “X-men: Primeira Classe”. Este foi com certeza o melhor trabalho de sua carreira, sendo o destaque este épico tema do emblemático vilão Magneto.

http://www.youtube.com/watch?v=d1ROYv672_o

Hans Zimmer:

Hans Zimmer é um compositor mais que consagrado em Hollywood. A carreira do alemão é uma das mais prolíferas do cinema – são 149 trabalhos. Sua verve passeia por linhas metálicas, repletas de coros melódicos misturados a sons sintetizados, além dos fundos orquestrados.

Seu nome está registrado na história através de obras como “Rain Man” (primeiro grande sucesso ao ser indicado ao Oscar de Trilha Sonora Original), “Rei Leão” (pelo qual ganhou o Oscar), “Conduzindo Miss Daisy”, “Thelma & Louise”, “Além da Linha Vermelha”, “Gladiador”, “O Chamado”, “Os Simpsons – O Filme”, além dos games “Call of Duty: Modern Warfare 2” e “Crysis 2” (trabalhos brilhantes, diga-se de passagem). Recentemente ele iniciou uma parceria com o diretor Christopher Nolan, trabalhando em seus últimos filmes: a trilogia “Batman” completa e “A Origem”. O resultado foi algo sem igual.

Recomendado:

“Molossus”: composta originalmente para “Batman Begins”. Com esta composição, Zimmer compete de igual para igual com o tema de Danny Elfman para “Batman”, de Tim Burton.

“Dream is Collapsing”: composta originalmente para “A Origem”. Quando andava pelas ruas ouvindo esse som, me lembro de pensar que seria totalmente concebível se os prédios à minha frente se dobrassem magicamente. Não haveria espanto algum. A trilha me deixava preparado caso isso acontecesse.

Ouça também a música “Aurora”, feita por Hanz Zimmer para as vítimas do massacre do cinema de Aurora, Colorado (EUA). A renda do trabalho será destinada 100% a ONG “Aurora Victim Relief” (clique aqui para ouvir).

Clint Mansel:

É interessante perceber como o diretor Darren Aronofsky encontrou em Clint Mansell o companheiro ideal para suas trilhas sonoras. Na verdade, o elo parece ser principalmente de amizade, levando em consideração que o compositor trabalha com o diretor desde seu primeiro filme, “Pi”. Nele, Mansell já demonstrava sua capacidade peculiar de perturbar a audiência com linhas impactantes e assustadoras, algo que se desenvolveu de forma mais expressiva em “Requiem para um Sonho” – seu maior êxito, sendo o destaque principal a sombria “Lux Aeterna”.

No currículo do cara tem ainda “A Fonte da Vida”, “O Lutador”, “O Cisne Negro” (todos estes de Aronofsky), “Moon” (excelente ficção cientifica de Duncan Jones), e até mesmo o blockbuster dos games “Mass Effect 3”.

Seus temas eletrônicos e pulsantes são simplesmente alucinantes. Não sou muito fã de música eletrônica – curto Prodigy entre outras poucas coisas -, mas sem dúvida a verve desse cara é obrigatória.

Recomendado:

“πr²”: originalmente composta para “Pi”.  Se você ainda não viu “Pi”, faça isso imediatamente. O filme aborda a vida de Maximillian Choen, um matemático que almeja encontrar na proporção numérica Pi um padrão do comportamento humano, e consequentemente da bolsa de valores. Tome cuidado para não ficar louco assistindo.

“Lux Aeterna”: originalmente composta para “Requiem Para um Sonho”. Este tema é muito conhecido, e com certeza não foi usado em outras produções por ser marcante demais e remeter instantaneamente ao seu filme de origem. A única vez em que ouvi a canção em outra obra foi no trailer de “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”. Ficou sensacional também.

http://www.youtube.com/watch?v=hKLpJtvzlEI

Alan Silvestri e John Willians:

E finalizando esta lista – para não dizer que não falei dos clássicos – temos trabalhos de Alan Silvestri e John Willians.

Alan Silvestri é um mestre (principalmente oitentista) desta arte. Ele já compôs para filmes como “De Volta para o Futuro”, “Comando Delta” (só eu me lembro desta trilha inesquecível?), “O Navegador do Espaço” (lembram desse? Acho que passava no SBT como o “O Vôo do Navegador”. Sensacional), “Uma Cilada para Roger Rabbit”, “O Segredo do Abismo”, “Forrest Gump, o Contador de Histórias”, e mais recentemente “Capitão América: O Primeiro Vingador” e “Os Vingadores”.

Mas a trilha de Silvestri que ficou comigo até hoje foi a de “O Predador”. Para mim aquilo é genial. Os elementos percussivos sombrios, com seus tambores surreais, os trompetes militares, o clima de tensão potencializado a cada minuto. Simplesmente fantástico.

Recomendado:

Main Title: originalmente composta para “O Predador”. “Dillon, you son of a bitch!” (BOOM!)

E tentando fugir do óbvio quando o tema é John Wilians, não vou falar de “Tubarão”, “Guerra nas Estrelas”, “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”, “Superman”, “Os Caçadores da Arca Perdida”, “E.T. – O Extraterrestre” e por aí vai. Vou falar de “A Lista de Shindler”, onde o mestre realizou uma das mais dilacerantes trilhas do cinema. Uma beleza triste pela qual é impossível não se comover.

Recomendado:

“Theme from Schindler’s List”: originalmente composta para “A Lista de Shindler”. Mais triste que essa composição de Willians, só mesmo a judaica “Yerushalaym Shelzahav”, ou “Jerusalém de Ouro”, canção escrita por Naomi Shemer, que se tornou praticamente um segundo hino de Israel (ouça aqui).

Tem alguma trilha que está escutando no momento? Por favor, deixe nos comentários. Valeu!


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