Para Assistir em Casa: Oblivion

Ronaldo D'Arcadia

  quinta-feira, 05 de setembro de 2013

Para Assistir em Casa: Oblivion

"Oblivion" é uma ótima opção de Sci-Fi para se assistir no conforto do lar.

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A palavra “Oblivion” parece não ter uma tradução exata para o português. Esquecimento, no caso, seria uma adaptação para algo próximo de ausência, vazio, abstração, ou até mesmo tudo isso junto. No Sci-Fi do diretor Joseph Kosinski, estrelado por Tom Cruise, o tema discutido é a falta de significados que corroê até mesmo os mais bem moldados seres humanos, através da ausência de sentido ou mesmo personalidade.

Na história, acompanhamos esta busca por respostas do Tech 49 Jack Harper, que trabalha em um inóspito planeta Terra, recém atacado por uma raça alienígena. Após nossa Lua ser destruída, o mundo entrou em colapso, e toda a população teve de abandoná-lo. Os humanos agora vivem em Titã, maior lua de Saturno. Jack permaneceu na Terra para realizar a manutenção dos drones que protegem a extração de bem naturais dos mares, que vão diretamente para Titã. Ele e sua parceira Victoria são comandados pelos lideres situados na estrutura Tet, que é basicamente um posto de controle no espaço que observa de perto o trabalho dos dois. Obviamente, complicações surgirão no caminho de Jack, e sua mente questionadora acabará por guiá-lo rumo a novas informações sobre os alienígenas que os atacaram tão impiedosamente.

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Analisando de forma abrangente, a história do filme (baseada na graphic novel não publicada do próprio diretor) possui alguns elementos que hoje podem ser considerados genéricos. Mesmo assim, o roteiro oferece suas surpresas, mas, acima de tudo, se preocupa em amarrar seus argumentos e explorar de maneira melancólica os sentimentos dos solitários personagens – um trabalho eficiente no final das contas. Estes sentimentos formam a sólida base que faz de “Oblivion” um trabalho de personalidade própria, e não apenas mais um clone de um clone.

No entanto, o grande ponto positivo da obra é sua parte técnica. Kosinski já havia demonstrado do que era capaz (visualmente falando) com “Tron: O Legado”, fita muito bem dirigida que sucumbiu diante de um roteiro extremamente falho. Aqui, percebemos as muitas qualidades do diretor: sua preocupação na composição das cenas, seus enquadramentos sempre atrativos, o uso inteligente de efeitos visuais, fotografia arrasadora… Cada sequência é importante para ele, fator que o fará alçar voos ainda mais altos daqui em diante, assim aposto.

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A trilha sonora de Joseph Trapanese é outra peça fundamental que potencializa a forma com que experienciamos o longa. Misturando música clássica com eletrônica, o compositor faz de suas belas linhas o acompanhamento perfeito para o estado contemplativo permanente ofertado por Kosinski, cheio de paisagens bucólicas, solitárias e levemente mórbidas. É possível perceber que a base sonora construída por Trapanese se assemelha levemente ao trabalho de Hans Zimmer nos últimos dois episódios da franquia “Batman”, mas outras ideias criativas agregam novas qualidades a sua sonoridade.

Por fim, temos um elenco que trabalha em sintonia. O filme consegue ir além do esteriótipo “este é um filme do Tom Cruise”, e o ator, inteligentemente, se esforça para que isso aconteça. Cruise demonstra humildade e também muito empenho em realizar um bom trabalho. No final, ele entrega um Jack Harper muito relevante, que merece ser lembrado. O restante do elenco é formado por Morgan Freeman (como o sobrevivente Beech), Olga Kurylenko interpreta Julia (a evolução da atriz é realmente notável), Andrea Risebourough dá vida a companheira Victoria, Nokolaj Coster-Waldau faz uma participação de poucas palavras como Sykes, e Melissa Leo incorpora Sally, o avatar perfeito da ilusão.

Em resumo: “Oblivion” é um filme belíssimo, que tem uma direção competente, trilha sonora instigante e atuações eficientes. Alguns problemas de ritmo e roteiro existem, mas eles não interferem na apreciação do longa. Este é um Sci-Fi que definitivamente vale a pena ser visto. 

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