Os Bandidos do Tempo – Crítica

Ronaldo D'Arcadia

  sábado, 27 de abril de 2013

Os Bandidos do Tempo – Crítica

Terry Gilliam construiu, de maneira artesanal, um dos maiores clássicos do cinema de fantasia

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Por um motivo ou outro, levei um bom tempo para finalmente conferir Os Bandidos do Tempo”. Quando buscava incansavelmente assistir a todas as obras de Terry Gilliam, este sempre ficava para trás. Bem, pelo menos posso dizer que reservei algo especial para o final.

Não estou dizendo que o filme é superior a “Brazil”, “Monty Python – O Sentido da Vida” ou “Os 12 Macacos”, na verdade acho injusto tentar eleger um “campeão”. Mas esta obra prima da fantasia se posiciona facilmente entre os melhores trabalhos do diretor, e isso é um fato irrefutável.

Como diria o professor, a história começa sem causa, motivo, razão ou circunstância. Em uma noite qualquer, o garoto Kevin vê seu quarto ser invadido por seis anões extremamente atrapalhados. Eles estão fugindo de algo, e mais do que depressa Kevin entra de gaiato no meio desta fuga. O fato é que os pequeninos roubaram do “Ser Supremo” um mapa que contém a localização exata dos furos no tecido do universo. Sendo assim, com estas coordenadas em mãos, eles podem viajar para diferentes períodos da história, realizar grandes furtos, e escapar sem chance de serem perseguidos – a não ser pelo Ser Supremo, que está irritado com o audácia daqueles que eram seus antigos empregados. O terrível Gênio do Mal também está no encalço dos mesmos, pois deseja o mapa para fins malignos, obviamente.

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O que vemos então são as aventuras destes sete companheiros de baixa estatura (bem familiar, não?), viajando no tempo e encontrando personalidades históricas como Napoleão (o Hobbit Ian Holm), Robin Hood (o hilário John Cleese), e o herói grego Agamemnon (Sean Connery). O filme conta ainda com Shelley Duvall – recém saída de “O Iluminado” -, David Warner como o Gênio do Mal (que lembra de alguma forma o Vingador, do desenho “A Caverna do Dragão”) e Ralph Richardson como o Ser Supremo – Richardson foi um dos maiores atores britânicos do século passado, e recebe aqui uma homenagem a sua altura.

A trupe de anões não poderia ser mais carismática, talentosa e com muita história para contar. Kenny Baker, que interpreta o abobalhado Fidgit, trabalhou em filmes como “O Homem Elefante” e “Star Wars Episódios IV, V e VI”, nestes últimos interpretando (ou quase isso) ninguém menos que o robô R2-D2. Na verdade, praticamente todos os anões de “Bandidos do Tempo” atuaram em “Flash Gordon”, “Labirinto – A Magia do Tempo”, “Star Wars”, “A Fantástica Fábrica de Chocolate” e “Willon – Na Terra da Magia”.

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Outro ponto mais que interessante do filme foi a produção executiva do ex-Beatle George Harrison, amigo de longa data da gangue Monthy Python – ele foi o responsável, por exemplo, do importante “A Vida de Brian”, deu toda a grana do filme e penhorou a própria casa para isso. Como este trabalho foi praticamente um spin-off do Python (quase todos os caras estão envolvidos), o músico fez questão de participar, e ainda compôs uma excelente canção que acompanha os créditos finais.

Em resumo, “Os Bandidos do Tempo” é uma pérola do cinema de fantasia. É bizarro pensar que, quando foi lançado em 1981, o filme era vendido como um produto para crianças – não que elas não tenham surtado de alegria com o mesmo, mas os adultos também eram um alvo a ser atingido. Existe uma satisfação enorme em ver uma produção tão ousada em termos de roteiro ganhar vida de maneira totalmente artesanal, praticamente livre de efeitos visuais. Terry Gilliam fez deste um de seus mais inventivos projetos, cheios de trucagens mirabolantes, cenários grandiosos e tipicamente caraterizados com seu estilo peculiar. Além disso, vemos o enorme talento do diretor na construção das cenas, nunca se esquecendo de enfatizar o humor escrachado, que é marca registrada do grupo de ingleses.

Com um dos finais mais sem noção de todos os tempos, esta obra é simplesmente imperdível.

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