Combo 5 – Curtas de Animação do Oscar 2012

  Roberta Rampini  |    sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Você já conhece todos os Curtas de Animação do Oscar 2012? NÃO? Então arrependa-se infiel e assista à todos, aqui no Combo 5

Aí me peguei em um pequeno horário tranqüilo pela manhã assistindo a um curta muito bem inspirado. Gosto de curtas justamente porque eles são curtos. Okay, é essa a hora que vocês trocam de matéria e vão ler sobre os indicados ao Oscar. MAS CALMA! Não me odeie pela frase óbvia e redundante. Vamos lá, sente-se mais um pouco, afinal, é sexta, o expediente já acabou e nesse domingo temos a festa do Oscar. Juntando isso tudo se fez o Combo de hoje, que não é Bônus, mas é tão especial que vale até uma crítica curta – céus, chega de piada com curta antes que isso vire Facebook. BLÁ!

Se você é hipster e no domingo quer dar uma de cult finja que entenda ao menos dos curtas-metragens de animação. Você meu amigo, você aí tomando Starbucks com esse cinto vintage comprado em um brechó que você jura ser da Prada. Você irá a partir de agora saber tudo sobre os curtas de animação.

Escrever e produzir um curta com certeza gera uma sensação incrível. Os artistas podem ser mais artistas, mais despretensiosos e fiéis ao seu estilo. Assim como boa parte da graça em animações está em poder sonhar sem limites. E um belo dia essas duas energias lindas de papai do céu se encontram e surgeiram coisas primorosas como as aqui embaixo listadas.

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris

http://www.youtube.com/watch?v=Adzywe9xeIU

Provavelmente posso arriscar que La Luna da Pixar seja o mais cotado para ganhar a estatueta, porém, foi The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore que me inspirou a falar sobre curtas de animação hoje. Com certeza o que mais me chamou a atenção em TFFB é a maneira como ele se posicionou ao seu público. Você pode encontrar um aplicativo de mesmo nome na loja da Apple. Aplicativo que foi apontado pela Apple como “Top New Apps for the iPad,”. Lançado em maio de 2011, em julho já ocupava a primeira posição na lista dos aplicativos mais vendidos nos EUA.

O jogo dá ao participante (melhor palavra para descrever um espectador tão ativo que se torna um jogador) a possibilidade de interagir com os diferentes momentos do filme, podendo viajar com o furacão, aprender piano, recuperar um livro e ultrapassar as barreiras já infinitas da leitura. Apesar de não ter experimentado, o que li, é que a experiência é muito envolvente, a cada novo toque, nova descoberta, o jogo te leva a uma quarta, quinta possibilidade de descoberta e interação. Tudo nesse mundo de Fantásticos Livros Voadores é perfeito, da história do filme que surpreende no fim ao mostrar onde estava a garota que o protagonista viu no começo ao jogo que deixa claro as intenções da história, e até o motivo da criação The Fantastic Flying Books, a obra é o que se espera de um curta de animação de 2012 em 2012.

Em seu site, os criadores dizem que tiveram como inspiração o furacão Katrina, Buster Keaton, O Mágico de Oz, e um amor pelos livros. “Após o Katrina, toda a cidade de Nova Orleans ficou meio cinzenta. Ela perdeu sua cor e encontramos acúmulos de livros levados pelos detritos da tempestade” disse William, diretor e morador. Morris Lessmore é uma história de pessoas que dedicam suas vidas aos livros e de livros que devolvem o favor.  “Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore” fala sobre os poderes curativos da história.  Foram usadas uma variedade de técnicas para que alcançassem esse resultado. Miniaturas, animação por computador, animação 2D. O premiado autor e ilustrador William Joyce e Co-diretor Brandon Oldenburg apresentam a nós um estilo híbrido de animação que lembra filmes mudos e musicais da MGM Technicolor. “Morris Lessmore” é antiquado e de vanguarda, ao mesmo tempo.

Em resumo, a história é um sucesso de convergência de mídias, um case interessante para quem quer saber como se destacar nesse meio e de uma qualidade incrível, tanto no roteiro quanto em sua execução. Apesar de não ter assistido todos os concorrentes e de ainda achar que La Luna vencerá, torço por TFFB para daqui há alguns anos a gente possa contar como um curta de animação mereceu o Oscar por ser uma obra completa e atual.

Ps.: Antes de continuar com o Combo, dedico a minha primeira critica no Supernovo (ainda que sobre um curta) ao Leco, que no Combo da semana passada fez “HÁ HÁ” da minha cara. [NOTA DO EDITOR: :D]

La Luna

Quando estiver no cinema para ver Valente torça para não estar em uma cidade troll e ter a oportunidade de assistir La Luna. Com direção de Enrico Casarosa e trilha sonora de Michael Giacchino, o curta da Pixar fala de um garoto que pela primeira vez sai com seu avô e seu pai para trabalhar. Parados com apenas mar e mar por todos os lados, depois de muito esperar o menino descobre qual é na verdade o curioso trabalho da família.  Nas palavras da divulgação: “Será que ele deve seguir o exemplo do pai e do avô? Será ele capaz de encontrar o próprio caminho em meio as opiniões conflitantes de sua família e de suas tradições já desgastadas pelo tempo?

Em conversa com a Entertainment Weekly, Enrico Casarosa falou sobre a produção e o que o levou a criar o curta. Entre a história de vida de Casarosa, que cresceu na Itália e antes da Pixar (onde chegou fazendo storyobards) trabalhou na Blue Sky Studios (estúdio de Era do Gelo) o diretor falou sobre a liberdade em dar ideias: “É muito livre. Mais de dois anos atrás, levantei minha mão e disse: Poderia fazer uma sugestão? E eles responderam: Claro”.

Quando perguntado sobre a quebra do estilo da Pixar que La Luna apresenta, ele respondeu: “Enquanto estava começando a fazer “La Luna”, eles estavam terminando “Dia & Noite”, e que mostrou que a Pixar estava aberta a outros estilos menos comuns. “La Luna” é uma diferença enorme. É o curta-metragem mais longo da Pixar, e eles apoiaram o ritmo mais lento, que é um desafio, porque há somente certa quantidade de dinheiro. No início, era para ser quatro e minutos e meio de duração. Mas, com o mesmo orçamento, fomos capazes de torná-lo em quase sete minutos, por isso funcionou. Se eu tivesse dito no início, “Vou fazer um curta de sete minutos”, eles provavelmente teriam me matado.

Ele ainda fala sobre como o estilo de imagem, mais próximo da aquarela ajuda a criar o contexto do que chamam de uma fábula eterna. Para por fim, comenta sobre Pixar não ganhar quando o quesito são os curtas, desde “Para os Pássaros”, há 10 anos. “Estou completamente ciente disso! Tem sido uma batalha difícil. Às vezes, nos sentimos um pouco como o Yankees, em que somos um grande estúdio. Mas este é um pequeno filme. Nós o fizemos com uma pequena equipe. De muitas maneiras, nos sentimos como um pequeno estúdio dentro de uma maior. E espero que as pessoas possam ver que foi feito com muito amor.

Ainda acho que La Luna é um grande concorrente. E olha que até então eu ainda nem assisti. Talvez a aposta da Pixar em uma ideia “humilde”, com uma história mais profunda e menos engraçadona, além do primoroso trabalho gráfico seja certeira. Afinal, não é se apostando sempre no mesmo que mudamos o que vem acontecendo.

Dimanche (Sunday)

http://www.youtube.com/watch?v=rnzhizCOIBE

Sunday é o primeiro filme de Patrick Doyon, que inspirado pela própria infância mostra sua história através dos olhos de uma criança em traços acinzentados e um dia cotidiano porém turbulento. Seguindo a tradição de domingo, depois da missa família se reune em na casa da avó. Os adultos começam a discutir sobre dinheiro, depois que a fabrica local fechou. A história é muito inocente, o desenrolar da trama a partir dos olhos da criança é simples e direto, o que faz constratar momentos mais agressivos, como um cachorro atropelado que em seguida é comido por urubus. Essa mesma mistura fica clara nos traços muito soltos, borrados e tortos coloridos com tons pasteis e sujos de marrom e cinza.

Apesar da proposta ser muito interessante, o resultado não me encheu os olhos e acho que o produto final não é um destaque grande o suficiente para o Oscar. Talvez seja o fato de ser bem diferente dos meus favoritos, logo a cima.

A Morning Stroll

http://www.youtube.com/watch?v=xmNdoeU5lq0

Acho que minha lista acabou vindo em ordem de preferência. Dentro os cinco Morning Stroll não é o pior nem o melhor filme. Se eu o tivesse assistido talvez pudesse dizer que gosto mais dele do que de Sunday. Vagamente baseado em fatos reais contados no livro de Paul Aster, “True Tales of American Life” o curta se torna mais interessante aos olhos pela mistura de dois tipos de ilustração, muito muito simplista, preta e branca com traços bem retos (muito bonita por sinal) e outra mais complexa, colorida e detalhista. As duas se misturam afim de mostrar a visão da galinha e do homem.

Wild Life

O personagem principal do filme de Amanda Forbis e Wendy Tilby é um elegante jovem britânico que em 1909 sai da Inglaterra para Alberta, no Canadá, para trabalhar numa fazenda com a criação de gado. Porém, sua afeição por badminton, observação de aves e bebidas alcoólicas não parece combinar com o novo estilo de vida, deixa-o com pouco tempo para se dedicar à pecuária.

Wild Life é um pouco sem sal, sem graça. A impressão que tenho é que ele queria ser engraçadinho, tipo fofo sem muitas regras e acabou ficando insosso. Apesar do estilo “pintura” não ser meu favorito fica até bonito, mas esse nariz vermelho para o lado… Ah o nariz vermelho para o lado me irrita muito. Dos que assisti, foi o que mais tédio e menos interesse.


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