Supernovo entrevista Afonso Poyart: Remake de 2 Coelhos, Solace e mais!

  Leandro de Barros  |    terça-feira, 15 de maio de 2012

O cineasta paulista confirma que se aventurará em Hollywood no próximo filme de Anthony Hopkins e fala sobre seu envolvimento no remake de 2 Coelhos

No começo do ano, o paulista Afonso Poyart surpreendeu o público nacional com o lançamento do ótimo 2 Coelhos, filme alucinante e visualmente incrível sobre um rapaz que pretende colocar criminosos e políticos corruptos em rota de colisão.

A identidade visual refinada, os efeitos especiais de alto nível e a pegada ousada para os padrões nacionais, garantiram ao estreante diretor a atenção do público cinéfilo nacional.

O Supernovo.Net teve a oportunidade de entrevistar o cineasta santista, que comentou sobre a reação do público à 2 Coelhos e o remake que o filme vai ganhar, o filme sobre o lutador José Aldo (com Malvino Salvador no elenco) e confirmou que vai dirigir Solace, filme com Anthony Hopkins, em breve.

Ouça a entrevista no player abaixo ou leia a nossa transcrição:

2 Coelhos de Afonso PoyartVou começar te perguntando sobre 2 Coelhos, nós adoramos o filme. As expectativas foram atingidas? Como o público reagiu?

Bom, o público gostou do filme, todo mundo que vê gosta, o filme se tornou meio Cult. As pessoas comentam muito. Não tivemos um resultado nas bilheterias como esperado, mas também não foi ruim o resultado. Mas independente disto, o filme foi bem sucedido com o público. Está sendo igual com o DVD/Blu-ray, estamos indo super bem, muito vendido. E saindo muito nas locadoras.

Bacana! Você se incomodou um pouco sobre a comparação que fizeram de 2 Coelhos com Sucker Punch do Zack Snyder?

Não, tem uma cena da Alessandra Negrini que pode remeter um pouco à Sucker Punch, foi só isso que compararam. Acho que o filme não tem nada a ver com o Sucker Punch assim no sentido, é totalmente diferente. Só essa cena que tem alguma semelhança. A gente rodou isso antes do Sucker Punch ser lançado. Não foi um plágio de maneira alguma e foi só um pedaço do filme.

Ainda sobre 2 Coelhos, no inicio do mês saiu uma notícia sobre o filme ganhar um remake em Hollywood, você está envolvido de alguma maneira no projeto? Alguma coisa que possa nos adiantar?

A gente vendeu os direitos do remake à uma empresa americana. Eu não vou ter muita atuação criativa, não vou dirigir, não vou produzir, por opção minha mesmo. A minha participação é como produtor executivo na verdade, eu tenho créditos por produção executiva e vou aconselhar a produção da maneira que eles acharem necessário, sugerindo coisas, eles vão submeter à mim como pro forma a escolha do diretor, roteiristas. Não que eu tenha poder de decisão, é mais uma consulta.

Afonso Poyart

foto: pipocamoderna.com.br

E o filme sobre o José Aldo? Como está a produção? Vai rolar mesmo?

Tá rolando, a produção tá indo, a gente tá montando o filme, agora é só uma questão de datas e recursos. A gente tá buscando o recurso pra completar o dinheiro que precisamos para rodar o filme. Enquanto isso estamos montando o filme. A Globo Filmes tá entrando no projeto. O projeto tá ficando maior. A gente deve rodarprovavelmente ainda esse ano, se não, no começo do ano que vem, é só uma questão de datas. O projeto está indo muito bem!

Espero que seja tão bom ou melhor que 2 Coelhos.

Ah, legal!

Saiu a semana passada uma notícia sobre o filme que você vai dirigir com o Anthony Hopkins…

…é, foi na sexta-feira!

Então, mas já está confirmado, ou ainda está em negociações? O que você pode nos adiantar?

É, tá numa fase de negociação do fee do contrato com a New Line/Warner. Mas tá certo, até então tá tudo certo! Eles fizeram um anuncio meio que oficial lá, agora é só uma questão de detalhes, mas é isso aí! É um filme legal e tal.

Afonso PoyartQueria te fazer duas perguntas que não entram nos seus filmes. Vamos fazer um podcast sobre remakes/reboots e a falta de criatividade em Hollywood. O que você acha disso?

Olha, não sei, eu acho que tem espaço para tudo. Os remakes são sempre uma forma de… Geralmente são propriedades que os estúdios tem, de uma marca, ou de um roteiro, e é sempre mais fácil você pegar uma propriedade que você já tem adquirida né, que já está tudo pronto e fazê-la, você tem mais garantia de sucesso.Você já ta partindo de alguma coisa que tem valor perante o público. Se você pega um filme que foi bem sucedido no passado, este projeto já começa com algum background, que facilita a venda dele. Isso vai acontecer sempre, não tem como. Enfim, o mercado todo ta mudando, o cinema ta mudando muito, é um mercado diferente do que era há 10 anos atrás. Tem a participação de outros mercados.Nos EUA o mercado doméstico já não é mais [como antes], se você contar as bilheterias, hoje os filmes ganham mais dinheiro na soma internacional do que no mercado doméstico americano. O mercado americano ainda é o maior sozinho, mas se você somar o que o filme faz no resto do mundo já é um pouco maior do que no doméstico. Então existe esse olhar de mercado internacional. Mas falta de criatividade? Acho que não! Acho que tem uma criativade grande aí, um monte de gente fazendo… É uma forma também de reduzir risco, você pegar uma propriedade antiga, uma propriedade que já tem uma marca associada, e fazer um remake, você diminui bastante os riscos.

E para terminar, última pergunta, distribuição digital, você é à favor ou contra?

Eu acho que não jeito, é assim que vai ser. Eu não sou contra, é o caminho natural das coisas, o NOW aí agora no Brasil ta começando com isso. O que já tinha a muito tempo lá fora. É o caminho das coisas, os filmes saem do cinema e vão para esses canais: tv à cabo, on demand, não tem jeito. É um impacto talvez não tão positivo na industria do cinematográfica no que diz respeito às bilheterias dos cinemas porque as pessoas começam a não ver no cinema e esperam para ver num sistema desses. Porque os filmes vão bem rápido para lá né? Talvez não no Brasil, mas na Apple TV por exemplo, em questão de meses já vai para lá…

Sim, antes do Blu-Ray às vezes…

Exatamente! Então é o caminho natural, a industria vai ter que se adaptar à essa realidade, não tem como não gostar. Infelizmente é isso aí, mudou um pouco a relação da industria com o espectador.


[Nota do Editor: Fica o agradecimento pela disposição e boa vontade do Poyart em ceder alguns minutos do seu dia pra falar com a gente. Boa sorte com o Hannibal!]


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