Sombras da Noite – Crítica

  Eder Augusto de Barros  |    quinta-feira, 21 de junho de 2012

Apesar de ótimo tecnicamente, Sombras da Noite não passa de uma sombra de outros filmes da dupla Depp-Burton, um filme preguiçoso que não tenta surpreender e não tenta ser diferente

Sombras da Noite, ou originalmente Dark Shadows, chega aos cinemas nacionais nesta sexta-feira dia 22 de junho. O longa é dirigido por Tim Burton e adivinha quem é o protagonista? Uma mordisquela vampiresca para quem disse Johnny Depp.

No ano de 1752, o casal Joshua (Ivan Kaye) e Naomi Collins (Susanna Cappellaro) e seu jovem filho Barnabas deixam Liverpool, na Inglaterra, para começar vida nova na América. Mas, mesmo com um oceano de distância, isso não foi suficiente para escapar de uma maldição que atormenta a família. Duas décadas depois, Barnabas Collins (Johnny Depp) é um rico, poderoso e inveterado playboy, que reina absoluto na cidade de Collinsport, no Maine, até magoar o coração de Angelique Bouchard (Eva Green), uma bruxa que o transforma em vampiro e o enterra vivo. Dois séculos se passam e Barnabas é libertado de seu túmulo para encontrar seu patrimônio e remanescentes de sua família em ruínas.

A dupla Burton-Depp já deu ao cinema grandes obras, porém, em minha modesta opinião, são todas muito parecidas esteticamente e com semelhanças visíveis, talvez por Burton ser um diretor com estilo muito pessoal e marcante, e isso, é o principal problema de Sombras da Noite. Se você não é fã da dupla, nem do trabalha cartunesco de Burton, o filme parece ser mais do mesmo, de novo.

Falar que o filme é ruim seria uma heresia da minha parte, tanta gente boa trabalhando num mesmo projeto não pode ser ruim, porém o longa fica aquém das expectativas. O problema que eu referi acima faz muita diferença, o roteiro não ajuda em nada e o tema vampiresco está mais saturado. Apesar de ser um filme tecnicamente muito bom, ele não passa nada que a gente não tenha visto em filmes anteriores da dupla Depp-Burton.

A falta de uma narrativa consistente prejudica e muito a produção que não empolga em nenhum momento, nem mesmo quando se pede piadas engraçadas que te façam ter um certo agrado pelo filme. Num todo, falta um momento de empolgação, um momento de carisma. O filme exige de um publico alvo muito jovem um conhecimento de mais de 40 anos em cultura pop, o que não é necessariamente o ideal.

Visualmente o filme é lindo, as cores se completam, exatamente como vimos em vários posters divulgados que davam a impressão de ser um filme com belo visual e isso se confirma na tela do cinema. A trilha sonora é totalmente anos 70 , muito boa por sinal, e com direito a show de Alice Cooper durante o filme. Soa muito como um tributo ao fim dos anos 60, época de grandes filmes vampirescos, época em que a série Dark Shadows estava em emissão tudo muito bem destacado com tons nostálgicos.

Os personagens com falta de carisma ajudam a não cativar o público, e mais uma vez o filme será vendido apenas pelos nomes da dupla Burton-Depp e não pelo carisma de seus personagens. Johnny não consegue fazer de seu Barnabas um personagem tão marcante quanto Edward Mãos-de-Tesoura ou Sweeney Todd. Aliás, antes de continuar, eu vou levantar meu escudo porque eu sei que virão pedras de quem estiver lendo essa crítica. A atuação de Johnny Depp no longa é extremamente preguiçosa. Depp faz exatamente o mesmo personagem que já fez em outros filmes. É a mesma atuação que ele fez com o Jack Sparrow. Mesmas caras, mesmos trejeitos…

O resto do elenco fica pelo mesmo caminho. A talentosa Chloë Moretz faz o básico com a sua personagem “revoltadinha”, Eva Green, Jonny Lee Miller e Bella Heathcote também não chamam a atenção. O personagem mais engraçado, e talvez até mais marcante é a Dra. Julia Hoffman e Helena Bonham Carter, mas também vale ressaltar posivitamente a atuação de Michelle Pfeiffer e a de Jackie Earle Haley.

Talvez o maior problema de Sombras da Noite seja exatamente o seu maior “trunfo”: a dupla Burton-Depp. Honestamente, eu acho que a parceria dos dois em cena já está saturada. Chega a ser brochante ver um elenco com o próprio Depp, Eva Green, Michele Pfeiffer, Jackie Earle Haley, Helena Bonham Carter e tantos outros, fazer um trabalho tão mediano, tão mais do mesmo, tão sem imaginação.

Porém, para que não digam que eu só falei mal do filme, é preciso ser justo e elogiar quando o filme tem algo bom. Além da estética visual linda já mencionada umas duas vezes, o filme tem um trabalho de retratação de época, tanto dos anos 60 quanto de meados do século XVIII, muito bem feito. Além disso, os cenários do longa são de uma riqueza impressionante.

Sombras da Noite deve agradar aos fãs de Tim Burton e Johnny Depp, que já somam uma multidão hoje em dia. É questão de lógica: se Sombras da Noite é mais do mesmo, e você gosta desse mesmo, vai gostar do filme.Para os não-fãs, é um filme mediano, que não empolga, não faz falta, não te faz rir arco-íris e não tem carisma, pode ser que entre para a lista de filmes clássicos da Sessão da Tarde um dia.


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