Sofazão | Zodíaco

Matheus Pessôa

  sábado, 15 de dezembro de 2012

Sofazão | Zodíaco

O modo de como esse filme foi adaptado do romance de Robert Graysmith é marcante, por conseguir reunir tantas informações e contradições num longa que não é cansativo. Palmas a David Fincher.

Olá, superinternautas! Essa semana, no Sofazão, teremos o filme Zodíaco, de 2007, que fala sobre um assassino dos anos 60 que nunca foi pego na história, mesmo cometendo crimes por mais de uma década. A vocês que acompanham o site, já devem ter lido essa crítica, provavelmente, há alguns meses atrás, mas como ela foi levada pelo Furacão Sandy, achei justo colocá-la novamente! Aliás, desculpem-me por não ter tempo de escrever uma crítica fresquinha para essa semana, mas é por causa do evento que chamamos de ‘loucura da Supermag’ haha e, sim, estamos vivendo-o nesse exato momento.

Enfim, espero que gostem da crítica e do filme dessa semana. Sente no seu sofá e aproveite este Sofazão de Jabá!

 

Com temas de suspense e investigação, sempre tem que haver um cuidado redobrado para que a obra a ser produzida se torne um fracasso de bilheterias e seja mal-aceito pelo público. No caso do filme da Sofazão dessa semana, acontece muito pelo contrário do que talvez pudesse se esperar de um filme com duas horas e meia de duração. Quando começar o filme, esteja preparado. Você estará a apenas alguns minutos de embarcar nesta jornada/investigação mirabolante e envolvente, que te prende do início ao fim se você é fã de detetives e de mistérios surpreendentes, além de códigos instigantes e brilhantemente tramados pela mente de um assassino frio e calculista.

Zodíaco (Zodiac, 2007) é uma adaptação da obra de mesmo nome de  Robert Graysmith, que vivenciou todos os momentos que foram relatados no filme. O enredo da história se passa no ano de 1969. É verão. As festas na Califórnia são constantes e é uma época bastante ‘feliz’ nos EUA. Até que começam a ocorrer vários assassinatos, que se iniciaram em Vallejo, em pleno 4 de julho, quando dois jovens são mortos a tiros por um homem misterioso. Isso não é ficcção. É a mais pura realidade. Além deste, outras dezenas (talvez até centenas) de pessoas são mortas aleatoriamente e em cidades diferentes em espaços de tempo totalmente adversos pelos Estados Unidos.

É neste contexto que Robert Graysmith, um cartunista do jornal que recebe a primeira pista a ser seguida no caso Zodíaco, se junta à polícia ao acaso, por puro interesse, e acaba se envolvendo mais do que qualquer um na resolução dos crimes, tendo como ‘parceiro’ Dave Toschi (Mark Ruffalo).O assassino sempre provocava o departamento de polícia mandando cartas, sempre iniciadas pela frase ‘Aqui quem fala é o Zodíaco’ . Cartas que foram muito alarmantes naquela época por chamar a atenção para alguma pista errada e sempre chamando os detetives e os envolvidos no caso para a sua teia de tramas, assassinatos e ivestigações que vão além do que as pistas podem explicar, levando a considerações errôneas pela parte dos investigadores.

Adaptação excelente

Toda esse clima tenso e de expectativa é bem retratado no filme pelo experiente David Fincher, que procurou exibir os fatos com um equilíbrio vital e ao mesmo tempo envolvente, sendo muito fiel aos fatos que ocorreram há 40 anos atrás, quando a polícia sempre se encontrava muito perto e muito longe do suspeiro ao mesmo tempo. Fincher conseguiu dar um ar de muito suspense à trama, e com certeza esse é um dos pontos principais do filme. Foi pela sua competência ao conseguir adaptar algo tão complexo e contradizente para uma obra longa, sim, porém muito bem escrita e dirigida.

Alguns afirmam que o Zodíaco existe, mesmo depois de três décadas desde a última carta. Alguns, como o Robert Graysmith da vida real, dizem que não, como você verá no filme. Mas o que é possível dizer é que Zodíaco, o filme, é um exemplo para todas as adaptações de filmes que retratam assassinatos em série. O filme é viciante e com certeza ficará na sua cabeça por um bom tempo.

O verdadeiro Zodíaco, onde quer que esteja, deve estar feliz com esta adaptação de David Fincher: tão brilhante quanto sua mente.


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