Crítica Tróia

Depois de algum tempo, o/a Sofazão volta com a análise do filme Tróia. Um filme bem longo, porém divertido

Matheus Pessôa

  sábado, 24 de agosto de 2013

Depois de um certo tempo inativa, a (coluna) ou o Sofazão está de volta. Comemorai com uma oferenda aos deuses, caros companheiros. Oferendai a estes e recebereis muitos filmes que ainda estão por vir!

O Sofazão volta hoje com novo couro, novas almofadas, mas com o mesmo cheirinho de novo de sempre. Hoje falaremos sobre Tróia (Troy), do ano de 2004, estrelado por Brad Pitt, Orlando Bloom e Eric Bana. É possível que você durma assistindo ao filme… Mas se estiver num dia inspirado, é uma boa!

“Homens são perseguidos pela vastidão da eternidade.
E assim, nós nos perguntamos:
Nossas ações vão ecoar através dos séculos?
Muito tempo depois de termos partido, vão ouvir nossos nomes, vão querer saber quem éramos, com que coragem lutávamos, com que fúria amávamos?
Se um dia contarem minha história, que digam que eu andei com os gigantes.”

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  Logo na parte inicial do filme, somos apresentados ao seguinte fundo histórico: é o ano de 1193 A.C. e o império grego comandado por Agamenon está em ascensão. Depois de várias vitórias em diversas terras distantes, ele conquista Tessália, no que é tido como um último embate armado antes de um tratado de paz selado entre as nações, a fim de cessar as guerras. No entanto, Páris (Orlando Bloom), príncipe de Tróia, acaba envolvendo-se com a filha de um pescador grego que é irmão do rei Agamenon. E este é o grande estopim da guerra.

Um dos pontos positivos do filme é contar a história que se desenrola a partir disso não apenas por uma única vista, mas sim por várias vistas diferentes a cada momento da trama: de um lado, a história do rei Agamenon, que queria apenas um motivo palpável para começar uma guerra com Tróia e também a de Aquiles, seu melhor combatente, considerado imortal. Do outro, Tróia e seus comandantes, tendo destaque a Heitor (Eric Bana) e Páris.

Alternando momentos de ação intensa e de uma quase completa ‘inércia’, o filme é bem conduzido ao longo de suas 3 horas e 5 minutos de duração. Basicamente, há dois momentos que se contrapõem em diferentes momentos: a parte das batalhas e a parte cotidiana dos personagens perante às batalhas. Simples assim. Pelo menos, essa é a intenção que é passada, uma vez que desde a introdução à narrativa até o primeiro ponto alto quando Agamenon decide invadir Tróia só se decorrem alguns minutos, talvez 25.

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O foco é virado totalmente aos personagens e não muito à história em si. Um exemplo disso é que a chamada Guerra de Tróia- o fato histórico- durou aproximadamente 10 anos mas que no longa foi desenrolada em aproximadamente 50 dias. Para conseguir tal proeza, é claro que o tempo de exibição do filme não poderia ser muito curto, por isso as três horas. O filme é um pouco cansativo em alguns momentos, mas há uma lógica para que hajam tantos diálogos e situações sendo mostradas que não são batalhas sangrentas entre os exércitos gregos e troianos: trata-se da construção e dos fatos históricos que precisam ser relatados, não há como fugir disso. Além disso, mostra constantemente a relação amorosa que é a causa de toda a narrativa, o amor entre Páris e Helena. É necessário introduzir um pouco da cultura grega, é claro, além de deixar claro as situações políticas envolvendo as duas cidades; de outra maneira, tudo seria um amontoado de cenas de ação sem nexo algum.

Como é uma história épica, é claro que há clichês, mas nada tão revoltante assim. Quem sabe um pouco da mitologia, por exemplo, consegue desvendar o fim do filme antes que a segunda hora comece. Para quem gosta de surpresas, pode haver um certo desânimo (compensado pelas questões técnicas), mas para quem gosta de história, é bom vê-la retratada na tela de modo tão bonito. As cenas de ação são essencialmente ótimas; uma sucessão rápida de golpes com uma trilha sonora que se adequa bem às batalhas, tendo ótimos efeitos no encontro das espadas e etc.

Quanto à fotografia, cenários e questões técnicas, tudo é muito bonito, ainda mais considerando que o ano do filme é 2004. As cenas de embate militar claramente são parecidas com as de O Senhor dos Anéis (mas também não era possível fazer de modo diferente, na época), mas são as únicas déjá vú.

Assim, Tróia surpreende pelo interessante desenvolvimento de uma história tão complexa de um modo relativamente simples e pelas qualidades visuais que o filme tem como parte de sua essência. Com certeza, uma homenagem aos deuses gregos. Como disse o texto lá em cima, uma história de coragem, fúria e paixões. Estas últimas aparecem de diferentes maneiras nos personagens: hora no ato sexual, hora no campo de batalha, características muito bem conhecidas por aquele leitor que conhece a mitologia.


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