Sofazão| Shine a Light

Matheus Pessôa

  terça-feira, 04 de dezembro de 2012

Sofazão| Shine a Light

Com direção de Martin Scorsese, o documentário sobre os Rolling Stones mostra o backstage de um show em New York e, além disso, a essência épica de uma das maiores bandas de rock da história.

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Shine Light foi um documentário dirigido por Martin Scorsese que retratou o ‘backstage’ de uma apresentação dos Rolling Stones em 29 de outubro de 2006 (uma das últimas antes da pausa que a banda deu).

Por ser um documentário, a gravação mostrou até mesmo o próprio Scorsese nos momentos em que ele estava no canto dele, planejando todos os efeitos visuais que ele queria, para tornar o show, e por conseqüência o documentário, melhor. Iluminação, disposição dos quatro membros no palco, instrumentos, setlist, captação de imagens, plateia… Scorsese estava atento a tudo isso. Há, inclusive, uma parte muito engraçada logo no início do documentário, em que um assistente chega para ele e diz:

– O aparelho pode dar curto… Pode até pegar fogo.

– Pegar fogo!? Temos que tomar cuidado, não pode tacar fogo no Mick Jagger, ok?- ou então ‘It might burn Mick Jagger… So we can’t set him on fire’ (o tom de humor é melhor em inglês).

Nos primeiros 10 minutos, toda a preparação está sendo feita, desde a montagem do palco e à colocação de câmeras ao redor dele, visando captar as melhores imagens do show. Há também, uma preocupação extrema de Scorsese quanto à setlist. (Detalhe: ele mesmo tinha feito uma setlist ‘sugestiva’ que Mick Jagger filmou com uma câmera caseira e mostrou; esse tape também entrou no filme). Bill Clinton, o fundador da Clinton Foundation, uma fundação de caridade para a qual toda verba do show foi direcionada. Clinton faz um rápido discurso e o show começa.

Intenso. Essa é uma palavra possível para descrever o show. Uma setlist repleta de clássicos que colocaram o público para dançar fizeram a alegria da platéia que delirava enquanto Mick Jagger dançava de modo extravagante- sua marca registrada-  pelo palco, sem parar de se mexer mesmo (quase) aos 70 anos de idade. Keith Richards e Ronnie Wood deram uma aula de como se toca guitarra, o público saudando-os calorosamente quando foram apresentados no meio do show. Charlie Watts é outro que também recebeu aplausos pelo seu trabalho atrás dos pratos, que ele executou muito bem, com bastante energia, mesmo com idade avançada.

O público vibrou ainda mais quando os primeiros acordes de Loving Cup foram tocados, que foi quando Jagger dividiu o palco- e o microfone- com Jack Whyte. As duas vozes deram casaram bem, assim como o violão de Whyte com as guitarras da dupla Keith-Wood. Cristina Aguilera foi outra que também soltou a voz com Jagger, na música Live With Me, uma das últimas a serem tocadas. Houve também vários outros artistas que tocaram instrumentos complementares- como saxofone, por exemplo- em músicas que o requeriam, como Champagne & Reefer, do grandioso Muddy Waters.

Se o desempenho dos Stones impressionava de palco, os reflexos do trabalho de Scorsese também ficaram evidentes em todos os aspectos. Primeiro porque o jogo de câmeras que ele fez foi muito bom pegando aqueles momentos mais empolgantes do show de uma maneira muito boa, não deixando escapar nada. O que também foi excelente pela parte da direção foram os efeitos visuais que foram colocados lá. A iluminação foi um espetáculo; o jogo de luzes toda vez que Mick Jagger levantava os braços nas primeiras músicas (e a sincronização dos movimentos com as luzes) contribuíram muito para o espetáculo, tanto técnico quanto musical. Tudo isso, também, graças à produção de Steve Bing e Michael Cohl.

É interessante, também, observar a adição das cenas de entrevistas antigas dos Rolling Stones a vários jornalistas, cada uma delas com um toque sarcástico ou de mal-humor que os Stones sempre fizeram questão de fazer. Essas cenas aparecem em momentos oportunos do documentário, são bem pontuais, e tem como função mostrar um pouco mais sobre a vida de um Rolling Stone fora dos palcos, mostrando a personalidade de cada um, etc. Essas entrevistas, que são desde pequenas cenas em preto e branco até noticiários também foram uma outra boa sacada de Scorsese para complementar ainda mais o ar histórico do show, acrescentando na importância que os Rolling Stones tiveram, tem e vão ter na música, afinal, há vários momentos polêmicos que são retratados, como quando Keith Richards foi preso por porte de drogas.

(I Can’t Get No) Satisfaction fechou a noite do show, o público saudando os Rolling Stones mais uma vez durante a sua história, que no tempo em que o filme foi gravado, era de 46 anos. A última cena, a de despedida, mostra todos os convidados e os Stones reverenciando o público que lotou o Beacon Teathre. E então, Shine A Light encerra o ducumentário com um tape de Scorsese que é em primeira pessoa, quando os Stones se encaminhavam para fora do local. A câmera então se afasta e passa pelos prédios da cidade, o vocal de Mick Jagger ecoando pela noite escura de New York.


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