Sofazão | O Ritual – Crítica

  Pedro Luiz   |    segunda-feira, 30 de abril de 2012

O Ritual (The Rite, 2011) é um exemplo muito bacana do sub-gênero exorcismo, que andava mal das pernas. Pegue a água benta, a pipoca, apague as luzes, e boa sorte.

Quem leu o texto sobre o filme Requiem, anteriormente postado aqui na coluna Sofazão, entendeu um pouco do quão difícil é lançar um filme de terror com a temática de exorcismo depois do espetacular O Exorcista de 73. De uma forma, ou de outra, os filmes de exorcismos acabam caindo na mesma fórmula estabelecida pelo filme de William Friedkin. O exorcismo de Emily Rose, que é um bom filme, cai no padrão padre, demônio e menina indefesa, ainda que acrescente a questão jurídica. O filme de hoje da coluna é mais um exemplar que bebeu da água de O Exorcista, mas que para o mercado de terror atual, se estabeleceu como um satisfatório filme para o gênero, que anda mal das pernas.

O Ritual (The Rite, 2011) tem todos os elementos necessários para ser comparado com o filme de 73. Um seminarista sem experiência, um padre muito experiente e vítimas. Poxa, todo mundo viu isso em O Exorcista. Mas algo no filme do ano passado rouba a cena e dá ao projeto uma dimensão um pouco maior do que de costume. Seu nome? Anthony Hopkins.

Mikael Hafstrom (que já esteve presente aqui na coluna com o filme 1408. Procurem aí…) dirige o filme que conta a história de um inexperiente seminarista que optou pelos ‘’trabalhos’’ eclesiásticos ao invés de continuar na funerária de sua família. Michael Novak, porém, vê que aquilo também não é realmente o que ele queria para a sua vida e decide desistir, até que um dos padres locais o convoca para um curso que o Vaticano estava dando para ensinar os rituais de exorcismo. Michael, que não poderia desistir ou teria que reembolsar a igreja pelo tempo que ficou hospedado, decide ir para o Vaticano, onde conhece a jornalista interpretada por Alice Braga e o verdadeiro dono desse filme: Padre Lucas, ou como gosto de chamar, Anthony ‘’surtado’’ Hopkins.

Padre Lucas é um daqueles senhores pouco ortodoxos que resolvem o problema em poucos segundos, e para isso, é necessário só m crucifixo, uma bíblia, e uma batina. E nas cenas de exorcismo, Anthony está completamente surtado e carregado de qualquer que seja a entidade que habita seu corpo. Quem viu Silêncio dos Inocentes precisa ver o Ritual, pois as atuações são de um nível parecido; a diferença é que em O Ritual, temos a oportunidade de ver Hopkins com algo muito mais forte do que apreço pela carne humana.

Elementos batidos como trilha sonora gradativa e sangue jorrando não são usados. A bela atmosfera e a fotografia do filme são as sacadas usadas para criar o ambiente tenso que o filme necessita, afinal, você pode não acreditar no diabo, mas ele acredita em você.

O embate eterno de ciência VS religião também está presente, o que dá ao filme uma seriedade ainda maior. E mesmo com tamanha seriedade, sobra tempo para uma frase de Padre Lucas quando lhe é perguntado a respeito de um exorcismo: ‘’Não espere cabeças girando’’

Se não podemos ser melhor que eles (voltamos ao filme de 73), porque não podemos tirar sarro?

O Ritual é um exemplo muito bacana desse sub-gênero que andava mal das pernas. Pegue a água benta e a sua pipoca, apague as luzes, e boa sorte.

 

Essa foi a nossa indicação da semana. Até semana que vem!


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